{"id":581,"date":"2014-10-16T22:00:36","date_gmt":"2014-10-17T01:00:36","guid":{"rendered":"http:\/\/dcvcorp.com.br\/?p=581"},"modified":"2014-10-16T23:03:16","modified_gmt":"2014-10-17T02:03:16","slug":"a-guerra-aerea-contra-o-isis-nao-e-seria","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/dcvcorp.com.br\/?p=581","title":{"rendered":"A Guerra A\u00e9rea Contra o ISIS N\u00e3o \u00e9 S\u00e9ria"},"content":{"rendered":"<p><strong><em>Na campanha contra a S\u00e9rvia, em 1999, as incurs\u00f5es a\u00e9reas eram numa m\u00e9dia de 138 ataques diariamente. Contra o Estado Isl\u00e2mico no Iraque e na S\u00edria: a m\u00e9dia \u00e9 de apenas 7<\/em><\/strong><\/p>\n<p>Por\u00a0Mark Gunzinger e John Stillion<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Desde que os avi\u00f5es norte-americanos come\u00e7aram a\u00a0atacar os alvos no Iraque em 08 de agosto, um debate tem sido travado sobre a efic\u00e1cia da campanha a\u00e9rea da administra\u00e7\u00e3o Obama contra o Estado isl\u00e2mico. A guerra de palavras tem-se centrado na necessidade de colocar\u00a0tropas\u00a0americanas em solo\u00a0para fornecerem informa\u00e7\u00f5es exatas e possivelmente for\u00e7ar os combatentes do ISIS a\u00a0defenderem as infra-estruturas fundamentais que tomaram, como as instala\u00e7\u00f5es petrol\u00edferas. Mas o debate est\u00e1 come\u00e7ando agora a se concentrar no aparente fracasso dos ataques a\u00e9reos para impedir os avan\u00e7os do grupo terrorista no Iraque e na S\u00edria &#8211; especialmente a poss\u00edvel captura\u00a0pelo\u00a0Estado Isl\u00e2mico de Kobani na fronteira com da S\u00edria com a Turquia.<\/p>\n<p><img class=\"aligncenter\" src=\"http:\/\/cdn.cmjornal.xl.pt\/2014-10\/img_757x426$2014_10_16_08_47_31_411550.jpg\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p>Embora ainda seja muito cedo para proclamar que a campanha a\u00e9rea contra o Estado Isl\u00e2mico seja um fracasso, pode ser instrutivo compar\u00e1-lo com outras campanhas realizadas pelas for\u00e7as armadas dos Estados Unidos desde o fim da Guerra Fria, onde\u00a0foram considerados sucessos. Por exemplo, durante os\u00a043 dias da opera\u00e7\u00e3o Tempestade no Deserto, a\u00a0campanha a\u00e9rea contra as for\u00e7as <!--more-->de Saddam Hussein, em 1991, os ca\u00e7as da coaliz\u00e3o e os bombardeiros voaram 48.224 em incurs\u00f5es a\u00e9reas\u00a0de ataque.<\/p>\n<p>Isso se traduz em cerca de 1.100 incurs\u00f5es a\u00e9reas\u00a0por dia. Doze anos depois, a campanha a\u00e9rea de 31 dias, que ajudou a libertar o Iraque do governo de Saddam teve em m\u00e9dia mais de 800 miss\u00f5es ofensivas por dia. Por outro lado, ap\u00f3s passados dois meses as\u00a0aeronaves dos EUA e um pequeno n\u00famero de for\u00e7as de aliados\u00a0realizaram 412 ataques\u00a0ao total no Iraque e na S\u00edria, uma m\u00e9dia de sete ataques por dia. Com o Estado Isl\u00e2mico no controle de uma \u00e1rea que se aproxima de 50.000 quil\u00f4metros quadrados, \u00e9 f\u00e1cil ver porque esse n\u00edvel de esfor\u00e7o n\u00e3o teve muito impacto em suas opera\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>\u00c9 claro que as opera\u00e7\u00f5es a\u00e9reas durante a Tempestade no Deserto e Liberdade do Iraque foram, cada um apoiado por uma for\u00e7a de coaliz\u00e3o maci\u00e7a em solo. Assim, pode ser mais adequado comparar as atuais opera\u00e7\u00f5es contra o Estado Isl\u00e2mico com a campanha a\u00e9rea de 78 dias contra as for\u00e7as s\u00e9rvias e seus representantes, em 1999, ou a campanha a\u00e9rea de 75 dias no Afeganist\u00e3o, que foi fundamental para remover\u00a0o Taliban do poder, em 2001 .<\/p>\n<p>Ambas as campanhas se basearam fortemente em for\u00e7as aliadas\u00a0em solo\u00a0aumentada por um pequeno, mas significativo, n\u00famero de soldados norte-americanos. Estas campanhas a\u00e9reas tiveram em m\u00e9dia 138 e 86 miss\u00f5es de ataque ao dia respectivamente &#8211; as ordens de magnitude s\u00e3o maiores do que o ritmo atual das opera\u00e7\u00f5es contra Estado isl\u00e2mico.<\/p>\n<p>Talvez o pequeno n\u00famero de ataques\u00a0na campanha a\u00e9rea contra o Estado Isl\u00e2mico \u00e9 devido \u00e0 falta de alvos terrestres adequados. No entanto, representantes do Pent\u00e1gono t\u00eam caracterizado as for\u00e7as que lutam sob a bandeira preta do Estado Isl\u00e2mico mais como um ex\u00e9rcito convencional do que uma,\u00a0altamente dispersa, for\u00e7a irregular semelhante ao Taliban de hoje. Al\u00e9m disso, os combatentes do\u00a0Estado isl\u00e2mico est\u00e3o usando ve\u00edculos blindados capturados, artilharia, morteiros e outros instrumentos modernos de guerra terrestre para conquistar e manter o terreno. Essas opera\u00e7\u00f5es exigem uma quantidade consider\u00e1vel de movimento e de reabastecimento que podem ser detectados pela vigil\u00e2ncia a\u00e9rea.<\/p>\n<p>A baixa contagem de ataques\u00a0di\u00e1rios poderia ser o resultado de opera\u00e7\u00f5es de aplica\u00e7\u00e3o de\u00a0a\u00e7\u00f5es de\u00a0contra-terrorismo do Pent\u00e1gono durante a \u00faltima d\u00e9cada para a atual crise no Iraque e na S\u00edria. Essas opera\u00e7\u00f5es geralmente dependem de um conhecimento detalhado e espec\u00edfico do &#8220;padr\u00e3o de vida&#8221; das pequenas c\u00e9lulas terroristas constru\u00eddos, ao longo de dias ou semanas, com uma\u00a0vigil\u00e2ncia persistente.<\/p>\n<p>Os recursos necess\u00e1rios no solo\u00a0e no ar para gerar tal intelig\u00eancia de alta confian\u00e7a\u00a0s\u00e3o consider\u00e1veis \u200b\u200bem termos de tempo, dinheiro, pessoal e aeronaves de vigil\u00e2ncia. Enquanto a baixa contagem de ataques\u00a0parece apoiar esta tese, \u00e9 improv\u00e1vel que os homens e mulheres, militares altamente competentes da nossa na\u00e7\u00e3o, muitos dos quais podem ter\u00a0planejado e executado campanhas a\u00e9reas bem-sucedidas\u00a0anteriormente, poderiam\u00a0adotar uma\u00a0abordagem de meio\u00a0termo para opera\u00e7\u00f5es contra as for\u00e7as do ISIS.<\/p>\n<p>H\u00e1 outra possibilidade: O desejo imperativo moral e estrat\u00e9gico para evitar v\u00edtimas civis e danos colaterais gratuitos, que podem estar restringindo\u00a0o processo de sele\u00e7\u00e3o dos alvos da coaliz\u00e3o.<\/p>\n<p>Enquanto estes s\u00e3o fatores importantes em qualquer conflito, o que deve ser equilibrado com a realidade de\u00a0permitir que os combatentes do Estado Isl\u00e2mico continuem\u00a0sua agress\u00e3o selvagem, quase sem controle, resultar\u00e1 em muito mais baixas civis e destrui\u00e7\u00e3o do que uma campanha a\u00e9rea mais agressiva que usa armas de precis\u00e3o para destruir rapidamente as armas pesadas do grupo e as concentra\u00e7\u00f5es de tropas.<\/p>\n<p>Por fim, a contagem de ataques\u00a0di\u00e1rios sugere que a estrat\u00e9gia subjacente \u00e0 campanha a\u00e9rea pode ser influenciada por um desejo de aplicar o m\u00ednimo de for\u00e7a poss\u00edvel, enquanto ainda reivindicar cr\u00e9dito por fazer algo sobre Estado isl\u00e2mico. Esse racioc\u00ednio se encaixa com as alega\u00e7\u00f5es do governo de que a degrada\u00e7\u00e3o e, eventualmente, derrota do ISIS \u00e9 pass\u00edvel\u00a0de levar muitos anos. Ele pode refletir persistentes d\u00favidas por parte de alguns respons\u00e1veis \u200b\u200bpol\u00edticos sobre o qu\u00e3o s\u00e9rio e de longo alcance \u00e9 realmente a amea\u00e7a de um califado do Estado Isl\u00e2mico para os interesses vitais da nossa na\u00e7\u00e3o. Ou pode ser ainda uma relut\u00e2ncia simples para come\u00e7ar outra opera\u00e7\u00e3o militar aberta no Oriente M\u00e9dio.<\/p>\n<p>No final, n\u00e3o importa o motivo, o uso t\u00edmido do poder a\u00e9reo contra os combatentes do Estado Isl\u00e2mico no Iraque e na S\u00edria \u00e9 improv\u00e1vel para reduzir o territ\u00f3rio sob seu controle, e assim reduzir o brutal assassinato de civis inocentes, ou impedir a cria\u00e7\u00e3o de um santu\u00e1rio para um inimigo que jurou continuar a sua luta em uma escala mais global.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>* Artigo traduzido por mim, original no The Wall Street Journal:\u00a0<a href=\"http:\/\/online.wsj.com\/articles\/mark-gunzinger-and-john-stillion-the-unserious-air-war-against-isis-1413327871?tesla=y&amp;mg=reno64-wsj\" target=\"_blank\">The Unserious Air War Against ISIS<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na campanha contra a S\u00e9rvia, em 1999, as incurs\u00f5es a\u00e9reas eram numa m\u00e9dia de 138 ataques diariamente. 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