O Cântico dos Cânticos e a Intimidade com o SENHOR

O livro de Cântico dos Cânticos, devido a sua natureza e linguagem, é bem pouco explorado em estudos, sermões e até mesmo em artigos de teologia. Não é comum ver grupos de estudo nas igrejas ou seminários fazendo análises ou aulas demoradas sobre este livro. Entretanto, quando lemos a importante e enfática advertência do apóstolo Pedro registrada em 2 Pedro 1:20 que diz: “sabendo, primeiramente, isto: que nenhuma profecia da Escritura provém de particular interpretação“, nós entendemos que as Escrituras possuem muitas camadas de revelação. Portanto, em relação ao conteúdo do livro de Cântico dos Cânticos, assim também o é das mais variadas formas e aqui eu vou fazer uma breve análise sobre um de seus aspectos, dentro de suas múltiplas camadas de revelação, enfocando o seu vínculo e simbologia que tipifica a união do SENHOR com o Seu povo, de Cristo com a Sua Igreja.

Primeiro é importante entender que, quando o SENHOR disse: “E Me farão um santuário, para que Eu possa habitar ( שׂכנּ “shakan” ) no meioתוךְ “tavek” ) deles” (Êxodo 25:8), no Sinai o SENHOR já definiu de uma forma cifrada o Seu profundo e extenso propósito, pois os termos usados para “habitar no meio” em hebraico são שׂכנּshakan” e תוךְtavek“, respectivamente, que denotam também pelos seus muitos significados “fazer morada dentro” de cada um, tal como ocorre em nós hoje por meio da Nova Aliança onde Espírito do SENHOR habita em cada um de nós.

É importante entender que o SENHOR não deseja simples e unicamente que O obedeçam, o que Ele busca em cada um de nós é algo muito além disso, o SENHOR deseja se relacionar de forma íntima com cada um de nós … obedecer é apenas um dos muitos aspectos de um relacionamento profundo. Em vista disso, não é por acaso que a palavra que o SENHOR escolheu no texto citado de Êxodo é שׂכנּshakan“, pois ela vem da raiz שׂכבshakab” que significa “deitar, no sentido de se ter relações sexuais“, ou seja, o SENHOR expressa em Êxodo que o Seu intuito não é simplesmente habitar entre a Sua criação, mas de ter uma relação de tal maneira íntima com cada um de nós que, por tipologia, é comparável ao relacionamento sexual entre um casal, ou seja, o maior nível de intimidade possível onde dois se tornam um ( vide Gênesis 2:24 ). É por essa razão que a tipologia do casamento de Deus com Israel é tão recorrente nas Escrituras ( vide Jeremias 31:32 ), assim como o seu reflexo no Novo Testamento por meio do casamento de Cristo com a Igreja ( vide Apocalipse 19:7-9 ). E também por isso a linguagem visceral observada em Cântico dos Cânticos se aplica tão adequadamente a essa representação, como poderá ver nesse exemplo a seguir …

O meu amado é para mim um saquitel de mirra, posto entre os meus seios. Como um racimo de flores de hena nas vinhas de En-Gedi, é para mim o meu amado. Esposo: Eis que és formosa, ó querida minha, eis que és formosa; os teus olhos são como os das pombas. Esposa: Como és formoso, amado meu, como és amável! O nosso leito é de viçosas folhas, as traves da nossa casa são de cedro, e os seus caibros, de cipreste” (Cântico dos Cânticos 1:13-17)

A união com Deus por meio de Cristo é a grande promessa e o propósito culminante de toda a Bíblia ( vide o meu artigo anterior sobre esse tema, aqui ). Mas a que devemos comparar esta união?! Deus apareceu a Moisés em uma chama de fogo na sarça ardente e conduziu Israel através do deserto por uma coluna de fogo. Ele acendeu as almas de Seu povo com línguas de fogo no Pentecostes ( Atos 2:3 ) e apareceu ao Apóstolo João com olhos como chamas de fogo ( Apocalipse 1:14 ). Não há absolutamente nada desapaixonado sobre Deus na Bíblia. Não há limites para o amor ardente que Ele tem por nossas almas, como Ele provou com absoluto e indescritível amor ao dar o Seu Filho na Cruz. Em termos naturais, o Cântico dos Cânticos é um romance desenfreado e explicitamente erótico entre o rei Salomão e a sua noiva, repleto de gritos de alegria e deleite sensual.

A teologia reformada em algumas de suas correntes, devido ao seu método por vezes deficiente de interpretação, centrado muitas vezes apenas na literalidade dos textos, acaba por não enxergar toda a revelação que o Cântico dos Cânticos possui e os seus vínculos com os demais livros da Bíblia, em particular com Apocalipse. Pois o livro declara o amor de Deus de um modo que poucos homens ou mulheres poderiam deixar de apreciar porque toca, com imagens físicas viscerais, o mais intenso e universal de todos os nossos desejos – dar e receber amor.

Deus escolheu esta imagem para evocar os mais profundos sentimentos que Ele mesmo colocou em nós quando nos criou “à imagem de Deus … macho e fêmea” (Gênesis 1:27). No livro de Cântico dos Cânticos, Deus Se revela como o Amante de nossas almas e nos conduz como o nosso Amado Pastor aos “altos” da Escritura por meio de analogias, alegorias, metáforas e tipologias, mostrando-nos o real caminho para o cumprimento do primeiro e maior mandamento: “Amarás, pois, o SENHOR, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma e de toda a tua força” (Deuteronômio 6:5). É para isso que nós fomos criados … o SENHOR deve ser o amor consumidor de nossos corações, porque este é o propósito consumado de nossa criação.

O título do livro “Cântico dos Cânticos” vem de seu primeiro verso … “Cântico dos cânticos de Salomão” (Cântico dos Cânticos 1:1) … e sua construção e forma expressam a sua excelência superior como a melhor de todas as canções. Construções semelhantes são usadas em títulos como “Rei dos reis e Senhor dos senhores” para denotar a suprema soberania de Cristo ( vide Apocalipse 19:16 ) e “Santo dos Santos” para denotar a parte mais sagrada do Templo. Este último aparece freqüentemente nas descrições do Canto Divino, sendo o mais antigo do primeiro século quando Rabi Akiva defendeu a sua inclusão no cânon, dizendo:

O universo inteiro é indigno do dia em que o Cântico dos Cânticos foi dado a Israel. Porque todos os escritos são santos, mas o Cântico dos Cânticos é o Santo dos Santos.

Dezoito séculos depois, Charles Haddon Spurgeon, o “príncipe dos pregadores” na Inglaterra do século XIX, usou a mesma linguagem em seu sermão “Um Feixe de Mirra” no qual ele explicou que …

assim como no Templo um véu bloqueava a entrada para o Santo dos Santos, assim há um véu sobre os olhos de todos que se aproximam da Canção Divina despreparados, seja por meio de imaturidade espiritual ou por meio de descrença.

Não por acaso, há um vínculo entre o livro de Cântico dos Cânticos com o livro de Apocalipse, pois Apocalipse trata dos eventos que levam a consumação final do casamento de Cristo com a Sua Igreja e você pode perceber termos comuns que ecoam em trechos similares e comparáveis, como nesses exemplos abaixo:

CÂNTICO DOS CÂNTICOS de Salomão. Esposa: Beija-me com os beijos de tua boca; porque melhor é o teu amor do que o vinho. Suave é o aroma dos teus ungüentos, como ungüento derramado é o teu NOME; por isso, as VIRGENS te amam. LEVE-ME COM VOCÊ! Vamos depressa!” (Cântico dos Cânticos 1:1-4a) Olhei, e eis o Cordeiro em pé sobre o monte Sião, e com Ele cento e quarenta e quatro mil, tendo na fronte escrito o Seu NOME e o NOME de Seu Pai. Ouvi uma voz do céu como voz de muitas águas, como voz de grande trovão; também a voz que ouvi era como de harpistas quando tangem a sua harpa. Entoavam NOVO CÂNTICO diante do trono, diante dos quatro seres viventes e dos anciãos. E ninguém pôde aprender o CÂNTICO, senão os cento e quarenta e quatro mil que foram comprados da terra. São estes os que não se macularam com mulheres, porque são VIRGENS. São eles os SEGUIDORES DO CORDEIRO POR ONDE QUER QUE VÁ.” (Apocalipse 14:1-4a)
Esposa: Eu dormia, mas o meu coração velava; eis a VOZ DO MEU AMADO, que está BATENDO: Esposo: ABRE-ME, minha irmã, querida minha, pomba minha, imaculada minha” (Cântico dos Cânticos 5:2a) Eis que estou à porta e BATO; se alguém ouvir a MINHA VOZ e ABRIR a porta, entrarei em sua casa e cearei com ele, e ele, Comigo.” (Apocalipse 14:1-4a)
O MEU AMADO É MEU, E EU SOU DELE; ele apascenta o seu rebanho entre os lírios.” (Cântico dos Cânticos 2:16) O vencedor herdará estas coisas, e EU LHE SEREI DEUS, E ELE ME SERÁ FILHO.” (Apocalipse 14:1-4a)

Eu poderia acrescentar muitos outros paralelos e similaridades, tais como os selos, as juras de amor, o casamento, entre outros, mas acredito que o meu ponto já está devidamente colocado.

Enfim, o livro de Cântico dos Cânticos possui muita riqueza para nos ensinar, desde os nossos relacionamentos conjugais até o nosso relacionamento com o SENHOR e isso em grande profundidade, além de vários outros aspectos proféticos e simbólicos que estão cifrados em todo o texto. Espero que você olhe para esse livro agora com outros olhos … olhos atentos, curiosos e de discernimento diante dos textos.

Que o SENHOR lhe ilumine e abençoe! 🙏❤️

Grande é Este Mistério – Cristo e a Igreja

Eu já escrevi anteriormente sobre o mistério que envolve o Aleph e o Tav ( את ) e existem diversas abordagens para a mesma, afinal como bem coloca o apóstolo Pedro: “… nenhuma profecia da Escritura provém de particular interpretação” (2 Pedro 1:20b), ou seja, tudo que você lê nas Escrituras possui mais de um significado, basta você se aprofundar. E isso não é diferente quando o assunto é a partícula “et” ( את, o Aleph e o Tav ) do hebraico, pois eu já abordei em artigos sobre a mesma das seguintes formas …

Enfim, poderíamos abordar vários pontos sobre essa partícula, mas neste artigo eu vou abordar o “et” ( את ) de maneira diferente, afinal como um marcador gramatical essa partícula é muito peculiar ao hebraico de tal maneira que, quando ela aparece nos textos das Escrituras, ela não é traduzida.

Curiosamente ela aparece como a quarta e novamente como a sexta palavra de Gênesis 1:1 ( misteriosamente cifrado no texto como “espelho” dos dias da criação apontando as duas vindas de Cristo, uma no quarto dia e outra no sexto dia ), o “e” ( vide imagem anterior ), para referenciar a Terra ligando-a aos céus, como o segundo objeto direto do ato criador de Deus. O “et” ( את ) está prefixado com a sexta letra “vav” ( ו ), que é traduzida como o conjuntivo “e” ( ואת ) que está escrito em hebraico.

Um significado estritamente relacionado ao “et” ( את ) é destacar palavras para uma ênfase especial com a implicação de que a essência ou a totalidade de algo está em vista. Este é um conhecimento comum entre os comentaristas cristãos e judeus, como é observado por Adam Clarke ( 1826 dC ) …

A palavra ‘et‘ ( את ), que é geralmente considerada como uma partícula, é frequentemente entendida pelos rabinos num sentido muito mais extenso. ‘A partícula‘, diz Ibn Ezra, ‘significa a substância da coisa‘. Uma definição similar é dada por Kimchi em seu livro ‘Book of Roots’. ‘Esta partícula‘, diz o Sr. Ainsworth, ‘tendo a primeira e a última letras do alfabeto hebraico nela, supostamente inclui a soma e a substância de todas as coisas.”

Essa tradição rabínica interpreta Gênesis 1:1 como “No princípio, criou Deus ‘et’ ( את ) – o Aleph Tav, a Essência de Tudo; o alfabeto com que disse Deus as palavras de poder que a tudo criou –  os céus e a terra“. Isso é mais coerente com a sua etimologia, como Ernest Klein explicou em seu abrangente Dicionário Etimológico da língua hebraica, onde ele remontou à raiz última do significado de “et” ( את ) como “um substantivo no sentido de ‘ser, essência, existência“. Definição essa que é um curioso eco de Hebreus quando se refere a Cristo, o Aleph e o Tav ( את )  …

Ele [ Cristo ], que É o resplendor da glória e a expressão exata do Seu Ser [ Substância/Ser do Pai ], sustentando todas as coisas pela palavra do Seu poder, depois de ter feito a purificação dos pecados, assentou-se à direita da Majestade, nas alturas” (Hebreus 1:3)

Isso significa que o Selo da Palavra de Deus ( את ) carrega a ideia da existência essencial … eterna …, do início e do fim, do primeiro e do último. O capítulo da criação, de Gênesis 1, expressa em seu texto ao final da narrativa da criação um exemplo desse significado, como está escrito …

Viu Deus tudo ( את-כל, et-kol ) quanto fizera, e eis que era muito bom. Houve tarde e manhã, o sexto dia. Assim, pois, foram acabadosכלה, kalah … mesma raíz de kol כל … tudo ) os céus e a terra e todo o seu exército.”  (Gênesis 1:31;2:1)

A expressão “et-kol” ( את-כל ) é formada no texto de Gênesis pela combinação de “et” ( את ) com “kol” ( כל ), a palavra hebraica padrão que significa o todo ou tudo. Ela é soletrada com as mesmas consoantes como o “ōt-kol”, o sinal de tudo, que é coerente, naturalmente, com o tópico preciso da passagem. Isso então revela a verdadeira essência do núcleo alfabético da Palavra de Deus.

O alfabeto hebraico é composto de 22 letras e se formos colocar essas letras dispostas em um círculo, simbolizando o início e o fim pela ordem das letras e mantendo a mesma disposição delas nesse círculo, nós teríamos o resultado como na imagem colocada no topo deste artigo. Onde o Aleph e o Tav se encontram no topo do mesmo. Observando a expressão para TUDO de Gênesis 1:31, “et-kol” ( את-כל ), vemos uma união das letras Aleph e Tav ( את ) juntas e do Kaph e o Lamed também juntos ( כל ) … observe na imagem abaixo que estas letras estão também juntas e diametralmente opostas na circunferência.

Seguindo a seta do centro da figura anterior, passamos pelas letras Aleph “א” – Tav “ת” – Kaph “כ” – Lamed “ל” e vemos que o “et-kol” ( את-כל ), que representa TUDO, é formado pelo entrelaçamento simétrico dessas duas palavras diametralmente opostas no Círculo Alfabético. Isto significa que o Sinal de Tudo é simetricamente soletrado no núcleo alfabético e, curiosamente, essa figura que tanto lembra o número 8 ( oito, símbolo de novos começos nas Escrituras ), quanto também o símbolo do infinito (  ) que é por vezes chamado de lemniscata. Isso tudo é resultado da maravilha interminável da Arte Teológica que Deus gravou com tanta habilidade no cerne das Escrituras por meio do idioma com o qual Se revelou nos textos bíblicos da criação de tudo e do Seu incrível plano de redenção.

O vínculo observado em Gênesis 1:31 entre TUDO ( “et-kol” את-כל ) e o TÉRMINO ( “kalah” כלה ), nos leva diretamente ao tema principal da Consumação do Plano das Eras de Deus. No versículo de Gênesis citado anteriormente, Deus usou a expressão “et-kol” ( את-כל ) em conjunto com o seu cognato “kalah” ( כלה ), que significa acabar, completar, terminar, trazer a um fim, estar completo, estar realizado. Exceto por pontos vocálicos, esta palavra é idêntica à “kallah” ( כלה ), que denota uma noiva ou esposa.

Este é o mistério divino da língua hebraica; Deus baseou a palavra para uma noiva (“kallah”) sobre a idéia de conclusão (“kallah”) para prefigurar o propósito final de toda a criação, como está escrito “Eis por que deixará o homem a seu pai e a sua mãe e se unirá à sua mulher, e se tornarão os dois uma só carne. Grande é este mistério, mas eu me refiro a Cristo e à igreja.” (Efésios 5:31,32).

E nenhum livro nas Escrituras fala tanto do relacionamento entre o noivo e a noiva, entre o esposo e a esposa quanto o livro de Cântico dos Cânticos, ainda mais especificamente nas passagens que levam ao ponto em que o Amado e a Sua Noiva consumam o Seu casamento, que é marcado pela frase “Já entrei no meu jardim” … e isso não é por acaso, pois o SENHOR Deus é o jardineiro que planta o Jardim do Éden em Gênesis 2:8 e Jesus é confundido com um jardineiro por Maria Madalena em João 20:15 …, por isso o texto de Cântico dos Cânticos é tão expressivo nesses termos, como está escrito …

Vem comigo do Líbano, noiva ( כלה kallah ) minha, vem comigo do Líbano; olha do cimo do Amana, do cimo do Senir e do Hermom, dos covis dos leões, dos montes dos leopardos. Arrebataste-me o coração, minha irmã, noiva ( כלה kallah ) minha; arrebataste-me o coração com um só dos teus olhares, com uma só pérola do teu colar. Que belo é o teu amor, ó minha irmã, noiva ( כלה kallah ) minha! Quanto melhor é o teu amor do que o vinho, e o aroma dos teus ungüentos do que toda sorte de especiarias! Os teus lábios, noiva ( כלה kallah ) minha, destilam mel. Mel e leite se acham debaixo da tua língua, e a fragrância dos teus vestidos é como a do Líbano. Jardim fechado és tu, minha irmã, noiva ( כלה kallah ) minha, manancial recluso, fonte selada. Os teus renovos são um pomar de romãs, com frutos excelentes: a hena e o nardo; o nardo e o açafrão, o cálamo e o cinamomo, com toda a sorte de árvores de incenso, a mirra e o aloés, com todas as principais especiarias. És fonte dos jardins, poço das águas vivas, torrentes que correm do Líbano! Esposa: Levanta-te, vento norte, e vem tu, vento sul; assopra no meu jardim, para que se derramem os seus aromas. Ah! Venha o meu amado para o seu jardim e coma os seus frutos excelentes! Esposo: Já entrei no meu jardim, minha irmã, noiva ( כלה kallah ) minha; colhi a minha mirra com a especiaria, comi o meu favo com o mel, bebi o meu vinho com o leite. Comei e bebei, amigos; bebei fartamente, ó amados.” (Cântico dos Cânticos 4:8-16;5:1)

Sem o conhecimento do Evangelho, a frase “minha irmã, noiva minha” pode parecer um pouco “fora de propósito” neste mais sagrado de todos os cânticos. Mas à luz da tipologia bíblica que aponta Cristo como nosso irmão ( Hebreus 2:11 ) e também como nosso noivo ( Apocalipse 21:9 ) e como nosso esposo ( 2 Coríntios 11:2 ), o texto termina por ficar em perfeita harmonia com o resto da sinfonia das Escrituras. Esta é a consumação do Plano de Deus para as Eras …

Alegremo-nos, exultemos e demos-lhE a glória, porque são chegadas as bodas do Cordeiro, cuja esposa a si mesma já se ataviou, pois lhe foi dado vestir-se de linho finíssimo, resplandecente e puro. Porque o linho finíssimo são os atos de justiça dos santos. Então, me falou o anjo: Escreve: Bem-aventurados aqueles que são chamados à ceia das bodas do Cordeiro. E acrescentou: São estas as verdadeiras palavras de Deus.” (Apocalipse 19:7-9)

Sim, vamos nos alegrar! Cantemos louvores ao nosso Pai Celeste, que “ocultou estas coisas aos sábios e instruídos e as revelou aos pequeninos” (Lucas 10:21) sobre o mistério da união de Cristo com a Sua noiva, a Igreja … os dois tornando-se “uma só carne” como está em Efésios 5:31 ecoando Gênesis 2:24 … vale notar que essa expressão “uma só carne” em hebraico está assim “לְבָשָׂ֥ר אֶחָֽד“, essa construção é curiosa, visto que é uma junção da palavra “אֶחָֽד” ( “’e·ḥāḏ.“, que significa um, unidade )  com o termo “לְבָשָׂ֥ר ( “lə·ḇā·śār“, que signifca carne ), sendo que esse último termo está com o prefixo lamedלְ” em conjunto com a palavra carneבשׁר” … podendo assim se observar duas palavras significativas nesse termo “לב” ( “leb“, coração ) e “שׁר” ( “sar“, governante, príncipe, soberano ) … analisando esses dados, quando o texto diz que os dois serão “uma só carne” ele indiretamente está dizendo que os dois estarão de tal modo em unidade que serão como “um coração que governa” ou como “um coração que domina soberanamente” … enfim reinaremos com Ele e seremos um com Ele como Ele é um com o Pai.

Como já apontava de maneira escondida em mistério no texto em hebraico de Gênesis 1:31;2:1 … que TUDO ( “et-kol” את-כל ) o que foi criado alcance o seu TÉRMINO/COMPLETUDE ( “kalah” כלהdeterminado pelo SENHOR Deus desde o princípio para o casamento de CRISTO ( o “Aleph e o Tav” את ) com a Sua NOIVA ( “kallah” כלה ), a Igreja, para então tornar-se definitivamente a Sua ESPOSA ( “kallah” כלה ) para um novo tempo ( Aleph “א” – Tav “ת” – Kaph “כ” – Lamed “ל”, o símbolo que aponta para novos começos … o 8 ) … e isso eternamente (  ) ! Amém!

As Escrituras e sua construção não são lindas e maravilhosas?! Louve ao SENHOR e ao Seu Santo Nome e diga em alta voz …

Vem depressa, amado meu” (Cântico dos Cânticos 8:14a)

Vem, Senhor Jesus!” (Apocalipse 22:20b)

Que o SENHOR lhe abençoe abundantemente e lhe encontre com muito azeite na vinda para as Bodas do Cordeiro! 🙏❤️

Em que ano do calendário divino realmente estamos?!

Pelo calendário judaico oficial nós estamos no ano 5779, mas é de amplo conhecimento que há uma diferença entre a contagem de anos do calendário judaico atual e o calendário gregoriano quando comparado a datas históricas e períodos entre elas, a questão é de quantos anos de diferença nós estamos falando, pois há vários fatores que levaram a esses anos “perdidos” ( eu abordei sobre essa diferença e os motivos relacionados em meu artigo intitulado “Ano de 5779 e os Anos Perdidos do Calendário“; para quem deseja maiores detalhes o artigo pode ser acessado aqui ).

Entretanto, existe uma outra maneira de comparar as cronologias rabínica e convencional, sendo que a data de início da reconstrução do segundo Templo na cronologia rabínica é tida como ocorrendo em 351 aC; o que nos leva para o ano de 421 aC como sendo a data da destruição do primeiro Templo … uma data reconhecida por muitos rabinos.

Considerando esses dados e a data de destruição do segundo Templo no ano 70 dC, temos então segundo a contagem rabínica 490 anos passados entre 421 aC até 70 dC ( um eco relacionado a profecia de 70 semanas de Daniel ). Porém, na cronologia convencional, o período de tempo entre a destruição do primeiro Templo até a destruição do segundo Templo vai de 586 aC até 70 dC, somando um período de 655 anos ( lembre que não existe ano zero ).

Com base nesses dados, temos que a diferença entre o calendário judeu atual e o calendário gregoriano convencional é, a grosso modo, de: 655 – 490 = 165 anos … portanto, observando essa diferença estaríamos no ano 5944 ( 5779 + 165 ), faltando algumas dezenas de anos para o marco emblemático de 6000 anos.

É claro que existem imprecisões em datas históricas mais antigas reconhecidas inclusive no calendário gregoriano, o que denota que esse valor de 165 anos pode ser um pouco maior ou um pouco menor … porém, qual a importância disso? O ponto é que o ano 6000 representa um marco profeticamente falando, visto que marcaria o fim do sexto dia ( vide Salmo 90:4 aplicado em Gênesis 1 ) e início do sétimo que seria o período de descanso e interpretado como sendo o período do Reino Milenar.

Embora muitos cristãos hoje sejam totalmente ignorantes deste cronograma, a criação em 7 dias de Gênesis 1 aponta para um plano de 7000 anos de Deus para a humanidade ( Isaías 46:9,10 ) e essa é uma doutrina amplamente conhecida e aceita pela igreja primitiva ( eu escrevi um artigo sobre essa questão aqui ). Cabe lembrar que o apóstolo Pedro reiterou este conceito em sua segunda epístola, advertindo-nos a não ignorar o fato de que “… para o SENHOR, um dia é como mil anos, e mil anos, como um dia” (2 Pedro 3:8). Muitos líderes cristãos têm ignorado isso, ensinando aos seus rebanhos que esses versículos apenas indicam que Deus vê o tempo de maneira diferente da nossa … porém, por mais verdadeiro que seja esse fato, isso não aborda a especificidade dos versos.

A Nova Enciclopédia Schaff-Herzog do Conhecimento Religioso afirma que “Os primeiros pais [da igreja] comumente entendiam o segundo advento como sendo no final de 6000 anos da história do mundo” (Vol. VII, p. 376). A Enciclopédia tira essa conclusão dos escritos de vários membros influentes da igreja primitiva, incluindo Irineu, Hipólito, Metódio, Comodiano, Lactâncio e o pseudo Barnabé. Judeus significativos também acreditavam em um cronograma de 7000 anos, conforme evidenciado por quatro ensinamentos ( de quatro rabinos ) registrados no Talmude. O antigo Livro dos Jubileus, que teve fragmentos de 16 cópias encontradas entre os pergaminhos do Mar Morto, indiretamente acrescenta apoio, salientando que Adão morreu apenas setenta anos antes de seu milésimo aniversário, e ligando isso à proclamação de Deus de que Adão morreria no mesmo dia em que ele comesse o fruto proibido (Jubileus 4:29,30). Em outras palavras, Adão viveu apenas 70 anos antes de um dia milenar.

O movimento de certos planetas também parece testemunhar a importância de um período de 6000 anos. Quinhentas revoluções de Júpiter ( o planeta interpretado como “planeta-rei” ) em torno do Sol equivalem a 6000 anos proféticos de 360 ​​dias ( perceba que o “ano profético” no livro de Daniel e de Apocalipse é de 360 dias … 1260 dias são 42 meses ). Novecentas e seiscentas revoluções de Vênus ( o planeta interpretado como do Messias encarnado com sua Noiva ) equivalem a 6000 anos proféticos. Duzentas revoluções de Saturno ( o planeta interpretado como da escravidão e destruição ) são apenas setenta anos antes dos 6000 anos proféticos. Setenta revoluções de Urano ( o planeta interpretado como do Céu ) levam 6000 anos proféticos, e a Bíblia indica que setenta é o número tradicional de nações pagãs depois de Babel ( vide as famílias de Gênesis 10 ). Isso tudo poderia ser coincidência, talvez … mas considerando o quanto outras informações Deus codificou nas estrelas e constelações que foram criados para sinais e tempos determinados pelo SENHOR, eu acredito que não existe “acaso” nessas questões.

Há muitos dados de apoio nas Escrituras que apontam para essa interpretação dos 6000 anos e período posterior do Reino Milenar, mas descrever isso em detalhes não caberia num artigo, estaria mais para alguns livros.

Quanto tempo falta então para o ano 6000 realmente? Seria esse o ano 5944? É difícil afirmar com certeza, inclusive o antigo Livro dos Jubileus possui uma profecia curiosa, mas pertinente e que vale a pena conhecer, pois já antecipava que se perderia a contagem correta dos anos no tempo do fim desta era …

E todos os dias do mandamento serão cinqüenta e duas [52] semanas de anos, e assim o ano inteiro é completo. [ 364 dias … 13 luas novas ( vide também Enoque 74:10,11 ) ]. Assim está gravado e ordenado nas tábuas celestes. E não deve ser negligenciado (este mandamento) nem sequer um ano nem de ano para ano. E ordene aos filhos de Israel que observem os anos de acordo com esse cálculo – trezentos e sessenta e quatro [ 364 ] dias – e constituirá um ano completo, e eles não deverão estragar esta [ contagem ] de tempo dos dias e das festas; porque tudo cairá sobre eles de acordo com o testemunho deles, e eles não deixarão nenhum dia de fora nem perturbarão nenhuma festa. Mas quando eles negligenciarem e não observarem-nas de acordo com os mandamentos dEle [ de Deus ], então eles perturbarão sua [ contagem ] de tempo e os anos ficarão movidos de sua ( ordem ). As estações e os anos ficarão com sua ordem violada [ desalinhados ]. E eles negligenciarão suas ordens. E todos os filhos de Israel esquecerão e não acharão o caminho dos anos, e esquecerão as luas novas, as estações e os sábados e eles seguirão erroneamente toda a ordem dos anos.” (Jubileus 6:30-34)

Não é isso o que vivemos agora? Não estamos meio que “perdidos” na contagem do tempo quando comparado aos eventos antigos? O calendário que usamos foi criado por ocidentais que se desvincularam da antiga maneira hebraica de marcar o tempo e, como resultado, estamos um pouco desequilibrados. O calendário romanizado opera com um ano de 365,25 dias, mas o calendário bíblico opera com um ano de 360 ​​dias mais quatro dias extracalares que não são contados e com ajustes para os seus ciclos e estações do ano. O Livro dos Jubileus, o Livro de Enoque e alguns dos escritos dos Essênios confirmam isso. A contagem do tempo foi “perdida”, por assim dizer, do que era para ter sido, dessa forma somente Deus sabe precisamente onde estamos na história.

Particularmente acredito que a cruz marcou a virada do quarto para o quinto dia e afirmo isso baseado no padrão definido para o Cordeiro Pascal, visto que Cristo foi o Cordeiro que foi morto antes da fundação do mundo, o que denota que o ano 6000, ou o fim do sexto dia, ocorrerá após 2000 anos da cruz de Cristo ( mais detalhes sobre isso no meu artigo intitulado “O Padrão do Cordeiro Pascal Cumprido na História”, cujo artigo pode ser acessado aqui ). Mesmo tendo essa informação sobre a cruz marcando a virada do quarto para o quinto dia, ainda assim não temos como precisar o ano adequadamente, pois devido aos problemas no próprio calendário gregoriano, ninguém sabe afirmar em que ano exatamente ocorreu a crucificação … uma pesquisa abrangente sobre o tema e você encontrará datas envolvendo desde 26 dC até 33 dC, sendo assim não temos como saber ao certo.

O fato é que esse tempo se aproxima e com ele aumenta a expectativa do retorno do Messias, então recomendo que aproveite ao máximo o tempo que nos foi dado para espalhar o Evangelho, porque não resta muito mais. Não precisamos ser como os israelitas ao pé do monte Sinai, que se cansaram de esperar que Moisés retornasse e, assim, caíram em falsa adoração e folia pecaminosa. Em vez disso, deveríamos ser como os bons servos que cuidam fielmente do dia-a-dia dos negócios de seu SENHOR até a Sua volta … afinal a segunda vigília está chegando ao fim e a terceira se aproxima ( vide Lucas 12:35-48 em conjunto com Salmo 90:4 )

Que o SENHOR lhe ilumine e abençoe grandemente! 🙏❤️

O que é o verdadeiro Sucesso?!


O que é o sucesso?! De forma simples, o sucesso está relacionado ao fato de se alcançar o êxito … mas qual o tipo de êxito ou sucesso que se deve buscar?! A grande maioria das pessoas entende que sucesso é sinônimo de riqueza, possuir muitos bens, conhecimento, fama, poder e similares, entretanto as Escrituras não suportam esse conceito, como está escrito …

Assim diz o SENHOR: Não se glorie o sábio na sua sabedoria, nem o forte, na sua força, nem o rico, nas suas riquezas; mas o que se gloriar, glorie-se nisto: em Me conhecer e saber que Eu Sou o SENHOR e faço misericórdia, juízo e justiça na terra; porque destas coisas Me agrado, diz o SENHOR.” (Jeremias 9:23,24)

Observe atentamente ao texto … riquezas ( bens ), sabedoria ( habilidades, conhecimento ), força ( poder, saúde ) … em nada disso nós podemos nos gloriar porque nada disso efetivamente possuímos ou vem unicamente de nós mesmos, pois a verdadeira riqueza procede do SENHOR e a Ele tudo pertence, a verdadeira sabedoria vem do Alto e não provém do homem, assim como a nossa força, poder e saúde só existem se o SENHOR, que é a Fonte da força e do poder, assim o permitir, do contrário nem respirar poderíamos, o que dizer então de tudo o mais … entretanto, é importante frisar que, apesar de tudo isso, há algo em que nós podemos nos gloriar … podemos nos gloriar em conhecer ao SENHOR e saber quem Ele É e o que lhE agrada.

O que é então esse “conhecer e saber“?! Conhecer é compreender, entender, discernir quem Deus ÉSaber é ter experiência com Ele, relacionamento, conhece-lO intimamente, fazer parte do Seu círculo íntimo. Conhecer e saber não tem nada a ver com ouvir falar de Deus, ou de conhecer os conceitos sobre Deus apenas intelectualmente … é algo muito mais profundo, pois requer relacionamento, intimidade, viver experiências pessoais com Ele e não viver das experiências dos outros.

Considerando então tudo isso … na minha perspectiva, o sucesso não está, de modo algum, atrelado ao nível de sabedoria ou ao saldo na conta bancária ou ao número de bens ou à fama e ao poder … o SENHOR, se ELE quiser, pode dar todas essas coisas em abundância como as deu a Salomão, a Abraão e outros … mas o verdadeiro sucesso está sim no nível de relacionamento e conhecimento profundo e íntimo com o SENHOR e em desfrutar da Sua presença para contemplar a beleza do SENHOR e manifestar em mim, cada dia mais, a grandeza do caráter do Altíssimo, sendo mais e mais parecido com Cristo e então cumprir os Seus propósitos que me foram designados!

É impossível de se alcançar ou de se construir esse verdadeiro sucesso, sem ter uma vida de oração, conversando com o SENHOR diariamente, de se buscar com anelo a santificação para que tenhamos o caráter de Cristo em nós e de se estudar continuamente as Escrituras … quem despreza ou coloca essas coisas em segundo plano não obterá esse êxito … não será de forma alguma bem-sucedido, mesmo que tenha abundância de riquezas, sabedoria ou poder.

Em vista de tudo isso é importante entender que nós podemos não ter riquezas, sabedoria humana, fama, poder … e ainda assim sermos muito bem-sucedidos do ponto-de-vista do SENHOR, que é o único que realmente importa; pois SE somosNova Criatura” …

SE fostes ressuscitados juntamente com Cristo, buscai as coisas lá do Alto, onde Cristo vive, assentado à direita de Deus. Pensai nas coisas lá do Alto, não nas que são aqui da terra; porque morrestes, e a vossa vida está oculta juntamente com Cristo, em Deus. Quando Cristo, que É a nossa vida, se manifestar, então, vós também sereis manifestados com Ele, em glória.” (Colossenses 3:1-4)

Que o SENHOR lhe abençoe e você alcance o verdadeiro sucesso! 🙏❤️

Mobília Adequada

Conta-se que, certa vez, um judeu americano em viagem, ao fazer uma visita a um amigo, estranhou que na casa do mesmo só havia uma mesa, uma cadeira e uma cama, e indagou: “onde está o resto dos seus móveis, as outras coisas de que precisa?”. A resposta foi uma pergunta: “E onde está a sua mobília?”. O visitante respondeu intrigado: “Eu sou um turista e não preciso de mobília, pois não vou parar muito tempo neste lugar”. Então o amigo sorriu e disse: “Eu também sou um turista aqui. Este mundo é somente o vestíbulo do mundo vindouro … e para um vestíbulo, essa mobília é bastante adequada”.

Quantos de nós somos capazes de perceber a vida aqui desta mesma forma?! As coisas que temos e que nos cercam, o que realmente elas representam para nós?! Em certo sentido, evitando cometer excessos ou ser extremista nessa questão, tolamente tentamos povoar a nossa “ante-sala”, nossa vida neste tempo, de bens materiais … carros, móveis, etc …, enquanto que pouco ou nada fazemos para nos prepararmos mais adequadamente para a nossa estadia permanente na “sala de estar” da vida eterna, o mundo vindouro!

Costumo dizer e lembrar que daqui nada podemos levar para o mundo vindouro, exceto o bem que aqui fazemos e as pessoas as quais conseguirmos ser um canal para que elas também possam seguir para o mundo vindouro que o SENHOR preparou para aqueles que foram “comprados a preço de sangue” por meio da cruz … sendo assim, recomendo que medite nisso, pois o meu Senhor e Salvador é o maior exemplo e a essência do que esta reflexão busca nos ensinar! Por isso Ele mesmo nos aconselhou …

Não acumuleis para vós outros tesouros sobre a terra, onde a traça e a ferrugem corroem e onde ladrões escavam e roubam; mas ajuntai para vós outros tesouros no céu, onde traça nem ferrugem corrói, e onde ladrões não escavam, nem roubam; porque, onde está o teu tesouro, aí estará também o teu coração.” (Mateus 6:19-21)

Que o SENHOR abençoe o seu dia! 🙏❤️

Atuação de Deus no Silêncio

Muitas vezes em nossa vida, a atuação de Deus é como no livro de Ester, onde Deus fica em silêncio, oculto … nem mesmo o Seu nome é mencionado diretamente … o mundo parece então perder a cor e o brilho, tudo fica cinza e lúgubre …

Contudo, assim como também é no livro de Ester onde o nome de Deus está efetivamente escondido, cifrado no texto, assim é em nossa vida quando se observa com o devido cuidado e atenção aos detalhes, então percebe-se as “mãos” e a “assinatura” do SENHOR por detrás das ações mais importantes que estão ocorrendo, por vezes Ele atua se contrapondo ao mal e em outras apoiando ao bem … tudo isso está atuando em conjunto para transformar uma situação que antes parecia agir inexoravelmente para lhe causar um grande mal, mas que na verdade terminará agindo em seu favor, fazendo-lhe um grande bem … mudando as trevas em luz … tornando aquilo que parecia ser uma sentença de maldição em uma grande benção sem medida!

Sei que muitas vezes, pelas situações que se colocam contra nós … e eu sei bem disso porque também tenho vivido situações assim …, a esperança parece desvanecer e uma solução parece difícil e muito distante, talvez até impossível … entretanto tenha ânimo e força … mantenha a fé e a confiança naquEle que TUDO pode e que atua em favor dos que nEle esperam!

Que o SENHOR lhe abençoe grandemente! 🙏❤️

Quando Estamos no Deserto

O deserto é um lugar de desolação e aridez, onde não há referências que nos possam dar uma direção certa, pois a paisagem se mostra sempre de um mesmo “vazio” de vida por todos os lados … a palavra “Deserto” em Português vem do Latim DESERTUS, que significa “lugar arruinado, árido”, literalmente “algo abandonado” e vem da palavra DESERTARE, ligado a DESERERE, “abandonar, esquecer, deixar de lado” … sendo assim o deserto é um lugar de esquecimento, de abandono, de fome e sede; associado tradicionalmente a habitação de animais perigosos e peçonhentos … lugar de demônios e de morte.

Quando você estiver no “deserto” de sua vida, onde você sente-se só, árido, desolado e perdido … sem referências ou caminhos para sair dele … saiba que uma das formas mais eficazes de você se guiar num deserto, e assim sair dele, é olhando para o céu. Os marcos e referências num deserto não estão em seu relevo, pois muitas vezes tudo parece igual, então nessas horas saber “ler” os caminhos apontados nos céus é de onde virá a direção certa! … tendo isso em mente, saiba que o céu revelou-se ao homem por meio da Palavra de Deus, portanto quando estiver passando por um deserto em sua vida, recomendo que você leia as Escrituras; nela você terá a direção certa para sair desse ambiente árido de deserto … a Palavra de Deus irá lhe proporcionar o alimento e a água necessários para que você consiga passar por essa dura ( e por vezes longa ) jornada no deserto em direção a um local de descanso, um lugar verdejante e irrigado por correntes de águas limpas e refrescantes, onde tudo aponta para a vida … e vida abundante!

Não por acaso, a palavra hebraica para deserto é מדבר “midbar” que vem da raiz דבר “dabar” que significa “palavra, fala, conversa” … isso nos aponta que o SENHOR permite muitas vezes estarmos passando por um “deserto” em nossas vidas … sozinhos e desorientados … para que possamos ouvir a Palavra do SENHOR, conversar com Ele, então iremos entender que tudo de que precisamos realmente é de Sua Palavra, nada além disso! Por meio da Palavra teremos a provisão e direção necessárias. Foi no deserto que Moisés falou com o SENHOR face-a-face, dessa forma é no deserto que devemos buscar a Face do SENHOR, ouvir a Sua Palavra e então falar-lhe face-a-face por meio de Cristo, pois Jesus é o verbo de Deus, a Palavra encarnada … Ele é o caminho da salvação, a verdade que nos liberta e a vida … vida eterna … vida abundante! … “Quem tem ouvidos [ para ouvir ], ouça!” (Mateus 13:9)

Que o SENHOR resplandeça a Sua Face sobre ti e lhe proporcione Sua Shalom ( paz, completude, bem-estar, segurança, saúde, prosperidade ) que excede a todo entendimento! 🙏❤️

Assim diz o SENHOR: ‘O povo que escapou da morte achou graça no deserto’. Quando Israel buscava descanso, o SENHOR lhe apareceu no passado, dizendo: ‘Com amor eterno Eu te amei; por isso, com bondade te atraí … Há esperança para o teu futuro’, declara o SENHOR.” (Jeremias 31:2,3,17a)