{"id":960,"date":"2014-12-16T08:50:29","date_gmt":"2014-12-16T10:50:29","guid":{"rendered":"http:\/\/dcvcorp.com.br\/?p=960"},"modified":"2014-12-16T08:51:30","modified_gmt":"2014-12-16T10:51:30","slug":"960","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/dcvcorp.com.br\/?p=960","title":{"rendered":"Vladimir Putin \u00e9 o l\u00edder do mundo moral"},"content":{"rendered":"<p><strong>Paul Craig Roberts<\/strong><\/p>\n<p><strong>Coment\u00e1rio de Julio Severo:<\/strong> <em>O presente artigo foi originalmente publicado em ingl\u00eas pelo Lew Rockwell e traduzido por Dionei Vieira especialmente para o Blog Julio Severo. Embora seja desconhecido de muitos dos leitores do Blog Julio Severo, Rockwell \u00e9 amplamente elogiado e promovido pelo M\u00eddia Sem M\u00e1scara, que j\u00e1 publicou in\u00fameros artigos dele. Espero que este seja mais um deles, pela pr\u00f3pria import\u00e2ncia que Lew Rockwell deu ao discurso do presidente russo Vladimir Putin. Rockwell, que \u00e9 um americano libert\u00e1rio, \u00e9 o fundador e presidente do famoso Instituto Mises. H\u00e1 pontos interessantes no discurso de Putin. O que n\u00e3o aceito, por\u00e9m, \u00e9 a cren\u00e7a dele de que na Terra Prometida deve haver dois Estados: um israelense e outro palestino. <a href=\"http:\/\/juliosevero.blogspot.com\/2014\/11\/nao-da-para-se-alcancar-paz-no-oriente.html\">Essa \u00e9 tamb\u00e9m a pol\u00edtica americana oficial, desde Clinton, Bush e Obama<\/a>. Claro que n\u00e3o aceito tal pol\u00edtica, seja de quem vier, de Putin, Clinton, Bush ou Obama. Israel em primeiro lugar. EUA e R\u00fassia depois. Eu n\u00e3o apoiava Clinton por ser socialista. N\u00e3o apoio Obama por ser socialista. Mas eu apoiava Bush. Apesar da horrenda postura dele sobre Israel, pelo menos ele tinha posturas contr\u00e1rias ao aborto e ao homossexualismo. D\u00e1 para se dar o mesmo tratamento para Putin. Seu discurso cont\u00e9m revela\u00e7\u00f5es importantes.<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<table  class=\" table table-hover\" align=\"center\">\n<tbody>\n<tr align=\"center\">\n<td><img src=\"http:\/\/3.bp.blogspot.com\/-ooWaeSY7kak\/VI45XQTfojI\/AAAAAAAAXy8\/foBvd0XCvkU\/s1600\/Vladimir%2BPutin%2B5.jpg\" alt=\"\" \/><\/td>\n<\/tr>\n<tr align=\"center\">\n<td><strong>Vladimir Putin<\/strong><\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>As observa\u00e7\u00f5es de Vladimir Putin na 11\u00aa reuni\u00e3o do Clube de Discuss\u00e3o Internacional Valdai valem mais do que um link de Internet na minha mais recente coluna. Estes s\u00e3o os coment\u00e1rios de um l\u00edder pol\u00edtico humanit\u00e1rio, tal qual o mundo n\u00e3o tem visto em toda a minha vida. Compare Putin aos corruptos criminosos de guerra na Casa Branca ou com os seus fantoches que est\u00e3o no poder na Alemanha, no Reino Unido, na Fran\u00e7a, no Jap\u00e3o, no Canad\u00e1, na Austr\u00e1lia, e voc\u00ea vai ver a diferen\u00e7a entre um bando de criminosos e um l\u00edder lutando por um mundo humano e habit\u00e1vel em que sejam respeitados os interesses de todos os povos.<\/p>\n<p>Em uma sociedade ocidental s\u00e3, as declara\u00e7\u00f5es de Putin teriam sido reproduzidas na \u00edntegra e debates seriam organizados <!--more-->com as observa\u00e7\u00f5es de especialistas, como Stephen F. Cohen. Os coros de aprova\u00e7\u00e3o teriam sido ouvidos na televis\u00e3o e lidos na m\u00eddia impressa. Mas, \u00e9 claro, nada disso \u00e9 poss\u00edvel em um pa\u00eds cujos governantes afirmam que esse mesmo pa\u00eds \u00e9 &#8220;excepcional&#8221; e &#8220;indispens\u00e1vel&#8221; com um direito extra-judicial de supremacia sobre o mundo. Na medida em que Washington e os seus meios de comunica\u00e7\u00e3o social prostitu\u00eddos est\u00e3o interessados, meios de comunica\u00e7\u00e3o esses chamados de imprensa prostituta ou &#8220;presstitutes&#8221; (uma forma de jun\u00e7\u00e3o das palavras imprensa e prostituta em ingl\u00eas) pelo especialista em tend\u00eancias, Gerald Celente, onde para essa m\u00eddia n\u00e3o h\u00e1 um pa\u00eds que importe, com exce\u00e7\u00e3o do governo dos EUA. &#8220;Ou voc\u00eas est\u00e3o com os EUA ou contra os EUA&#8221;, o que significa, &#8220;voc\u00eas s\u00e3o vassalos dos EUA ou inimigos dos EUA&#8221;. Isso significa que o governo dos EUA declarou a R\u00fassia, a China, a \u00cdndia, o Brasil e outras partes da Am\u00e9rica do Sul, o Ir\u00e3 e a \u00c1frica do Sul como sendo inimigos.<\/p>\n<p>Esta \u00e9 uma grande parte do mundo para um pa\u00eds em fal\u00eancia, odiado por suas popula\u00e7\u00f5es vassalas e muitos de seus pr\u00f3prios s\u00faditos, que n\u00e3o ganhou a guerra, uma vez que derrotou o min\u00fasculo Jap\u00e3o em 1945 pelo uso de armas nucleares, o \u00fanico uso dessas armas terr\u00edveis na hist\u00f3ria do mundo.<\/p>\n<p>Como americano, tente imaginar qualquer pol\u00edtico americano conhecido, ou por sinal, qualquer professor das grandes universidades de Harvard, Princeton, Yale ou Stanford que seja capaz de se dirigir a um grupo de discuss\u00e3o educado com a qualidade das observa\u00e7\u00f5es de Putin. Tente encontrar qualquer pol\u00edtico americano capaz de responder de forma precisa e direta \u00e0s perguntas ao inv\u00e9s de fazer uso de evasivas.<\/p>\n<p>Ningu\u00e9m pode ler as observa\u00e7\u00f5es de Putin sem concluir que Putin \u00e9 o l\u00edder do mundo.<\/p>\n<p>Na minha opini\u00e3o, Putin \u00e9 uma figura imponente que o governo americano marcou para ser assassinado. A CIA vai usar algum terrorista mu\u00e7ulmano que a CIA apoia dentro da R\u00fassia. Ao contr\u00e1rio de um presidente americano, que n\u00e3o se atreve a andar entre as pessoas abertamente, Putin n\u00e3o se mant\u00e9m distante do povo. Putin est\u00e1 \u00e0 vontade com o povo russo e se mistura entre eles. Isso faz dele um alvo f\u00e1cil para a CIA usar um terrorista da Chech\u00eania, um homem-bomba isl\u00e2mico ou de algum &#8220;louco solit\u00e1rio&#8221; tradicional para assassinar Putin.<\/p>\n<p>O Ocidente imoral, mau e decadente \u00e9 incapaz de produzir uma lideran\u00e7a da qualidade de Putin. J\u00e1 tendo difamado Putin, assassin\u00e1-lo resultar\u00e1 em poucos coment\u00e1rios na m\u00eddia ocidental.<\/p>\n<p>Eis as not\u00e1veis observa\u00e7\u00f5es de Putin:<\/p>\n<p>Reuni\u00e3o do Clube de Discuss\u00e3o Internacional Valdai em 24 de outubro de 2014, em Sochi<\/p>\n<p>Vladimir Putin participou da reuni\u00e3o plen\u00e1ria final da sess\u00e3o XI do Clube de Discuss\u00e3o Internacional Valdai. O tema do encontro \u00e9 a Ordem Mundial: Novas Regras ou um Jogo Sem Regras. Neste ano, 108 especialistas, historiadores e analistas pol\u00edticos de 25 pa\u00edses, incluindo 62 participantes estrangeiros, participaram dos trabalhos do clube.<\/p>\n<p>A reuni\u00e3o plen\u00e1ria resumiu o trabalho do clube nos \u00faltimos tr\u00eas dias, que se concentraram em analisar os fatores que est\u00e3o corroendo o atual sistema de institui\u00e7\u00f5es e as normas do direito internacional.<\/p>\n<h2>DISCURSO DO PRESIDENTE DA R\u00daSSIA, VLADIMIR PUTIN:<\/h2>\n<p>Colegas, senhoras e senhores, amigos, \u00e9 um prazer receb\u00ea-los para a reuni\u00e3o XI do Clube de Discuss\u00e3o Internacional Valdai.<\/p>\n<p>Foi mencionado que o clube tem novos co-organizadores este ano. Elas incluem as organiza\u00e7\u00f5es n\u00e3o-governamentais russas, grupos de especialistas e as melhores universidades. Foi, tamb\u00e9m, levantada a ideia de ampliar as discuss\u00f5es para incluir n\u00e3o apenas as quest\u00f5es relacionadas com a pr\u00f3pria R\u00fassia, mas tamb\u00e9m a pol\u00edtica mundial e a economia.<\/p>\n<p>A organiza\u00e7\u00e3o e o conte\u00fado v\u00e3o refor\u00e7ar a influ\u00eancia do clube como um importante f\u00f3rum de discuss\u00e3o e de especialistas. Ao mesmo tempo, espero que o \u2018esp\u00edrito de Valdai\u2019 permane\u00e7a \u2014 essa atmosfera livre e aberta e com a chance de expressar todos os tipos de opini\u00f5es muito diferentes e francas.<\/p>\n<p>Deixe-me dizer a este respeito que eu tamb\u00e9m n\u00e3o vou desapontar voc\u00eas e vou falar diretamente e com franqueza. Algumas das coisas que eu disser podem parecer um pouco duras demais, mas se n\u00f3s n\u00e3o falarmos diretamente e honestamente sobre o que realmente pensamos, ent\u00e3o n\u00e3o vale a pena nos reunirmos desta forma. Seria melhor, neste caso, apenas manter os encontros diplom\u00e1ticos, onde ningu\u00e9m diz nada de verdadeiro sentido e, recordando as palavras de um diplomata famoso, voc\u00ea percebe que os diplomatas t\u00eam l\u00ednguas, mas n\u00e3o para falar a verdade. Ficamos juntos por outras raz\u00f5es. N\u00f3s nos reunimos assim para falarmos francamente um com o outro. Precisamos ser diretos e francos, hoje, n\u00e3o para trocarmos farpas, mas a fim de tentar chegar ao fundo do que est\u00e1 realmente acontecendo no mundo, tentar entender por que o mundo est\u00e1 se tornando menos seguro e mais imprevis\u00edvel e por que os riscos est\u00e3o aumentando em todos os lugares \u00e0 nossa volta. A discuss\u00e3o de hoje tomou lugar sob o tema: Novas Regras ou um Jogo Sem Regras. Eu acho que essa f\u00f3rmula descreve com precis\u00e3o o ponto de virada hist\u00f3rico a que chegamos hoje e a escolha que todos n\u00f3s enfrentamos. Naturalmente, n\u00e3o h\u00e1 nada de novo na id\u00e9ia de que o mundo est\u00e1 mudando muito r\u00e1pido. Eu sei que isso \u00e9 algo que voc\u00eas t\u00eam comentado nas discuss\u00f5es de hoje. Certamente \u00e9 dif\u00edcil n\u00e3o notar as transforma\u00e7\u00f5es dram\u00e1ticas na pol\u00edtica mundial e na economia, na vida p\u00fablica e na ind\u00fastria, nas tecnologias de informa\u00e7\u00e3o e sociais.<\/p>\n<p>Deixe-me perguntar-lhes agora e pe\u00e7o que me perdoem se eu acabar repetindo o que alguns dos participantes da discuss\u00e3o j\u00e1 disseram. \u00c9 praticamente imposs\u00edvel evitar. Voc\u00eas j\u00e1 realizaram discuss\u00f5es detalhadas, mas vou definir o meu ponto de vista. Ele vai coincidir com a opini\u00e3o dos outros participantes em alguns pontos e divergir em outros.<\/p>\n<p>Ao analisar a situa\u00e7\u00e3o de hoje, n\u00e3o esque\u00e7amos as li\u00e7\u00f5es da hist\u00f3ria. Primeiramente, as mudan\u00e7as na ordem mundial \u2014 e o que estamos vendo hoje s\u00e3o eventos nessa escala \u2014 t\u00eam geralmente sido acompanhadas, se n\u00e3o de uma guerra e conflitos mundiais, por uma cadeia de intensos conflitos em n\u00edvel local. Em segundo lugar, a pol\u00edtica global \u00e9, acima de tudo, sobre a lideran\u00e7a econ\u00f4mica, quest\u00f5es de guerra e paz e a dimens\u00e3o humanit\u00e1ria, incluindo os direitos humanos.<\/p>\n<p>O mundo est\u00e1 cheio de contradi\u00e7\u00f5es hoje. Precisamos ser francos em perguntar uns aos outros se temos uma rede de seguran\u00e7a confi\u00e1vel funcionando direito. Infelizmente, n\u00e3o h\u00e1 nenhuma garantia e n\u00e3o h\u00e1 certeza de que o atual sistema de seguran\u00e7a global e regional \u00e9 capaz de nos proteger de convuls\u00f5es. Esse sistema tornou-se seriamente enfraquecido, fragmentado e deformado. As organiza\u00e7\u00f5es de coopera\u00e7\u00e3o internacional e regional pol\u00edticas, econ\u00f4micas e culturais tamb\u00e9m est\u00e3o passando por momentos dif\u00edceis.<\/p>\n<p>Sim, muitos dos mecanismos que temos para garantir a ordem mundial foram criados muito tempo atr\u00e1s, inclusive e, sobretudo, no per\u00edodo imediatamente ap\u00f3s a Segunda Guerra Mundial. Deixe-me enfatizar que a solidez do sistema criado naquela \u00e9poca n\u00e3o repousou apenas no equil\u00edbrio de poder e os direitos dos pa\u00edses vencedores, mas no fato de que &#8220;os pais fundadores&#8221; desse sistema tiveram respeito um pelo outro, n\u00e3o tentaram colocar press\u00e3o sobre os outros, mas procuraram chegar a acordos.<\/p>\n<p>A principal coisa \u00e9 que este sistema necessita se desenvolver, e apesar de suas v\u00e1rias defici\u00eancias, precisa pelo menos ser capaz de manter os problemas atuais do mundo dentro de certos limites e regular a intensidade da concorr\u00eancia natural entre os pa\u00edses.<\/p>\n<p>\u00c9 minha convic\u00e7\u00e3o de que n\u00e3o poder\u00edamos tomar este mecanismo de freios e contrapesos que constru\u00edmos ao longo das \u00faltimas d\u00e9cadas, \u00e0s vezes com tal esfor\u00e7o e dificuldade, e simplesmente acabar com eles sem construir qualquer coisa em seu lugar. Caso contr\u00e1rio, ficar\u00edamos sem nenhum outro instrumento al\u00e9m da for\u00e7a bruta.<\/p>\n<p>O que precis\u00e1vamos fazer era realizar uma reconstru\u00e7\u00e3o racional e adapt\u00e1-la \u00e0s novas realidades no sistema das rela\u00e7\u00f5es internacionais.<\/p>\n<p>Mas os Estados Unidos, tendo se declarado o vencedor da Guerra Fria, n\u00e3o v\u00ea necessidade para isso. Em vez de estabelecer um novo equil\u00edbrio de poder, essencial para a manuten\u00e7\u00e3o da ordem e da estabilidade, eles tomaram medidas que jogaram o sistema em um desequil\u00edbrio agudo e profundo.<\/p>\n<p>A Guerra Fria terminou, mas n\u00e3o terminou com a assinatura de um tratado de paz com acordos claros e transparentes no respeito das regras existentes ou na cria\u00e7\u00e3o de novas regras e normas. Isso criou a impress\u00e3o de que os chamados \u2018vencedores\u2019 na Guerra Fria tenham decidido pressionar eventos e mudar o mundo para atender \u00e0s suas pr\u00f3prias necessidades e interesses. Se o atual sistema de rela\u00e7\u00f5es internacionais, as leis internacionais e os freios e contrapesos no lugar ficaram no caminho desses objetivos, esse sistema foi declarado sem valor, desatualizado e em necessidad de demoli\u00e7\u00e3o imediata. Perdoe a analogia, mas esta \u00e9 a maneira que os novos ricos se comportam quando, de repente, acabam ficando com uma grande fortuna, neste caso, na forma de lideran\u00e7a mundial e domina\u00e7\u00e3o. Em vez de gerenciarem suas riquezas sabiamente, para seu pr\u00f3prio benef\u00edcio tamb\u00e9m, \u00e9 claro, eu acho que eles cometeram muitas tolices.<\/p>\n<p><strong>Entramos em um per\u00edodo de interpreta\u00e7\u00f5es divergentes e de sil\u00eancios deliberados na pol\u00edtica mundial. O direito internacional foi for\u00e7ado a recuar mais e mais pelo ataque do niilismo legal. A objetividade e a justi\u00e7a foram sacrificadas no altar da conveni\u00eancia pol\u00edtica. As interpreta\u00e7\u00f5es arbitr\u00e1rias e as avalia\u00e7\u00f5es tendenciosas substitu\u00edram as normas legais. Ao mesmo tempo, o controle total da m\u00eddia global de massa tornou poss\u00edvel, quando desejado, retratar o branco como preto e o preto como branco.<\/strong><\/p>\n<p>Em uma situa\u00e7\u00e3o onde voc\u00ea teve a domina\u00e7\u00e3o de um pa\u00eds e de seus aliados, ou de seus sat\u00e9lites, a busca de solu\u00e7\u00f5es globais, muitas vezes, se transformou em uma tentativa de impor as suas pr\u00f3prias receitas universais. As ambi\u00e7\u00f5es desse grupo cresceram tanto que come\u00e7aram a apresentar as pol\u00edticas que formaram nos seus corredores de poder como a vis\u00e3o de toda a comunidade internacional. Mas este n\u00e3o \u00e9 o caso.<\/p>\n<p>A pr\u00f3pria no\u00e7\u00e3o de &#8220;soberania nacional&#8221; tornou-se um valor relativo para a maioria dos pa\u00edses. Em ess\u00eancia, o que estava sendo proposto foi a f\u00f3rmula: <strong>quanto maior a lealdade para com o centro de poder \u00fanico do mundo, maior a legitimidade deste ou daquele regime governante<\/strong>.<\/p>\n<p>Vamos ter uma discuss\u00e3o livre depois e eu estarei feliz em responder suas perguntas e tamb\u00e9m gostaria de usar o meu direito de fazer-lhe perguntas. Deixe algu\u00e9m tentar refutar os argumentos que eu simplesmente vou fazer durante a pr\u00f3xima discuss\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>As medidas tomadas contra aqueles que se recusam a se submeter s\u00e3o bem conhecidas e t\u00eam sido experimentadas e testadas muitas vezes. Elas incluem o uso da for\u00e7a, a press\u00e3o econ\u00f4mica e de propaganda, a inger\u00eancia nos assuntos internos, e apela para uma esp\u00e9cie de legitimidade &#8220;supra-legal&#8221; quando eles precisam justificar a interven\u00e7\u00e3o ilegal neste ou naquele conflito ou derrubar regimes inconvenientes. Recentemente, temos cada vez mais evid\u00eancias de que a chantagem, pura e simples, tem sido usada com rela\u00e7\u00e3o a uma s\u00e9rie de l\u00edderes. N\u00e3o \u00e9 \u00e0 toa que o &#8220;big brother&#8221; est\u00e1 gastando bilh\u00f5es de d\u00f3lares para manter o mundo todo, incluindo seus pr\u00f3prios aliados mais pr\u00f3ximos, sob vigil\u00e2ncia.<\/strong><\/p>\n<p>Vamos nos perguntar qu\u00e3o confort\u00e1veis estamos com isso, o qu\u00e3o seguros estamos n\u00f3s, o qu\u00e3o felizes estamos vivendo neste mundo e qu\u00e3o justo e racional que ele se tornou? Ser\u00e1 que n\u00e3o temos motivos reais para nos preocuparmos, discutirmos e fazermos perguntas embara\u00e7osas? <strong>Ser\u00e1 que a posi\u00e7\u00e3o excepcional dos Estados Unidos e a forma como exercem a sua lideran\u00e7a realmente \u00e9 uma b\u00ean\u00e7\u00e3o para todos n\u00f3s, e a sua intromiss\u00e3o em eventos em todo o mundo est\u00e1 trazendo a paz, a prosperidade, o progresso, o crescimento e a democracia, e devemos talvez apenas relaxar e desfrutar de tudo isso?<\/strong><\/p>\n<p>Deixe-me dizer que este n\u00e3o \u00e9 o caso, absolutamente n\u00e3o \u00e9 o caso.<\/p>\n<p><strong>Uma ditadura unilateral e a imposi\u00e7\u00e3o de seus pr\u00f3prios modelos produz o resultado oposto. Em vez de resolver os conflitos, ela leva \u00e0 sua progress\u00e3o, em vez de Estados soberanos e est\u00e1veis, vemos a crescente dissemina\u00e7\u00e3o do caos e, em vez da democracia h\u00e1 o apoio de um p\u00fablico muito duvidoso, que vai desde neo-fascistas declarados at\u00e9 radicais isl\u00e2micos.<\/strong><\/p>\n<p><strong>Por que eles apoiam essas pessoas? Eles fazem isso porque eles decidem us\u00e1-los como instrumentos ao longo do caminho para alcan\u00e7ar aos seus objetivos<\/strong>, mas, em seguida, queimar\u00e3o seus dedos e lhes dar\u00e3o coices. Eu nunca paro de me surpreender pela maneira que os nossos parceiros apenas continuam pisando no mesmo ancinho, como dizemos aqui na R\u00fassia, ou seja, cometem o mesmo erro vez ap\u00f3s vez.<\/p>\n<p><strong>No passado, eles apoiavam os movimentos extremistas isl\u00e2micos para lutarem contra a Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica. Esses grupos t\u00eam a sua experi\u00eancia de batalha no Afeganist\u00e3o e mais tarde deram origem ao Talib\u00e3 e \u00e0 al-Qaeda. O Ocidente, se n\u00e3o os apoiou, pelo menos, fechou seus olhos, e, eu diria, deu informa\u00e7\u00f5es, apoio pol\u00edtico e financeiro \u00e0 invas\u00e3o da R\u00fassia por \u201cterroristas\u201d internacionais (n\u00f3s n\u00e3o esquecemos isso) e pelos pa\u00edses da regi\u00e3o da \u00c1sia Central. Somente ap\u00f3s os ataques terroristas terr\u00edveis que foram cometidos no pr\u00f3prio solo americano, os Estados Unidos acordaram para a amea\u00e7a comum do terrorismo. Deixe-me lembrar-lhe que fomos o primeiro pa\u00eds a apoiar o povo americano na \u00e9poca, o primeiro a reagir como amigos e parceiros sobre a terr\u00edvel trag\u00e9dia de 11 de setembro.<\/strong><\/p>\n<p>Durante as minhas conversas com l\u00edderes americanos e europeus, eu sempre falei sobre a necessidade de combater o terrorismo em conjunto, como um desafio em uma escala mundial. N\u00e3o podemos nos resignar e aceitar essa amea\u00e7a, n\u00e3o se pode cort\u00e1-la em peda\u00e7os separados usando padr\u00f5es d\u00fabios. Nossos parceiros expressaram um acordo m\u00fatuo, mas um pouco de tempo se passou e n\u00f3s acabamos de volta aonde come\u00e7amos. Primeiro foi a opera\u00e7\u00e3o militar no Iraque, em seguida, na L\u00edbia, que foi for\u00e7ada ao ponto de deteriora\u00e7\u00e3o. Por que a L\u00edbia foi empurrada para essa situa\u00e7\u00e3o? Hoje \u00e9 um pa\u00eds em perigo de desintegra\u00e7\u00e3o e tornou-se um campo de treinamento de terroristas.<\/p>\n<p><strong>Apenas a atual determina\u00e7\u00e3o e sabedoria da lideran\u00e7a eg\u00edpcia salvou este importante pa\u00eds \u00e1rabe do caos e de terem extremistas agindo de forma desenfreada. Na S\u00edria, tal como no passado, os Estados Unidos e seus aliados come\u00e7aram a financiar diretamente e armar os rebeldes permitindo-lhes preencherem as suas fileiras com mercen\u00e1rios de v\u00e1rios pa\u00edses. Deixe-me perguntar de onde \u00e9 que estes rebeldes receberam o seu dinheiro, armas e especialistas militares? De onde \u00e9 que tudo isto vem? Como o not\u00f3rio ISIL [Estado Isl\u00e2mico] conseguiu tornar-se um grupo t\u00e3o poderoso, essencialmente, uma for\u00e7a armada real? Assim como a fontes de financiamento, hoje, o dinheiro \u00e9 proveniente n\u00e3o apenas de drogas, cuja produ\u00e7\u00e3o n\u00e3o aumentou apenas em alguns pontos percentuais, mas muitas vezes, desde que as for\u00e7as da coaliz\u00e3o internacional estiveram presentes no Afeganist\u00e3o. Voc\u00eas est\u00e3o cientes disto. Os terroristas est\u00e3o recebendo o dinheiro da venda de petr\u00f3leo tamb\u00e9m. O petr\u00f3leo \u00e9 produzido em territ\u00f3rio controlado pelos terroristas, que o vendem a pre\u00e7os muito abaixo do pre\u00e7o de mercado, o produzem e o transportam. Mas algu\u00e9m compra esse petr\u00f3leo, revende-o e lucra com isso, n\u00e3o pensam sobre o fato de que eles est\u00e3o financiando assim os terroristas que poderiam vir, mais cedo ou mais tarde, para seu pr\u00f3prio solo e semear a destrui\u00e7\u00e3o em seus pr\u00f3prios pa\u00edses.<\/strong><\/p>\n<p>De onde eles conseguem novos recrutas? No Iraque, depois que Saddam Hussein foi derrubado, as institui\u00e7\u00f5es do Estado, incluindo o ex\u00e9rcito, ficaram em ru\u00ednas. N\u00f3s dissemos na \u00e9poca, tenha muito, muito cuidado. Voc\u00eas est\u00e3o dirigindo as pessoas para as ruas e o que elas v\u00e3o fazer l\u00e1? N\u00e3o se esque\u00e7am (legitimamente ou n\u00e3o) de que elas estavam na lideran\u00e7a de uma grande pot\u00eancia regional, e agora no que os transformaram?<\/p>\n<p>Qual foi o resultado? Dezenas de milhares de soldados, policiais e ex-militantes do Partido Baath foram levados para as ruas e hoje se juntaram \u00e0s fileiras dos rebeldes. Talvez isso explique por que o grupo Estado Isl\u00e2mico acabou sendo t\u00e3o eficaz? Em termos militares, ele est\u00e1 agindo de forma muito eficaz e tem algumas pessoas muito profissionais. <strong>A R\u00fassia advertiu, repetidamente, sobre os perigos das a\u00e7\u00f5es militares unilaterais, intervindo nos assuntos internos de Estados soberanos e flertando com extremistas e radicais. N\u00f3s insistimos em ter os grupos que lutam contra o governo s\u00edrio central, acima de tudo, o Estado Isl\u00e2mico, inclu\u00eddo nas listas de organiza\u00e7\u00f5es terroristas. Mas ser\u00e1 que vimos algum resultado? Recorremos em v\u00e3o<\/strong>.<\/p>\n<p><strong>N\u00f3s, \u00e0s vezes, temos a impress\u00e3o de que os nossos colegas e amigos est\u00e3o lutando constantemente as conseq\u00fc\u00eancias de suas pr\u00f3prias pol\u00edticas, jogam todo o seu esfor\u00e7o em enfrentar os riscos que eles pr\u00f3prios criaram, e pagam um pre\u00e7o cada vez maior.<\/strong><\/p>\n<p>Colegas, este per\u00edodo de domina\u00e7\u00e3o unipolar demonstrou de forma convincente que ter apenas um centro de poder n\u00e3o faz os processos globais mais gerenci\u00e1veis. Pelo contr\u00e1rio, este tipo de constru\u00e7\u00e3o inst\u00e1vel demonstrou sua incapacidade para combater as amea\u00e7as reais, como os conflitos regionais, o terrorismo, o tr\u00e1fico de drogas, o fanatismo religioso, o chauvinismo e o neo-nazismo. Ao mesmo tempo, ele abriu um largo caminho para o orgulho nacional inflado, a manipula\u00e7\u00e3o da opini\u00e3o p\u00fablica e deixando o forte intimidar e reprimir ao fraco.<\/p>\n<p>Essencialmente, o mundo unipolar \u00e9 simplesmente um meio de justificar a ditadura sobre as pessoas e os pa\u00edses. O mundo unipolar acabou por se tornar muito desconfort\u00e1vel, pesado e incontrol\u00e1vel, um fardo, mesmo para o l\u00edder auto-proclamado. Coment\u00e1rios nesta mesma linha foram feitos aqui antes e eu concordo plenamente com isso. \u00c9 por isso que vemos tentativas nesta nova etapa hist\u00f3rica para recriar a apar\u00eancia de um mundo quase bipolar, como um modelo conveniente para perpetuar a lideran\u00e7a americana. N\u00e3o importa quem tome o lugar do centro do mal na propaganda americana, o antigo lugar da URSS, como o principal advers\u00e1rio. Poderia ser o Ir\u00e3, como um pa\u00eds que pretende adquirir tecnologia nuclear, a China como a maior economia do mundo ou a R\u00fassia, como uma superpot\u00eancia nuclear.<\/p>\n<p>Hoje, estamos vendo novos esfor\u00e7os para fragmentar o mundo, desenhar novas linhas divis\u00f3rias, colocando juntas coliga\u00e7\u00f5es constru\u00eddas n\u00e3o para coisa alguma, mas contra algu\u00e9m, qualquer um, criam a imagem de um inimigo, como foi o caso durante os anos da Guerra Fria, e obt\u00eam o direito a essa lideran\u00e7a, ou ditadura, se desejar. A situa\u00e7\u00e3o foi apresentada desta forma durante a Guerra Fria. Todos n\u00f3s entendemos isso e sabemos disso. Os Estados Unidos sempre disseram aos seus aliados: &#8220;<strong>N\u00f3s temos um inimigo comum, um inimigo terr\u00edvel, o centro do mal, e estamos aqui para defender voc\u00eas, nossos aliados, deste inimigo, e por isso temos o direito de mandarmos em toda a parte, for\u00e7\u00e1-los a sacrificarem os seus interesses pol\u00edticos e econ\u00f4micos e pagarem a sua parte dos custos para esta defesa coletiva, mas vamos ser os \u00fanicos respons\u00e1veis por tudo isso, \u00e9 claro<\/strong>&#8220;. Em suma, vemos hoje tentativas em um mundo novo e que est\u00e1 mudando para reproduzir os modelos familiares de gest\u00e3o global, e tudo isso, de modo a garantir a posi\u00e7\u00e3o excepcional dos EUA e colher os dividendos pol\u00edticos e econ\u00f4micos.<\/p>\n<p>Mas estas tentativas est\u00e3o cada vez mais divorciadas da realidade e est\u00e3o em contradi\u00e7\u00e3o com a diversidade do mundo. Passos deste tipo inevitavelmente criam confrontos e contramedidas e t\u00eam o efeito oposto aos objetivos esperados. N\u00f3s vemos o que acontece quando a pol\u00edtica, precipitadamente, come\u00e7a a se intrometer na economia e na l\u00f3gica das decis\u00f5es racionais e d\u00e1 lugar \u00e0 l\u00f3gica do confronto que s\u00f3 ir\u00e1 prejudicar as suas pr\u00f3prias posi\u00e7\u00f5es e interesses econ\u00f4micos, incluindo os interesses das empresas nacionais.<\/p>\n<p>Os projetos econ\u00f4micos conjuntos e os investimentos m\u00fatuos objetivam-se a aproximar os pa\u00edses e a ajudar a suavizar os problemas atuais nas rela\u00e7\u00f5es entre os Estados. Mas hoje, a comunidade empresarial global enfrenta uma press\u00e3o sem precedentes dos governos ocidentais. Que neg\u00f3cio, oportunidade econ\u00f4mica e pragmatismo, de que podemos falar quando ouvimos palavras de ordem como &#8220;a p\u00e1tria est\u00e1 em perigo&#8221;, &#8220;o mundo livre est\u00e1 sob amea\u00e7a&#8221; e &#8220;a democracia est\u00e1 em perigo&#8221;? Dessa forma todo mundo precisa se mobilizar. Isto \u00e9 o que uma pol\u00edtica verdadeira de mobiliza\u00e7\u00e3o se parece.<\/p>\n<p>San\u00e7\u00f5es j\u00e1 est\u00e3o a minar as bases do com\u00e9rcio mundial, as regras da OMC e o princ\u00edpio da inviolabilidade da propriedade privada. Eles est\u00e3o lidando com um duro golpe para o modelo neoliberal de globaliza\u00e7\u00e3o com base em mercados, \u00e0 liberdade e \u00e0 concorr\u00eancia, o que, deixe-me notar, \u00e9 um modelo que tem beneficiado principalmente e precisamente os pa\u00edses ocidentais. E agora eles correm o risco de perderem a confian\u00e7a como os l\u00edderes da globaliza\u00e7\u00e3o. Temos que nos perguntar, por que isso era necess\u00e1rio? Afinal de contas, a prosperidade dos Estados Unidos repousa em grande parte na confian\u00e7a dos investidores e detentores de d\u00f3lares e dos t\u00edtulos norte-americanos. Essa confian\u00e7a est\u00e1 claramente sendo minada e os sinais de decep\u00e7\u00e3o com os frutos da globaliza\u00e7\u00e3o s\u00e3o vis\u00edveis agora em muitos pa\u00edses. O bem conhecido precedente de Chipre e as san\u00e7\u00f5es politicamente motivadas apenas fortaleceram a tend\u00eancia de tentar refor\u00e7ar a soberania econ\u00f4mica e financeira dos pa\u00edses ou dos seus grupos regionais no desejo de encontrarem formas de se protegerem contra os riscos de press\u00e3o externa. <strong>N\u00f3s j\u00e1 vemos que cada vez mais pa\u00edses est\u00e3o procurando maneiras de tornarem-se menos dependentes do d\u00f3lar e est\u00e3o criando sistemas financeiros alternativos de pagamentos e de moedas de reserva. Eu acho que os nossos amigos americanos est\u00e3o, pura e simplesmente, cortando o galho em que eles est\u00e3o sentados. Voc\u00ea n\u00e3o podem misturar a pol\u00edtica e a economia, mas isso \u00e9 o que est\u00e1 acontecendo agora<\/strong>. Eu sempre pensei, e ainda penso hoje, que as san\u00e7\u00f5es politicamente motivadas foram um erro que v\u00e3o prejudicar a todos, mas tenho a certeza de que vamos voltar a este assunto mais tarde.<\/p>\n<p>Sabemos como estas decis\u00f5es foram tomadas e quem estava aplicando a press\u00e3o. Mas deixe-me salientar que a R\u00fassia n\u00e3o vai ficar sobressaltada, ofendida ou ir\u00e1 implorar \u00e0 porta de ningu\u00e9m. A R\u00fassia \u00e9 um pa\u00eds autossuficiente. Vamos trabalhar dentro do ambiente econ\u00f4mico externo que tem tomado forma, desenvolver a produ\u00e7\u00e3o e a tecnologia nacional e agir com mais determina\u00e7\u00e3o para realizar a transforma\u00e7\u00e3o. A press\u00e3o de fora, como tem sido o caso em ocasi\u00f5es anteriores, s\u00f3 vai consolidar a nossa sociedade, nos manter alerta e fazer-nos concentrar em nossas principais metas de desenvolvimento.<\/p>\n<p>\u00c9 claro que as san\u00e7\u00f5es s\u00e3o um obst\u00e1culo. Eles est\u00e3o tentando nos machucar atrav\u00e9s dessas san\u00e7\u00f5es, bloquear o nosso desenvolvimento e nos empurrar para o isolamento pol\u00edtico, econ\u00f4mico e cultural, for\u00e7ar-nos ao atraso em outras palavras. Mas deixe-me dizer mais uma vez que o mundo \u00e9 um lugar muito diferente hoje. N\u00f3s n\u00e3o temos nenhuma inten\u00e7\u00e3o de nos fecharmos para qualquer um e escolher algum tipo de caminho de desenvolvimento fechado, tentando viver em uma autarquia. Estamos sempre abertos ao di\u00e1logo, inclusive em normalizar nossas rela\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas e pol\u00edticas. Contamos aqui com a abordagem pragm\u00e1tica e a posi\u00e7\u00e3o das comunidades de neg\u00f3cios nos pa\u00edses l\u00edderes.<\/p>\n<p>Alguns est\u00e3o dizendo hoje que a R\u00fassia est\u00e1 supostamente virando as costas \u00e0 Europa \u2014 tais palavras foram provavelmente faladas aqui tamb\u00e9m durante as discuss\u00f5es \u2014 e est\u00e1 \u00e0 procura de novos parceiros de neg\u00f3cios, sobretudo na \u00c1sia. Deixe-me dizer que este n\u00e3o \u00e9 absolutamente o caso. Nossa pol\u00edtica ativa na regi\u00e3o da \u00c1sia-Pac\u00edfico n\u00e3o come\u00e7ou ontem e n\u00e3o em resposta a san\u00e7\u00f5es, mas \u00e9 uma pol\u00edtica que estamos seguindo por muitos anos. Como muitos outros pa\u00edses, incluindo os pa\u00edses ocidentais, vimos que a \u00c1sia est\u00e1 desempenhando um papel cada vez maior no mundo, na economia e na pol\u00edtica e simplesmente n\u00e3o tem como nos darmos ao luxo de ignorar estes desenvolvimentos.<\/p>\n<p>Deixe-me dizer, mais uma vez, que todo mundo est\u00e1 fazendo isso, e vamos faz\u00ea-lo tamb\u00e9m, al\u00e9m do mais, uma grande parte do nosso pa\u00eds est\u00e1 geograficamente na \u00c1sia. Por que n\u00e3o devemos fazer uso das nossas vantagens competitivas nessa \u00e1rea? Seria extremamente m\u00edope n\u00e3o faz\u00ea-lo.<\/p>\n<p>O desenvolvimento dos la\u00e7os econ\u00f4micos com esses pa\u00edses e a execu\u00e7\u00e3o de projetos de integra\u00e7\u00e3o conjuntos tamb\u00e9m criam grandes incentivos para o nosso desenvolvimento interno. As tend\u00eancias demogr\u00e1ficas, econ\u00f4micas e culturais de hoje, sugerem todas, que a depend\u00eancia de uma \u00fanica superpot\u00eancia vai objetivamente diminuir. Isso \u00e9 algo que os especialistas europeus e americanos t\u00eam falado e escrito tamb\u00e9m. Talvez os desenvolvimentos na pol\u00edtica global ir\u00e3o espelhar os desenvolvimentos que estamos vendo na economia global, ou seja, a concorr\u00eancia intensiva por nichos espec\u00edficos e as mudan\u00e7as frequentes de l\u00edderes em \u00e1reas espec\u00edficas. Isso \u00e9 perfeitamente poss\u00edvel.<\/p>\n<p>N\u00e3o h\u00e1 d\u00favida de que os fatores humanit\u00e1rios, tais como educa\u00e7\u00e3o, ci\u00eancia, sa\u00fade e cultura est\u00e3o desempenhando um papel mais importante na competi\u00e7\u00e3o global. Isso tamb\u00e9m tem um grande impacto sobre as rela\u00e7\u00f5es internacionais, inclusive porque esse recurso de &#8220;poder suave&#8221; depender\u00e1, em grande medida, de conquistas reais no desenvolvimento do capital humano, em vez de truques sofisticados de propaganda. Ao mesmo tempo, a forma\u00e7\u00e3o de um chamado, mundo polic\u00eantrico (eu tamb\u00e9m gostaria de chamar a aten\u00e7\u00e3o para isso, colegas), por si s\u00f3 n\u00e3o melhora a estabilidade; na verdade, \u00e9 mais prov\u00e1vel que seja o oposto. A meta de atingir o equil\u00edbrio global est\u00e1 se transformando em um quebra-cabe\u00e7a bastante dif\u00edcil, uma equa\u00e7\u00e3o com muitas inc\u00f3gnitas.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, o que nos aguarda, se n\u00f3s escolhemos n\u00e3o viver pelas regras \u2014 mesmo que possam ser rigorosas e inconvenientes \u2014, mas sim viver sem quaisquer regras? E esse cen\u00e1rio \u00e9 perfeitamente poss\u00edvel; n\u00e3o podemos descart\u00e1-lo, dadas as tens\u00f5es na situa\u00e7\u00e3o global. Muitas previs\u00f5es j\u00e1 podem ser feitas, tendo em conta as tend\u00eancias atuais e, infelizmente, elas n\u00e3o s\u00e3o otimistas. Se n\u00e3o criarmos um sistema claro de compromissos e acordos m\u00fatuos, se n\u00e3o construirmos os mecanismos de gest\u00e3o e resolu\u00e7\u00e3o de situa\u00e7\u00f5es de crise, os sintomas da anarquia mundial inevitavelmente crescer\u00e3o. Hoje, j\u00e1 vemos um forte aumento da probabilidade de ocorr\u00eancia de um conjunto de conflitos violentos com participa\u00e7\u00e3o, seja direta ou indireta, de grandes pot\u00eancias mundiais. E os fatores de risco incluem n\u00e3o apenas os conflitos multinacionais tradicionais, mas tamb\u00e9m a instabilidade interna em Estados separados, especialmente quando falamos de na\u00e7\u00f5es localizadas nas intersec\u00e7\u00f5es dos principais interesses geopol\u00edticos dos Estados, ou nos limites culturais, hist\u00f3ricos e econ\u00f4micos de continentes civilizacionais.<\/p>\n<p>A Ucr\u00e2nia, que eu tenho certeza que foi longamente discutida e que vamos discutir um pouco mais, \u00e9 um dos exemplos de tais tipos de conflitos que afetam o equil\u00edbrio do poder internacional e eu acho que certamente n\u00e3o ser\u00e1 o \u00faltimo. A partir daqui emana a pr\u00f3xima amea\u00e7a real de destruir o atual sistema de acordos de controle de armas. E esse processo perigoso foi lan\u00e7ado pelos Estados Unidos da Am\u00e9rica quando se retirou unilateralmente do Tratado de M\u00edsseis Anti-Bal\u00edsticos, em 2002, e, em seguida, configurar e continuar atualmente em prosseguir ativamente na cria\u00e7\u00e3o de seu sistema de defesa antim\u00edsseis global.<\/p>\n<p>Colegas, amigos, quero salientar que n\u00f3s n\u00e3o come\u00e7amos isso. Mais uma vez, estamos escorregando para os momentos em que, em vez de ser o equil\u00edbrio de interesses e garantias m\u00fatuas, \u00e9 o medo e o saldo da destrui\u00e7\u00e3o m\u00fatua que impedem as na\u00e7\u00f5es de se envolverem em conflitos diretos. Na aus\u00eancia de instrumentos jur\u00eddicos e pol\u00edticos, os armamentos est\u00e3o novamente se tornando o ponto focal da agenda global; eles s\u00e3o usados onde quer que seja e contudo, sem quaisquer san\u00e7\u00f5es do Conselho de Seguran\u00e7a da ONU. E se o Conselho de Seguran\u00e7a se recusa a produzir tais decis\u00f5es, ent\u00e3o ele \u00e9 imediatamente declarado como sendo um instrumento ultrapassado e ineficaz.<\/p>\n<p>Muitas na\u00e7\u00f5es n\u00e3o veem quaisquer outras formas de garantir a sua soberania, que n\u00e3o seja obtendo as suas pr\u00f3prias bombas. Isso \u00e9 extremamente perigoso. N\u00f3s insistimos em negocia\u00e7\u00f5es cont\u00ednuas; n\u00e3o somos apenas a favor de negocia\u00e7\u00f5es, mas insistimos em continuar as negocia\u00e7\u00f5es para reduzir os arsenais nucleares. Quanto menos armas nucleares tivermos no mundo, melhor. E estamos prontos para as mais s\u00e9rias e concretas discuss\u00f5es sobre o desarmamento nuclear \u2014 mas apenas discuss\u00f5es s\u00e9rias, sem quaisquer padr\u00f5es d\u00fabios.<\/p>\n<p>O que quero dizer? Hoje, muitos tipos de armamentos de alta precis\u00e3o j\u00e1 est\u00e3o perto de serem armas de destrui\u00e7\u00e3o em massa em termos de suas capacidades e no caso da ren\u00fancia total das armas nucleares ou da redu\u00e7\u00e3o radical do potencial nuclear, as na\u00e7\u00f5es que s\u00e3o l\u00edderes na cria\u00e7\u00e3o e produ\u00e7\u00e3o de sistemas de alta precis\u00e3o ter\u00e3o uma vantagem militar clara. A paridade estrat\u00e9gica ser\u00e1 interrompida e isso provavelmente trar\u00e1 desestabiliza\u00e7\u00e3o. O uso do, assim chamado, primeiro ataque global preventivo pode tornar-se tentador. Em suma, os riscos n\u00e3o diminuem, mas se intensificam.<\/p>\n<p>A pr\u00f3xima amea\u00e7a \u00f3bvia \u00e9 a nova escalada de conflitos \u00e9tnicos, religiosos e sociais. Tais conflitos s\u00e3o perigosos, n\u00e3o s\u00f3 em si, mas tamb\u00e9m porque eles criam zonas de anarquia, ilegalidade e caos ao seu redor, locais que s\u00e3o confort\u00e1veis para os terroristas e os criminosos, onde a pirataria, o tr\u00e1fico de pessoas e o tr\u00e1fico de drogas florescem.<\/p>\n<p><strong>Ali\u00e1s, no momento, os nossos colegas tentam gerir de alguma forma esses processos, utilizam conflitos regionais e desenham \u2018revolu\u00e7\u00f5es coloridas\u2019 para atender aos seus interesses, mas o g\u00eanio escapou da garrafa. Parece que os pr\u00f3prios pais da teoria do caos controlado n\u00e3o sabem o que fazer com ele; h\u00e1 desordem em suas fileiras.<\/strong><\/p>\n<p>Seguimos de perto as discuss\u00f5es de ambos, tanto pela elite dominante quanto pela comunidade de especialistas. Basta olhar para as manchetes da imprensa ocidental ao longo do \u00faltimo ano. As mesmas pessoas s\u00e3o chamadas de combatentes pela democracia e, em seguida, de isl\u00e2micos; primeiro eles escrevem sobre revolu\u00e7\u00f5es e, em seguida, os chamam de motins e revoltas. O resultado \u00e9 \u00f3bvio: a expans\u00e3o do caos global.<\/p>\n<p>Colegas, dada a situa\u00e7\u00e3o global, \u00e9 hora de come\u00e7ar a chegar a um acordo sobre as coisas fundamentais. Isso \u00e9 extremamente importante e necess\u00e1rio; isso \u00e9 muito melhor do que voltar para os nossos pr\u00f3prios cantos. Quanto mais n\u00f3s enfrentamos problemas comuns, mais nos encontramos no mesmo barco, por assim dizer. E o caminho l\u00f3gico para sair disso est\u00e1 na coopera\u00e7\u00e3o entre as na\u00e7\u00f5es, sociedades, na busca de respostas coletivas aos desafios cada vez maiores, e na gest\u00e3o de risco comum. Reconhe\u00e7o que alguns dos nossos parceiros, por algum motivo, lembram-se disso apenas quando conv\u00e9m aos seus interesses.<\/p>\n<p>A experi\u00eancia pr\u00e1tica mostra que as respostas conjuntas para os desafios nem sempre s\u00e3o uma panaceia; e precisamos entender isso. Al\u00e9m disso, na maioria dos casos, eles s\u00e3o de dif\u00edcil acesso; n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil superar as diferen\u00e7as de interesses nacionais, a subjetividade de diferentes abordagens, especialmente quando se trata de na\u00e7\u00f5es com diferentes tradi\u00e7\u00f5es culturais e hist\u00f3ricas. No entanto, temos exemplos em que, tendo objetivos comuns e agindo com base nos mesmos crit\u00e9rios, juntos, alcan\u00e7aram o sucesso real.<\/p>\n<p>Deixe-me lembr\u00e1-lo sobre como resolver o problema das armas qu\u00edmicas na S\u00edria, assim como o di\u00e1logo substantivo sobre o programa nuclear iraniano, bem como o nosso trabalho sobre as quest\u00f5es da Coreia do Norte, que tamb\u00e9m tem alguns resultados positivos. Por que n\u00e3o podemos usar essa experi\u00eancia no futuro para resolver os desafios locais e globais?<\/p>\n<p>O que poderia ser a base jur\u00eddica, pol\u00edtica e econ\u00f4mica para uma nova ordem mundial que permita a estabilidade e seguran\u00e7a, sem deixar de incentivar a competi\u00e7\u00e3o saud\u00e1vel, n\u00e3o permitindo a forma\u00e7\u00e3o de novos monop\u00f3lios que dificultem o desenvolvimento? \u00c9 improv\u00e1vel que algu\u00e9m poderia fornecer agora solu\u00e7\u00f5es prontas, absolutamente completas. Vamos precisar de um extenso trabalho com a participa\u00e7\u00e3o de uma ampla gama de governos, de empresas globais, da sociedade civil e das tribunas de especialistas, tais como as nossas.<\/p>\n<p>No entanto, \u00e9 \u00f3bvio que o sucesso e os resultados reais s\u00f3 s\u00e3o poss\u00edveis se os participantes principais nos assuntos internacionais puderem concordar com a harmoniza\u00e7\u00e3o de interesses b\u00e1sicos, sobre uma razo\u00e1vel autoconten\u00e7\u00e3o e definir o exemplo de lideran\u00e7a positiva e respons\u00e1vel. Devemos identificar claramente onde as a\u00e7\u00f5es unilaterais acabam e n\u00f3s precisamos aplicar mecanismos multilaterais e, como parte da melhoria da efic\u00e1cia do direito internacional, temos de resolver o dilema entre as a\u00e7\u00f5es pela comunidade internacional para garantir a seguran\u00e7a e os direitos humanos e o princ\u00edpio da soberania nacional e a n\u00e3o-inger\u00eancia nos assuntos internos de qualquer Estado.<\/p>\n<p>Essas mesmas colis\u00f5es cada vez mais levam a uma interfer\u00eancia externa arbitr\u00e1ria nos processos internos complexos e, uma e outra vez, eles provocam conflitos perigosos entre os protagonistas globais principais. A quest\u00e3o da manuten\u00e7\u00e3o da soberania torna-se quase primordial na manuten\u00e7\u00e3o e no refor\u00e7o da estabilidade global.<\/p>\n<p>Claramente, a discuss\u00e3o dos crit\u00e9rios para o uso de for\u00e7a externa \u00e9 extremamente dif\u00edcil; \u00e9 praticamente imposs\u00edvel separ\u00e1-lo dos interesses das na\u00e7\u00f5es em particular. No entanto, \u00e9 muito mais perigoso quando n\u00e3o h\u00e1 acordos que s\u00e3o claros para todos, quando n\u00e3o h\u00e1 condi\u00e7\u00f5es claras definidas para uma interfer\u00eancia necess\u00e1ria e legal.<\/p>\n<p>Vou acrescentar que as rela\u00e7\u00f5es internacionais devem ser baseadas no direito internacional, que devem descansar em princ\u00edpios morais, como a justi\u00e7a, a igualdade e a verdade. Talvez o mais importante \u00e9 o respeito pelos pr\u00f3prios parceiros e os seus interesses. Essa \u00e9 uma f\u00f3rmula \u00f3bvia, mas simplesmente segui-la poderia mudar radicalmente a situa\u00e7\u00e3o global.<\/p>\n<p>Estou certo de que, se houver uma vontade, podemos restaurar a efic\u00e1cia do sistema de institui\u00e7\u00f5es regionais e internacionais. N\u00f3s nem sequer precisamos construir algo novo, a partir do zero; isto n\u00e3o \u00e9 uma &#8220;mata virgem&#8221;, especialmente visto que as institui\u00e7\u00f5es criadas ap\u00f3s a Segunda Guerra Mundial s\u00e3o bastante universais e podem receber uma moderniza\u00e7\u00e3o substancial, adequada para gerir a situa\u00e7\u00e3o atual.<\/p>\n<p>Isto \u00e9 verdade na melhoria do trabalho da ONU, cujo papel central \u00e9 insubstitu\u00edvel, assim como a OSCE que, ao longo de 40 anos, tem provado ser um mecanismo necess\u00e1rio para garantir a seguran\u00e7a e a coopera\u00e7\u00e3o na regi\u00e3o Euro-Atl\u00e2ntica. Devo dizer que, mesmo agora, na tentativa de resolver a crise no sudeste da Ucr\u00e2nia, a OSCE tem um papel muito positivo.<\/p>\n<p>\u00c0 luz das mudan\u00e7as fundamentais no ambiente internacional, o aumento da incontrolabilidade e v\u00e1rias amea\u00e7as, precisamos de um novo consenso global de for\u00e7as respons\u00e1veis. N\u00e3o se trata de alguns neg\u00f3cios locais ou de uma divis\u00e3o de esferas de influ\u00eancia no esp\u00edrito da diplomacia cl\u00e1ssica, ou da domina\u00e7\u00e3o global completa de algu\u00e9m. Eu acho que precisamos de uma nova vers\u00e3o de interdepend\u00eancia. N\u00e3o devemos ter medo disso. Pelo contr\u00e1rio, esse \u00e9 um bom instrumento para harmonizar as posi\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Isto \u00e9 particularmente relevante dado o fortalecimento e crescimento de determinadas regi\u00f5es do planeta, processo que objetiva requerer a institucionaliza\u00e7\u00e3o desses novos polos, criando poderosas organiza\u00e7\u00f5es regionais e na elabora\u00e7\u00e3o de regras para a sua intera\u00e7\u00e3o. A coopera\u00e7\u00e3o entre esses centros poderia seriamente adicionar estabilidade na seguran\u00e7a global, na pol\u00edtica e na economia. Mas, a fim de estabelecer esse di\u00e1logo, \u00e9 preciso proceder a partir do pressuposto de que todos os centros regionais e os projetos de integra\u00e7\u00e3o que se formam em torno deles precisam ter igualdade de direitos para o desenvolvimento, de modo que eles possam complementar-se e ningu\u00e9m possa for\u00e7\u00e1-los ao conflito ou a uma oposi\u00e7\u00e3o artificialmente. Tais a\u00e7\u00f5es destrutivas iriam quebrar os la\u00e7os entre os Estados e os pr\u00f3prios Estados seriam submetidos a extrema dificuldade, ou talvez at\u00e9 mesmo a destrui\u00e7\u00e3o total.<\/p>\n<p>Gostaria de lembr\u00e1-lo de eventos do ano passado. Temos dito aos nossos parceiros americanos e europeus que as precipitadas decis\u00f5es de bastidores, por exemplo, sobre a associa\u00e7\u00e3o da Ucr\u00e2nia com a Uni\u00e3o Europeia, est\u00e3o repletas de riscos graves para a economia. N\u00f3s nem sequer dissemos alguma coisa sobre pol\u00edtica; falamos apenas sobre a economia, dizendo que tais passos, feitos sem quaisquer acordos pr\u00e9vios, tocariam nos interesses de muitos outros pa\u00edses, incluindo a R\u00fassia como o principal parceiro comercial da Ucr\u00e2nia, e que uma ampla discuss\u00e3o dessas quest\u00f5es era necess\u00e1rio. Ali\u00e1s, a este respeito, eu vou lembr\u00e1-los que, por exemplo, as negocia\u00e7\u00f5es sobre a ades\u00e3o da R\u00fassia \u00e0 OMC durou 19 anos. Este foi um trabalho muito dif\u00edcil e um certo consenso foi alcan\u00e7ado.<\/p>\n<p>Por que eu estou trazendo isso? Porque na implementa\u00e7\u00e3o do projeto de associa\u00e7\u00e3o da Ucr\u00e2nia, os nossos parceiros viriam at\u00e9 n\u00f3s com os seus produtos e servi\u00e7os atrav\u00e9s da \u201cporta de servi\u00e7o\u201d, por assim dizer, e n\u00f3s n\u00e3o concordamos com isso, ningu\u00e9m nos perguntou sobre isso. Tivemos discuss\u00f5es sobre todos os temas relacionados com a associa\u00e7\u00e3o da Ucr\u00e2nia com a Uni\u00e3o Europeia, discuss\u00f5es persistentes, mas quero destacar que isso foi feito de uma forma totalmente civilizada, indicando os poss\u00edveis problemas, mostrando o racioc\u00ednio \u00f3bvio e os argumentos. Ningu\u00e9m queria ouvir-nos e ningu\u00e9m queria falar. Eles simplesmente nos disseram: isso n\u00e3o \u00e9 do seu interesse, ponto final, fim da discuss\u00e3o. Em vez de um abrangente \u2014 e eu insisto \u2014 di\u00e1logo civilizado, tudo se resumia a uma derrubada do governo; o que mergulhou o pa\u00eds no caos, em um colapso econ\u00f4mico e social, em uma guerra civil com enormes baixas.<\/p>\n<p>Por qu\u00ea? Quando pergunto a meus colegas porque, eles j\u00e1 n\u00e3o t\u00eam uma resposta; ningu\u00e9m diz nada. \u00c9 isso a\u00ed. Todo mundo est\u00e1 no preju\u00edzo, dizendo que apenas aconteceu desse jeito. Essas a\u00e7\u00f5es n\u00e3o deveriam ter sido incentivadas \u2014 n\u00e3o teriam funcionado. Afinal de contas (e eu j\u00e1 falei sobre isso), o ex-presidente ucraniano Yanukovych assinou tudo, concordou com tudo. Por que fazer isso? O que eles queriam dizer? O que \u00e9 isso, uma forma civilizada de resolver os problemas? Aparentemente, aqueles que constantemente despejam juntos as novas \u2018revolu\u00e7\u00f5es coloridas\u2019 consideram-se \u2018artistas brilhantes\u2019 e simplesmente n\u00e3o podem parar.<\/p>\n<p>Estou certo de que o trabalho das associa\u00e7\u00f5es integradas, a coopera\u00e7\u00e3o das estruturas regionais, devem ser constru\u00eddas em uma base clara e transparente; o processo de forma\u00e7\u00e3o da Uni\u00e3o Econ\u00f4mica da Eur\u00e1sia \u00e9 um bom exemplo desse tipo de transpar\u00eancia. Os Estados que fazem parte desse projeto informaram os seus parceiros de seus planos com anteced\u00eancia, especificando os par\u00e2metros de nossa associa\u00e7\u00e3o, os princ\u00edpios de seu trabalho, que correspondem plenamente com as regras da Organiza\u00e7\u00e3o Mundial do Com\u00e9rcio.<\/p>\n<p>Vou acrescentar que n\u00f3s poder\u00edamos tamb\u00e9m ter saudado o in\u00edcio de um di\u00e1logo concreto entre a Eur\u00e1sia e a Uni\u00e3o Europeia. Ali\u00e1s, eles quase que completamente nos negaram a isto tamb\u00e9m, e tamb\u00e9m n\u00e3o est\u00e1 clara a raz\u00e3o \u2014 o que \u00e9 t\u00e3o assustador sobre isso?<\/p>\n<p>E, claro, com esse trabalho em conjunto, poder\u00edamos pensar que n\u00f3s precisamos nos comprometer em dialogar (eu falei sobre isso muitas vezes e tenho ouvido o acordo de muitos dos nossos parceiros ocidentais, pelo menos na Europa) sobre a necessidade de criar um espa\u00e7o comum para a coopera\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica e humanit\u00e1ria que se estenda por todo o caminho, desde o Atl\u00e2ntico at\u00e9 o Oceano Pac\u00edfico.<\/p>\n<p>Colegas, a R\u00fassia fez a sua escolha. Nossas prioridades s\u00e3o melhorar ainda mais as nossas institui\u00e7\u00f5es democr\u00e1ticas e de economia aberta, acelerar o desenvolvimento interno, tendo em conta todas as tend\u00eancias modernas positivas no mundo e <strong>a consolida\u00e7\u00e3o da sociedade baseada em valores tradicionais e no patriotismo<\/strong>.<\/p>\n<p>Temos uma agenda positiva, pac\u00edfica e orientada para a integra\u00e7\u00e3o; estamos trabalhando ativamente com os nossos colegas da Uni\u00e3o Econ\u00f4mica Euroasi\u00e1tica, da Organiza\u00e7\u00e3o de Coopera\u00e7\u00e3o de Xangai, BRICS e outros parceiros. Essa agenda tem como objetivo desenvolver os la\u00e7os entre os governos, n\u00e3o os dissociando. N\u00f3s n\u00e3o estamos planejando remendar quaisquer blocos ou se envolver em uma troca de golpes.<\/p>\n<p><strong>Os argumentos e as declara\u00e7\u00f5es de que a R\u00fassia est\u00e1 tentando estabelecer algum tipo de imp\u00e9rio, de viola\u00e7\u00e3o da soberania de seus vizinhos, s\u00e3o infundadas<\/strong>. A R\u00fassia n\u00e3o precisa de nenhum tipo de lugar especial, exclusivo do mundo \u2014 eu quero enfatizar isso. Embora respeitando os interesses dos outros, simplesmente queremos que os nossos pr\u00f3prios interesses sejam levados em conta e que a nossa posi\u00e7\u00e3o seja respeitada. N\u00f3s estamos bem conscientes de que o mundo entrou em uma era de mudan\u00e7as e transforma\u00e7\u00f5es globais, quando todos n\u00f3s precisamos de um determinado grau de cautela e a capacidade de evitar medidas impensadas. Nos anos ap\u00f3s a Guerra Fria, os participantes na pol\u00edtica mundial perderam um pouco dessas qualidades. Agora, \u00e9 preciso lembrar-se delas. Caso contr\u00e1rio, as esperan\u00e7as de um desenvolvimento pac\u00edfico e est\u00e1vel ser\u00e1 uma ilus\u00e3o perigosa, enquanto que o tumulto de hoje vai simplesmente servir como um prel\u00fadio para o colapso da ordem mundial.<\/p>\n<p>Sim, claro, eu j\u00e1 disse que a constru\u00e7\u00e3o de uma ordem mundial mais est\u00e1vel \u00e9 uma tarefa dif\u00edcil. Estamos falando de um trabalho longo e dif\u00edcil. Fomos capazes de desenvolver regras para intera\u00e7\u00e3o ap\u00f3s a Segunda Guerra Mundial, e fomos capazes de chegar a um acordo em Helsinque, nos anos 1970. Nosso dever comum \u00e9 resolver esse desafio fundamental neste novo est\u00e1gio de desenvolvimento.<\/p>\n<p>Muito obrigado pela sua aten\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>VLADIMIR PUTIN (comentando sobre as declara\u00e7\u00f5es do ex-primeiro-ministro da Fran\u00e7a, Dominique de Villepin e do ex-chanceler Federal da \u00c1ustria, Wolfgang Schuessel):<\/strong><\/p>\n<p>Eu gostaria de come\u00e7ar por dizer que, no geral, eu concordo com o que tanto Wolfgang quanto Dominique disseram. Apoio plenamente tudo o que eles disseram. No entanto, existem algumas coisas que eu gostaria de esclarecer.<\/p>\n<p>Acredito que Dominique referiu-se \u00e0 crise ucraniana como a raz\u00e3o para a deteriora\u00e7\u00e3o nas rela\u00e7\u00f5es internacionais. Naturalmente, esta crise \u00e9 uma causa, mas esta n\u00e3o \u00e9 a causa principal. A crise na Ucr\u00e2nia \u00e9, em si, um resultado de um desequil\u00edbrio nas rela\u00e7\u00f5es internacionais. Eu j\u00e1 disse no meu discurso porque isso est\u00e1 acontecendo, e os meus colegas tamb\u00e9m j\u00e1 o mencionaram. Eu posso acrescentar a isto, se necess\u00e1rio. No entanto, principalmente este \u00e9 o resultado do desequil\u00edbrio nas rela\u00e7\u00f5es internacionais.<\/p>\n<p>Quanto \u00e0s quest\u00f5es mencionadas por Wolfgang, vamos voltar a elas: vamos falar sobre as elei\u00e7\u00f5es, se necess\u00e1rio, e sobre a oferta de recursos energ\u00e9ticos para a Ucr\u00e2nia e Europa. Entretanto, eu gostaria de dar resposta \u00e0 frase: &#8220;Wolfgang \u00e9 um otimista, enquanto a vida \u00e9 mais dif\u00edcil para os pessimistas&#8221;. Eu j\u00e1 mencionei a velha piada que temos sobre um pessimista e um otimista, mas n\u00e3o posso deixar de falar de novo. Temos esta piada muito velha sobre um pessimista e um otimista: um pessimista bebe seu conhaque e diz: \u201cTem cheiro de percevejos\u201d, enquanto um otimista pega um percevejo, o esmaga, ent\u00e3o cheira e diz: \u201cTem um leve cheiro de conhaque\u201d.<\/p>\n<p>Eu preferiria ser o pessimista que bebe conhaque do que o otimista que cheira percevejos. (Risos) Embora pare\u00e7a que os otimistas t\u00eam um melhor momento, o nosso objetivo comum \u00e9 viver uma vida decente (sem abusar do \u00e1lcool). Para isso, \u00e9 preciso evitar as crises, lidar em conjunto com todos os desafios e amea\u00e7as e construir tais rela\u00e7\u00f5es na arena global que nos ajudariam a alcan\u00e7ar estes objetivos.<\/p>\n<p>Mais tarde eu estarei pronto para responder a algumas das outras coisas que mencionei aqui. Obrigado.<\/p>\n<p><strong>JORNALISTA BRIT\u00c2NICO SEUMAS MILNE (traduzido do russo):<\/strong> Eu gostaria de fazer uma pergunta duas-em-um.<\/p>\n<p>Em primeiro lugar, Sr. Presidente, o senhor acredita que as a\u00e7\u00f5es da R\u00fassia na Ucr\u00e2nia e na Crim\u00e9ia ao longo dos \u00faltimos meses foram uma rea\u00e7\u00e3o \u00e0s regras que est\u00e3o sendo quebradas e s\u00e3o um exemplo de gerenciamento de um Estado sem regras? E a outra quest\u00e3o \u00e9: ser\u00e1 que a R\u00fassia v\u00ea essas viola\u00e7\u00f5es globais de regras como um sinal para mudar a sua posi\u00e7\u00e3o? J\u00e1 foi dito aqui que, ultimamente, a R\u00fassia n\u00e3o pode conduzir a situa\u00e7\u00e3o global existente; no entanto, ela est\u00e1 demonstrando as qualidades de um l\u00edder. Como voc\u00ea responderia a isto?<\/p>\n<p><strong>VLADIMIR PUTIN<\/strong><strong>:<\/strong> Eu gostaria de pedir-lhe para reformular a segunda parte da sua pergunta, por favor. Qual, exatamente, \u00e9 a sua segunda pergunta?<\/p>\n<p><strong>SEUMAS MILNE (traduzido do russo):<\/strong> Foi dito aqui que a R\u00fassia n\u00e3o pode lutar por posi\u00e7\u00f5es de lideran\u00e7a no mundo, considerando os resultados do colapso da Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica. No entanto, ela pode influenciar quem ser\u00e1 o l\u00edder. \u00c9 poss\u00edvel que a R\u00fassia poderia alterar a sua posi\u00e7\u00e3o, mudar seu foco, como voc\u00ea mencionou, em rela\u00e7\u00e3o ao Oriente M\u00e9dio e \u00e0s quest\u00f5es relacionadas com o programa nuclear do Ir\u00e3?<\/p>\n<p><strong>VLADIMIR PUTIN<\/strong><strong>:<\/strong> A R\u00fassia nunca alterou a sua posi\u00e7\u00e3o. Somos um pa\u00eds com um foco tradicional na coopera\u00e7\u00e3o e na busca de solu\u00e7\u00f5es conjuntas. Isto \u00e9 a primeira. A segunda. N\u00e3o temos quaisquer pretens\u00f5es de lideran\u00e7a mundial. A ideia de que a R\u00fassia est\u00e1 buscando algum tipo de exclusividade \u00e9 falsa; eu disse isso no meu discurso. N\u00f3s n\u00e3o estamos exigindo um lugar ao sol; estamos simplesmente partindo do pressuposto de que todos os participantes nas rela\u00e7\u00f5es internacionais devem respeitar os interesses de cada um. Estamos prontos para respeitar os interesses dos nossos parceiros, mas esperamos o mesmo respeito para com os nossos interesses.<\/p>\n<p>N\u00f3s n\u00e3o mudamos nossa atitude para com a situa\u00e7\u00e3o no Oriente M\u00e9dio, com o programa nuclear iraniano, com o conflito norte-coreano, com a luta contra o terrorismo e a criminalidade em geral, bem como com o tr\u00e1fico de drogas. N\u00f3s nunca mudamos nenhuma das nossas prioridades, mesmo sob a press\u00e3o de a\u00e7\u00f5es hostis por parte dos nossos parceiros ocidentais, que s\u00e3o liderados, muito obviamente neste caso, pelos Estados Unidos. N\u00f3s nem sequer mudamos os termos das san\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>No entanto, tamb\u00e9m aqui tudo tem os seus limites. Eu procedo a partir da ideia de que pode ser poss\u00edvel que as circunst\u00e2ncias externas possam nos obrigar a alterar algumas das nossas posi\u00e7\u00f5es, mas at\u00e9 agora n\u00e3o houve quaisquer situa\u00e7\u00f5es extremas desse tipo e n\u00e3o temos nenhuma inten\u00e7\u00e3o de mudar nada. Este \u00e9 o primeiro ponto.<\/p>\n<p>O segundo ponto tem a ver com as nossas a\u00e7\u00f5es na Crim\u00e9ia. Tenho falado sobre isso em diversas ocasi\u00f5es, mas se for necess\u00e1rio, posso repeti-la. Esta \u00e9 a parte 2 do artigo 1\u00ba da Carta das Na\u00e7\u00f5es Unidas \u2014 o direito das na\u00e7\u00f5es \u00e0 autodetermina\u00e7\u00e3o. J\u00e1 foi tudo escrito, e n\u00e3o simplesmente como o direito \u00e0 autodetermina\u00e7\u00e3o, mas como o objetivo das Na\u00e7\u00f5es Unidas. Leia o artigo com aten\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Eu n\u00e3o entendo por que as pessoas que vivem na Crim\u00e9ia n\u00e3o t\u00eam esse direito, assim como as pessoas que vivem, digamos, no Kosovo. Isto tamb\u00e9m foi mencionado aqui. Por que \u00e9 que em um caso o branco \u00e9 branco, enquanto em outro o mesmo \u00e9 chamado de preto? N\u00f3s nunca vamos concordar com esse absurdo. Essa \u00e9 uma coisa. A outra coisa muito importante \u00e9 algo que ningu\u00e9m menciona, ent\u00e3o eu gostaria de chamar a aten\u00e7\u00e3o para ela. O que aconteceu na Crim\u00e9ia? Em primeiro lugar, houve essa derrubada anti-Estado em Kiev. O que quer que qualquer um diga, eu acho isso \u00f3bvio \u2014 houve uma tomada armada do poder.<\/p>\n<p>Em muitas partes do mundo, as pessoas saudaram isto, n\u00e3o percebendo aonde isso poderia levar, enquanto que em algumas regi\u00f5es as pessoas estavam com medo de que o poder foi tomado pelos extremistas, por nacionalistas e direitistas, incluindo neonazistas. As pessoas temiam por seu futuro e pelas suas fam\u00edlias e reagiram conforme seu medo. Na Crim\u00e9ia, as pessoas realizaram um referendo.<\/p>\n<p>Gostaria de chamar a aten\u00e7\u00e3o para isso. N\u00e3o foi por acaso que, na R\u00fassia, afirmamos que houve um referendo. A decis\u00e3o de realizar o referendo foi feita pela autoridade leg\u00edtima da Crim\u00e9ia \u2014 seu Parlamento, eleito h\u00e1 alguns anos, nos termos da legisla\u00e7\u00e3o ucraniana antes de todos estes graves acontecimentos. Este \u00f3rg\u00e3o leg\u00edtimo da autoridade declarou um referendo e, em seguida, com base em seus resultados, eles adotaram uma declara\u00e7\u00e3o de independ\u00eancia, assim como Kosovo fez, e virou-se para a Federa\u00e7\u00e3o Russa com um pedido para aceitar a Crim\u00e9ia no Estado russo.<\/p>\n<p><strong>Voc\u00ea sabe, o que quer que qualquer um possa dizer e, n\u00e3o importa qu\u00e3o duro eles tentem cavar alguma coisa, isso seria muito dif\u00edcil, considerando a linguagem da decis\u00e3o judicial das Na\u00e7\u00f5es Unidas, que afirma claramente (como aplicado ao precedente do Kosovo) que a decis\u00e3o sobre a autodetermina\u00e7\u00e3o n\u00e3o requer a aprova\u00e7\u00e3o da autoridade suprema de um pa\u00eds.<\/strong><\/p>\n<p>Nesse contexto, eu sempre lembro do que os s\u00e1bios do passado disseram. Voc\u00ea pode se lembrar do maravilhoso ditado: O que quer que seja permitido a J\u00fapiter, ao Touro n\u00e3o o \u00e9.<\/p>\n<p>N\u00e3o podemos concordar com tal abordagem. Ao touro pode n\u00e3o ser permitido alguma coisa, mas o urso n\u00e3o vai sequer se preocupar em pedir permiss\u00e3o. Aqui, o consideramos o dono da floresta, e eu tenho certeza que ele n\u00e3o tem a inten\u00e7\u00e3o de mudar-se para qualquer outra zona clim\u00e1tica \u2014 n\u00e3o vai ser confort\u00e1vel l\u00e1. No entanto, ele n\u00e3o vai deixar qualquer um tomar a sua floresta tamb\u00e9m. Eu acredito que isto \u00e9 claro.<\/p>\n<p>Quais s\u00e3o os problemas da ordem mundial atual? Vamos ser francos sobre isso, todos n\u00f3s somos especialistas aqui. N\u00f3s falamos e falamos, somos como os diplomatas. O que aconteceu no mundo? Costumava haver um sistema bipolar. Com o colapso da Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica, o poder chamado Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica deixou de existir. Todas as regras que regem as rela\u00e7\u00f5es internacionais ap\u00f3s a Segunda Guerra Mundial foram projetadas para um mundo bipolar. \u00c9 verdade, a Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica era referida como \u201co Alto Volta com m\u00edsseis\u201d. Talvez por isso havia um monte de m\u00edsseis. Al\u00e9m disso, tivemos pol\u00edticos brilhantes tais como Nikita Khrushchev, que martelou a mesa com o sapato na ONU. E o mundo inteiro, principalmente os Estados Unidos, e a OTAN pensaram: este Nikita \u00e9 melhor deix\u00e1-lo sozinho, ele pode simplesmente ir e disparar um m\u00edssil, eles t\u00eam muitos deles, devemos mostrar que \u00e9 melhor ter um pouco de respeito por eles.<\/p>\n<p><strong>Agora que a Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica se foi, qual \u00e9 a situa\u00e7\u00e3o e quais s\u00e3o as tenta\u00e7\u00f5es? N\u00e3o h\u00e1 necessidade de se levar em conta a opini\u00e3o da R\u00fassia, \u00e9 muito dependente, ela passou por uma transforma\u00e7\u00e3o durante o colapso da Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica, e n\u00f3s podemos fazer o que quisermos, ignorando todas as regras e regulamentos.<\/strong><\/p>\n<p>Isto \u00e9 exatamente o que est\u00e1 acontecendo. Dominique aqui mencionou o Iraque, a L\u00edbia, o Afeganist\u00e3o e a Iugosl\u00e1via antes disso. Isso foi realmente monobrado tudo dentro do \u00e2mbito do direito internacional? N\u00e3o nos digam esses contos-de-fadas.<\/p>\n<p><strong>Isso significa que alguns podem ignorar tudo, enquanto que n\u00f3s n\u00e3o podemos proteger os interesses da popula\u00e7\u00e3o de l\u00edngua russa e da popula\u00e7\u00e3o russa da Crim\u00e9ia. Isso n\u00e3o vai acontecer.<\/strong><\/p>\n<p>Eu gostaria que todos entendessem isso. N\u00f3s precisamos nos livrar dessa tenta\u00e7\u00e3o de tentar organizar o mundo ao seu gosto, e criar um sistema equilibrado de interesses e rela\u00e7\u00f5es que h\u00e1 muito tem sido prescrito no mundo, n\u00f3s s\u00f3 temos que mostrar algum respeito.<\/p>\n<p>Como eu j\u00e1 disse, n\u00f3s entendemos que o mundo mudou, e n\u00f3s estamos prontos para dar aten\u00e7\u00e3o a ele e ajustar o sistema de acordo, mas n\u00f3s nunca vamos permitir que ningu\u00e9m ignore completamente os nossos interesses.<\/p>\n<p><strong>A R\u00fassia visa algum papel de lideran\u00e7a? N\u00f3s n\u00e3o precisamos ser uma superpot\u00eancia; isso apenas seria uma carga extra para n\u00f3s. J\u00e1 mencionei a floresta: ela \u00e9 imensa, ilimitada, e apenas para desenvolver os nossos pr\u00f3prios territ\u00f3rios n\u00f3s precisamos de muito tempo, energia e recursos.<\/strong><\/p>\n<p>N\u00e3o temos necessidade de se envolver nas coisas, de ordenar outros ao nosso redor, mas queremos que os outros fiquem fora dos nossos assuntos e que parem de fingir que governam o mundo. Isso \u00e9 tudo. Se h\u00e1 uma \u00e1rea em que a R\u00fassia poderia ser um l\u00edder \u2014 \u00e9 em afirmar as normas da lei internacional.<\/p>\n<p><strong>PERGUNTA DE JORNALISTA:<\/strong> <em>O processo de paz entre palestinos e israelenses desabou completamente. Os Estados Unidos nunca deixaram o grupo trabalhar corretamente. Ao mesmo tempo, o crescimento dos assentamentos israelenses ilegais nos territ\u00f3rios ocupados torna imposs\u00edvel a cria\u00e7\u00e3o de um Estado palestino. Temos recentemente testemunhado um ataque muito grave \u00e0 Faixa de Gaza. Qual \u00e9 a atitude da R\u00fassia a esta situa\u00e7\u00e3o tensa no Oriente M\u00e9dio? E o que voc\u00ea acha dos desenvolvimentos na S\u00edria? Uma observa\u00e7\u00e3o para o senhor Villepin tamb\u00e9m. Voc\u00ea falou de humilha\u00e7\u00e3o. O que pode ser mais humilhante do que a ocupa\u00e7\u00e3o que a Palestina tem vindo a registrar todos esses anos?<\/em><\/p>\n<p><strong>VLADIMIR PUTIN:<\/strong> A respeito da Palestina e do conflito Israelense. \u00c9 f\u00e1cil para mim falar sobre isso, porque, em primeiro lugar, eu tenho que dizer e eu acredito que todos podem ver que as nossas rela\u00e7\u00f5es com Israel se transformaram seriamente na d\u00e9cada passada. Refiro-me ao fato de que um grande n\u00famero de pessoas da antiga Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica vive em Israel e n\u00e3o podemos ficar indiferentes \u00e0 sua sorte. Ao mesmo tempo, temos rela\u00e7\u00f5es tradicionais com o mundo \u00e1rabe, especificamente com a Palestina. Al\u00e9m disso, a Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica, e a R\u00fassia \u00e9 seu sucessor legal, reconheceu o Estado palestino. N\u00f3s n\u00e3o estamos mudando nada aqui.<\/p>\n<p>Finalmente, em rela\u00e7\u00e3o aos assentamentos. Partilhamos da opini\u00e3o dos principais participantes nas rela\u00e7\u00f5es internacionais. Consideramos isso um erro. Eu j\u00e1 disse isso aos nossos parceiros israelitas. Eu acredito que este \u00e9 um obst\u00e1culo para as rela\u00e7\u00f5es normais e eu espero fortemente que a pr\u00e1tica em si ser\u00e1 interrompida e todo o processo de uma solu\u00e7\u00e3o pac\u00edfica ir\u00e1 retornar ao seu curso legal com base no acordo.<\/p>\n<p>N\u00f3s procedemos a partir do fato de que esse conflito no Oriente M\u00e9dio \u00e9 uma das principais causas de desestabiliza\u00e7\u00e3o n\u00e3o s\u00f3 na regi\u00e3o, mas tamb\u00e9m no mundo em geral. A humilha\u00e7\u00e3o de quaisquer pessoas que vivem na \u00e1rea, ou em qualquer outro lugar no mundo \u00e9 claramente uma fonte de desestabiliza\u00e7\u00e3o e deve ser feito de fora. Naturalmente, isso deve ser feito usando de tais meios e medidas que seriam aceit\u00e1veis para todos os participantes do processo e para todos os que vivem na \u00e1rea. Este \u00e9 um processo muito complicado, mas a R\u00fassia est\u00e1 pronta para usar todos os meios que possui para este assentamento, incluindo as suas boas rela\u00e7\u00f5es com as partes envolvidas neste conflito.<\/p>\n<p><strong>DIRETOR DO CENTRO DE ESTUDOS DE CONFLITO E POL\u00cdTICA DE KIEV, MIKHAIL POGREBINSKY: <\/strong>Senhor Presidente, eu vim da Ucr\u00e2nia. Pela primeira vez em 70 anos, ela est\u00e1 passando por tempos muito dif\u00edceis. A minha pergunta tem a ver com a possibilidade de um acordo. Neste contexto, gostaria de voltar na hist\u00f3ria. Voc\u00ea mencionou que houve um momento em que um formato trilateral estava sob considera\u00e7\u00e3o: R\u00fassia-Ucr\u00e2nia-Europa. Naquela \u00e9poca, a Europa n\u00e3o concordava com ele, depois que uma s\u00e9rie de tr\u00e1gicos acontecimentos ocorreram, incluindo a perda da Crim\u00e9ia, a morte de milhares de pessoas e assim por diante.<\/p>\n<p>Recentemente, a Europa juntamente com a Ucr\u00e2nia e a R\u00fassia concordaram que este formato \u00e9 poss\u00edvel afinal de contas; al\u00e9m disso, a resolu\u00e7\u00e3o correspondente foi aprovada. Naquele momento, havia a esperan\u00e7a de que a R\u00fassia, juntamente com a Europa e a Ucr\u00e2nia conseguiriam chegar a um acordo e poderia se tornar a restaurar a paz na Ucr\u00e2nia. O que aconteceu depois? O que aconteceu entre Moscou e Bruxelas, Moscou e Berlim \u2014 por que agora a situa\u00e7\u00e3o parece completamente insana? N\u00e3o est\u00e1 claro aonde isso pode levar. O que voc\u00ea acha que aconteceu para a Europa?<\/p>\n<p><strong>VLADIMIR PUTIN:<\/strong> Voc\u00ea sabe, o que aconteceu pode ser descrito como nada aconteceu. Acordos foram alcan\u00e7ados, mas nenhum dos lados o cumpriu na \u00edntegra. No entanto, o cumprimento integral por ambos os lados pode ser imposs\u00edvel.<\/p>\n<p>Por exemplo, unidades do ex\u00e9rcito ucraniano deveriam deixar determinados locais onde eles estavam estacionados antes dos acordos de Minsk, enquanto a mil\u00edcia do ex\u00e9rcito deveria deixar certos assentamentos que eles estavam guardando antes desses acordos. No entanto, nem o ex\u00e9rcito ucraniano retirou-se dos locais que eles deveriam deixar, nem a mil\u00edcia do ex\u00e9rcito retirou-se dos assentamentos de onde tinham de sair, referindo-se, e eu vou ser franco agora \u2014 para o fato de que suas fam\u00edlias permaneciam l\u00e1 (eu quero dizer a mil\u00edcia) e temiam pela sua seguran\u00e7a. Suas fam\u00edlias, suas esposas e filhos vivem l\u00e1. Este \u00e9 um fator humanit\u00e1rio s\u00e9rio.<\/p>\n<p>Estamos prontos para fazer todos os esfor\u00e7os para garantir a implementa\u00e7\u00e3o dos acordos de Minsk. Eu gostaria de aproveitar a sua pergunta para salientar a posi\u00e7\u00e3o da R\u00fassia: somos a favor do cumprimento integral dos acordos de Minsk por ambos os lados.<\/p>\n<p>Qual \u00e9 o problema? Em minha opini\u00e3o, o principal problema \u00e9 que n\u00e3o vemos o desejo, por parte dos nossos parceiros em Kiev, principalmente das autoridades, para resolver o problema das rela\u00e7\u00f5es com a sudeste do pa\u00eds de forma pac\u00edfica, atrav\u00e9s de negocia\u00e7\u00f5es. Continuamos vendo a mesma coisa de v\u00e1rias formas: supress\u00e3o pela for\u00e7a. Tudo come\u00e7ou com Maidan, quando decidiram suprimir Yanukovych pela for\u00e7a. Eles conseguiram e levantaram esta onda de nacionalismo e ent\u00e3o tudo se transformou em alguns batalh\u00f5es nacionalistas.<\/p>\n<p>Quando as pessoas no sudeste da Ucr\u00e2nia n\u00e3o gostaram, eles tentaram eleger seus pr\u00f3prios grupos de governo e de gest\u00e3o e eles foram presos e levados para a pris\u00e3o em Kiev, durante a noite. Ent\u00e3o, quando as pessoas viram que isso aconteceu e levou \u00e0s armas, em vez de pararem e, finalmente, recorrerem ao di\u00e1logo pac\u00edfico, enviaram tropas para l\u00e1, com tanques e avi\u00f5es.<\/p>\n<p>Ali\u00e1s, a comunidade global se mant\u00e9m em sil\u00eancio, como se ela n\u00e3o visse nada disso, como se n\u00e3o existisse tal coisa como \u201co uso desproporcional da for\u00e7a\u201d. Eles, de repente, se esqueceram de tudo. Lembro-me de todo o frenesi em torno de quando tivemos uma situa\u00e7\u00e3o complicada no C\u00e1ucaso. Eu ouvia uma \u00fanica e a mesma coisa todos os dias. N\u00e3o h\u00e1 mais tais palavras hoje, n\u00e3o mais \u201co uso desproporcional da for\u00e7a\u201d. E isso \u00e9 assim, enquanto que as bombas de fragmenta\u00e7\u00e3o, e at\u00e9 mesmo armas t\u00e1ticas, est\u00e3o sendo usadas.<\/p>\n<p>Voc\u00ea veja, sob estas circunst\u00e2ncias, \u00e9 muito dif\u00edcil para n\u00f3s, na R\u00fassia, organizar o trabalho com as pessoas no sudeste da Ucr\u00e2nia de uma maneira que iria lev\u00e1-los a cumprirem integralmente a todos os acordos. Eles continuam dizendo tamb\u00e9m que as autoridades de Kiev n\u00e3o cumprem integralmente os acordos. Entretanto, n\u00e3o h\u00e1 outra maneira. Eu gostaria de salientar que somos a favor da plena implementa\u00e7\u00e3o dos acordos por ambas as partes, e a coisa mais importante que eu quero dizer \u2014 e eu quero que todo mundo ou\u00e7a isso \u2014 se, Deus nos livre, qualquer um est\u00e1 tentado novamente a usar a for\u00e7a para a resolu\u00e7\u00e3o definitiva da situa\u00e7\u00e3o no sudeste da Ucr\u00e2nia, isso ir\u00e1 levar a situa\u00e7\u00e3o para um impasse total.<\/p>\n<p>Em minha opini\u00e3o, ainda h\u00e1 uma chance de se chegar a um acordo. Sim, Wolfgang falou sobre isso, eu o entendi. Ele falou sobre as pr\u00f3ximas elei\u00e7\u00f5es na Ucr\u00e2nia e no sudeste do pa\u00eds. N\u00f3s sabemos e estamos constantemente discutindo isso. Ainda esta manh\u00e3, tive outra conversa com a chanceler da Alemanha sobre o assunto. Os acordos de Minsk n\u00e3o estipulam que as elei\u00e7\u00f5es no sudeste devam ser realizadas em coordena\u00e7\u00e3o com a legisla\u00e7\u00e3o ucraniana, e n\u00e3o sob a lei ucraniana, mas em coordena\u00e7\u00e3o com ela.<\/p>\n<p>Isso foi feito de prop\u00f3sito, porque ningu\u00e9m no sudeste quer realizar elei\u00e7\u00f5es em conformidade com a lei ucraniana. Por que? Como isso pode ser feito, quando est\u00e3o atirando todos os dias, pessoas s\u00e3o mortas em ambos os lados e eles t\u00eam que realizar elei\u00e7\u00f5es sob a lei ucraniana? A guerra deve finalmente parar e as tropas devem ser retiradas. Entende? Quando isto for alcan\u00e7ado, podemos come\u00e7ar a considerar qualquer tipo de aproxima\u00e7\u00e3o ou de coopera\u00e7\u00e3o. At\u00e9 que isso aconte\u00e7a, \u00e9 dif\u00edcil falar sobre qualquer outra coisa.<\/p>\n<p>Falaram da data das elei\u00e7\u00f5es, no sudeste, mas poucos sabem que houve um acordo de que as elei\u00e7\u00f5es no sudeste da Ucr\u00e2nia devam ser realizadas em 3 de novembro. Mais tarde, a data foi alterada na lei correspondente, sem consultar ningu\u00e9m, sem consultar o sudeste. As elei\u00e7\u00f5es foram marcadas para 7 de dezembro, mas ningu\u00e9m falou com eles. Portanto, as pessoas no sudeste dizem: \u201cVeja, eles est\u00e3o nos enganando de novo e isso vai ser sempre assim\u201d.<\/p>\n<p>Voc\u00ea pode discutir sobre isso como voc\u00ea quiser. A coisa mais importante \u00e9 parar imediatamente a guerra e mover as tropas para longe. Se a Ucr\u00e2nia quer manter a sua integridade territorial, e isso \u00e9 algo que queremos tamb\u00e9m, eles precisam entender que n\u00e3o h\u00e1 sentido em defender alguma aldeia ou outra \u2013 isso n\u00e3o faz sentido. A ideia \u00e9 parar com o derramamento de sangue e come\u00e7ar um di\u00e1logo normal, para construir rela\u00e7\u00f5es com base neste di\u00e1logo e restaurar pelo menos algum tipo de comunica\u00e7\u00e3o, principalmente na economia e, gradualmente, as outras coisas se seguir\u00e3o. Eu acredito que isto \u00e9 o que deve ser alcan\u00e7ado em primeiro lugar e, ent\u00e3o, podemos seguir em frente.<\/p>\n<p><strong>PROFESSOR DE CI\u00caNCIA POL\u00cdTICA, DIRETOR DO CENTRO DE GOVERNAN\u00c7A E POL\u00cdTICAS P\u00daBLICAS DA UNIVERSIDADE DE CARLETON (OTTAWA), PIOTR DUTKIEWICZ:<\/strong> Senhor Presidente, se eu puder gostaria de voltar \u00e0 quest\u00e3o da Crim\u00e9ia, porque \u00e9 de import\u00e2ncia fundamental, tanto para o Oriente quanto para o Ocidente. Eu gostaria de pedir-lhe para nos dar a sua imagem dos eventos que levam a ele, especificamente, por que voc\u00ea tomou essa decis\u00e3o. Seria poss\u00edvel fazer as coisas de uma forma diferente? Como voc\u00ea fez isso? H\u00e1 detalhes importantes \u2014 como a R\u00fassia fez isso dentro da Crim\u00e9ia. Por fim, como voc\u00ea v\u00ea as consequ\u00eancias desta decis\u00e3o para a R\u00fassia, para a Ucr\u00e2nia, para a Europa e para a ordem mundial normativa? Estou perguntando isso porque eu acredito que milh\u00f5es de pessoas gostariam de ouvir a sua reconstru\u00e7\u00e3o pessoal desses eventos e do jeito que voc\u00ea tomou a decis\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>VLADIMIR PUTIN:<\/strong> Eu n\u00e3o sei quantas vezes eu j\u00e1 falei sobre isso, mas vou faz\u00ea-lo novamente. Em 21 de fevereiro, Viktor Yanukovych assinou os documentos conhecidos com a oposi\u00e7\u00e3o. Os Ministros dos Rela\u00e7\u00f5es Exteriores de tr\u00eas pa\u00edses europeus assinaram seus nomes sob este acordo como garantidores da sua implementa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Na noite de 21 de fevereiro, o presidente Obama me chamou e discutimos estas quest\u00f5es e como ir\u00edamos ajudar na implementa\u00e7\u00e3o desses acordos. A R\u00fassia se comprometia com certas obriga\u00e7\u00f5es. Ouvi dizer que o meu colega americano tamb\u00e9m estava pronto para realizar algumas obriga\u00e7\u00f5es. Esta foi a noite do dia 21. No mesmo dia, o presidente Yanukovych me ligou para dizer que assinou o acordo, a situa\u00e7\u00e3o se estabilizou e ele estava indo para uma confer\u00eancia em Kharkov. Eu n\u00e3o vou esconder o fato de que eu expressei a minha preocupa\u00e7\u00e3o: como era poss\u00edvel deixar a capital nesta situa\u00e7\u00e3o. Ele respondeu que achava que era poss\u00edvel porque havia o documento assinado com a oposi\u00e7\u00e3o e estava garantida por ministros das Rela\u00e7\u00f5es Exteriores dos pa\u00edses europeus.<\/p>\n<p>Eu vou lhe dizer mais, eu lhe disse que n\u00e3o tinha certeza de que tudo ficaria bem, mas era ele que tinha de decidir. Ele era o presidente, ele conhecia a situa\u00e7\u00e3o, e ele sabia melhor o que fazer. \u201cEm todo caso, eu n\u00e3o acho que voc\u00ea deva retirar as for\u00e7as policiais de Kiev\u201d, eu disse a ele. Ele disse que entendia. Em seguida, ele saiu e deu ordens para retirar todas as tropas policiais de Kiev. Bela jogada, \u00e9 claro.<\/p>\n<p>N\u00f3s todos sabemos o que aconteceu em Kiev. No dia seguinte, apesar de todas as nossas conversas telef\u00f4nicas, apesar das assinaturas dos ministros das Rela\u00e7\u00f5es Exteriores, assim que Yanukovych deixou Kiev, seu governo foi tomado pela for\u00e7a, juntamente com o pr\u00e9dio do governo. No mesmo dia, eles dispararam contra o cortejo do Procurador-Geral da Ucr\u00e2nia, ferindo um dos guardas de seguran\u00e7a.<\/p>\n<p>Yanukovych me ligou e disse que gostaria de nos reunirmos para conversar sobre isso. Eu concordei. Eventualmente, n\u00f3s combinamos de nos encontrar em Rostov, porque era mais perto e ele n\u00e3o queria ir muito longe. Eu estava pronto para voar para Rostov. No entanto, descobriu-se que ele n\u00e3o conseguiria nem chegar at\u00e9 l\u00e1. Eles j\u00e1 estavam come\u00e7ando a usar a for\u00e7a contra ele, segurando-o sob a mira de uma arma. Eles n\u00e3o estavam muito certos para onde ir.<\/p>\n<p>Eu n\u00e3o vou esconder isso; n\u00f3s o ajudamos a chegar na Crim\u00e9ia, onde permaneceu por alguns dias. Isso quando a Crim\u00e9ia ainda fazia parte da Ucr\u00e2nia. No entanto, a situa\u00e7\u00e3o em Kiev foi se desenvolvendo muito rapidamente e violentamente, n\u00f3s sabemos o que aconteceu, embora o p\u00fablico em geral n\u00e3o saiba \u2014 pessoas foram mortas, elas foram queimadas vivas l\u00e1. Eles vieram para o escrit\u00f3rio do Partido das Regi\u00f5es, apreenderam os trabalhadores t\u00e9cnicos e os mataram, queimaram-nos vivos no por\u00e3o. Nestas circunst\u00e2ncias, n\u00e3o havia nenhuma maneira de que ele pudesse voltar para Kiev. Todo mundo esqueceu-se dos acordos com a oposi\u00e7\u00e3o, assinados pelos ministros de Rela\u00e7\u00f5es Exteriores e de nossas conversas telef\u00f4nicas. Sim, eu vou lhe dizer francamente que ele nos pediu para ajud\u00e1-lo a chegar \u00e0 R\u00fassia, o que n\u00f3s fizemos. Isso foi tudo.<\/p>\n<p>Vendo esses acontecimentos, as pessoas na Crim\u00e9ia levantaram quase que imediatamente os bra\u00e7os e pediram-nos ajuda na organiza\u00e7\u00e3o dos eventos que pretendiam realizar. Vou ser franco; usamos nossas For\u00e7as Armadas para bloquear as unidades ucranianas estacionadas na Crim\u00e9ia, mas n\u00e3o for\u00e7amos ningu\u00e9m a participar das elei\u00e7\u00f5es. Isso \u00e9 imposs\u00edvel, s\u00e3o todos adultos e voc\u00ea entende isso. Como poder\u00edamos fazer isso? Conduzir as pessoas aos locais de vota\u00e7\u00e3o sob a mira de uma arma?<\/p>\n<p>As pessoas foram votar como se fosse uma festa, todo mundo sabe disso, e todos eles votaram, at\u00e9 mesmo os t\u00e1rtaros da Crim\u00e9ia. Havia menos t\u00e1rtaros da Crim\u00e9ia, mas a vota\u00e7\u00e3o global foi elevada. Enquanto o comparecimento na Crim\u00e9ia, em geral, foi de cerca de 96 ou 94 por cento, um n\u00famero menor de t\u00e1rtaros da Crim\u00e9ia apareceu. No entanto 97 por cento deles votaram \u201csim\u201d. Por qu\u00ea? Porque aqueles que n\u00e3o queriam n\u00e3o foram aos locais de vota\u00e7\u00e3o, e aqueles que tinham votado \u201csim\u201d foram.<\/p>\n<p>J\u00e1 falei do lado legal da quest\u00e3o. O Parlamento da Crim\u00e9ia se reuniu e votou a favor do referendo. Aqui, novamente, como algu\u00e9m poderia dizer que v\u00e1rias dezenas de pessoas foram arrastadas para o parlamento para votar? Isso nunca aconteceu e era imposs\u00edvel: se algu\u00e9m n\u00e3o quer votar eles iriam entrar em um trem ou avi\u00e3o, ou em seu carro e iriam embora.<\/p>\n<p>Todos eles vieram e votaram a favor do referendo e, em seguida, as pessoas vieram e votaram a favor da ades\u00e3o \u00e0 R\u00fassia, isso \u00e9 tudo. Como isto ir\u00e1 influenciar as rela\u00e7\u00f5es internacionais? N\u00f3s podemos ver o que est\u00e1 acontecendo; no entanto, se n\u00f3s nos abstivermos de utilizar os chamados padr\u00f5es d\u00fabios e aceitarmos que todas as pessoas t\u00eam direitos iguais, isso n\u00e3o teria qualquer influ\u00eancia. Temos de admitir o direito daqueles povos \u00e0 autodetermina\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Traduzido por mim e revisado por Julio Severo do artigo do Lew Rockwell:\u00a0<strong><a href=\"http:\/\/www.lewrockwell.com\/2014\/10\/paul-craig-roberts\/why-is-putin-hated\/\" target=\"_blank\">Vladimir Putin Is The Leader Of the Moral World<\/a><\/strong><\/p>\n<p>Fonte: <a href=\"http:\/\/juliosevero.blogspot.com\/2014\/12\/vladimir-putin-e-o-lider-do-mundo-moral.html\" target=\"_blank\">www.juliosevero.com<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Paul Craig Roberts Coment\u00e1rio de Julio Severo: O presente artigo foi originalmente publicado em ingl\u00eas pelo Lew Rockwell e traduzido por Dionei Vieira especialmente para o Blog Julio Severo. 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