A Sabedoria do Alto

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A sabedoria, porém, lá do alto é, primeiramente, pura; depois, pacífica, indulgente, tratável, plena de misericórdia e de bons frutos, imparcial, sem fingimento.” (Tiago 3:17)

Como ressalta Tiago neste versículo, a sabedoria do Alto, aquela cuja fonte é o SENHOR, possui características próprias e muito distintas da carnal “sabedoria” humana. Observando o texto podemos destacar como ela se manifesta:

 

Pura

Isto é, “não contaminada”, sem qualquer defeito moral, sem motivos ulteriores, livre do “espírito faccioso”, livre de ambição humana, de autoglorificação. Não é algo meio bom, meio mau; porquanto isso não poderia mesmo descrever a verdadeira sabedoria.

Trata-se de uma expressão pura, do íntimo; não têm falhas ocultas. Essa é a sua qualidade primária; e dessa qualidade se originam todas as outras, conforme se vê na lista em sequência. Tal sabedoria é isenta das corrupções humanas, que fazem parte da sabedoria mundana; não conduz a qualquer facção (divisão) e nem à exaltação de um homem sobre outro; não contempla maldade moral, mas seu intuito constante é a prática do bem. É inocente de quaisquer motivos dúbios, e seu intuito é glorificar unicamente a Deus.

 

Pacífica

A sabedoria não é “contenciosa”, nem “facciosa” e nem “beligerante”. Não busca os seus próprios interesses, às expensas de outrem, conforme faz a carnal sabedoria humana. Pelo contrário, confere a paz; alimenta-se da harmonia. Em Provérbios 3:17 diz acerca da sabedoria: “Os seus caminhos são caminhos deliciosos, e todas as suas veredas, paz.”. Bem-aventurados são os pacificadores, porquanto serão chamados Filhos de Deus, conforme está escrito em Mateus 5:9.

 

Indulgente

No grego o termo é “επιεικης” (epieikes) que significa: razoável, cheio de consideração, moderado, apropriado, suave, equitativo, gentil … qualidades essas que homens facciosos e por demais ambiciosos não possuem. Antes, a sabedoria do homem espiritual é tratável, moderada, sem temperamento radical.

 

Tratável

No grego o termo é “ευπειθης” (eupeithes) que significa: disposto a ceder, complacente, o contrário de “obstinado”, que normalmente é o caráter dos homens por demais ambiciosos, que se tornam ditadores na igreja. Essa sabedoria é “aberta à razão”. Pode ver o ponto de vista  alheio, mudando suas próprias opiniões.

 

Plena de Misericórdia

Os homens por demais ambiciosos tendem para a crueldade e para o mau temperamento. A verdadeira sabedoria produz profundo sentimento de misericórdia no homem interior. Notemos que o homem verdadeiramente sábio será “pleno” de misericórdia, tal como Deus. Através de sua misericórdia nos é permitido continuar em nosso caminho, na direção de Deus e da verdade, apesar de nossas muitas quedas e erros.

O homem sábio segundo o mundo, entretanto, não demonstrará misericórdia com ninguém, e procura fazer nome para si mesmo, de modo brutal. Tal homem considera as pessoas como meros objetos a serem usados para sua própria satisfação e exaltação. Não tem espírito de amor e nem senso altruísta genuíno; é alguém completamente egocêntrico, e acredita que deveria ser o centro da vida de outras pessoas, igualmente. Fez de si mesmo um “deus”, e destronizou Deus, até onde diz respeito à sua própria pessoa. Tornou-se um ateu prático, a despeito das crenças que professe.  O indivíduo dotado de sabedoria falsa, outrossim, tem a boca cheia de maldição e amargura … arrogante …, mas o homem verdadeiramente sábio é cheio de misericórdia e aplica o princípio do amor cristão em sua vida diária, já o homem falsamente sábio nada dá, antes recolhe tudo quanto pode obter.

Se alguém supõe ser religioso, deixando de refrear a língua, antes, enganando o próprio coração, a sua religião é vã. A religião pura e sem mácula, para com o nosso Deus e Pai, é esta: visitar os órfãos e as viúvas nas suas tribulações e a si mesmo guardar-se incontaminado do mundo.” (Tiago 1:26-27)

 

De Bons Frutos

A sabedoria tem o caráter da misericórdia, cultivando o fruto do Espírito …

Mas o fruto do Espírito é: amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão, domínio próprio. Contra estas coisas não há lei.” (Gálatas 5:22-23)

Sendo assim, a sua vida é repleta de piedade, sendo transformada para receber a imagem moral de Cristo que é o supremo possuidor dessas qualidades. Neste caso, os “bons frutos” indicam as “boas obras”.

“E também faço esta oração: que o vosso amor aumente mais e mais em pleno conhecimento e toda a percepção, para aprovardes as coisas excelentes e serdes sinceros e inculpáveis para o Dia de Cristo, cheios do fruto de justiça, o qual é mediante Jesus Cristo, para a glória e louvor de Deus.” (Filipenses 1:9-11)

Os feitos de bondade e de misericórdia mui provavelmente estão em foco neste caso mencionado em Tiago 3:17.

 

Imparcial

Este adjetivo no grego é “αδιακριτος” (adiakritos) que significa literalmente “não-dividido em julgamento”, sem variação, sem ambiguidade. Provavelmente isso alude à situação dos versículos nono e décimo do capítulo 3 de Tiago, onde vemos os homens sem sabedoria a abençoarem a Deus e a amaldiçoarem aos homens. Essa palavra também pode subentender que o homem verdadeiramente sábio é livre de “incertezas” espirituais; e, nesse caso, a questão da “mente dúplice” (ânimo dobre), está em foco, tal como em Tiago 1:6-8.

Peça-a [a sabedoria], porém, com fé, em nada duvidando; pois o que duvida é semelhante à onda do mar, impelida e agitada pelo vento. Não suponha esse homem que alcançará do Senhor alguma coisa; homem de ânimo dobre, inconstante em todos os seus caminhos.” (Tiago 1:6-8)

O homem verdadeiramente sábio já se desfez da mente dúplice (ânimo dobre), entre as coisas terrenas e celestiais; vive exclusivamente para a dimensão eterna; e também pode julgar com imparcialidade, tratando dos homens com justiça e com honestidade.

 

Sem Fingimento

O homem verdadeiramente sábio não precisa ser “insincero”, e nem hipócrita, porquanto nada tem a ocultar, e não busca suas próprias vantagens. O vocábulo aqui usado é, especificamente, “sem hipocrisia”. Tal homem não precisa viver como um ator, desempenhando um papel falso, antes, vive na sinceridade. A sabedoria não opera por detrás de uma máscara, “supostamente para o bem dos outros”, como atuaram muitos líderes e mestres de outrora que foram exageradamente ambiciosos nas igrejas.

Feliz o homem que acha sabedoria, e o homem que adquire conhecimento; porque melhor é o lucro que ela dá do que o da prata, e melhor a sua renda do que o ouro mais fino. Mais preciosa é do que pérolas, e tudo o que podes desejar não é comparável a ela. O alongar-se da vida está na sua mão direita, na sua esquerda, riquezas e honra. Os seus caminhos são caminhos deliciosos, e todas as suas veredas, paz. É árvore de vida para os que a alcançam, e felizes são todos os que a retêm.” (Provérbios 3:13-18)

Os Livros no Céu

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Como Deus sabe o que temos feito? Deus é onipotente, onipresente e onisciente, desse modo Ele sabe de tudo. Mas mesmo assim o céu também possui inúmeros livros (talvez rolos ou alguma outra tecnologia que os lembre) com informações nos registros celestes. No céu, existem pelo menos cinco tipos diferentes de livros que registram informações sobre os que vivem na Terra.

O Livro dos Vivos

Há um Livro dos Vivos no céu, o qual alguns sugerem ser o mesmo que o Livro da Vida, que contêm os nomes dos justos. Entretanto, esse Livro dos Vivos parece ser um livro que revela o destino (propósito) de todos os humanos nascidos na Terra. Deus falou à Jeremias e disse: “Antes que eu te formasse no ventre materno, eu te conheci, e, antes que saísses da madre, te consagrei, e te constituí profeta às nações.” (Jeremias 1:5). Esse é um exemplo da presciência de Deus. Davi sabia sobre essa presciência quando escreveu:

Os teus olhos me viram a substância ainda informe, e no teu livro foram escritos todos os meus dias, cada um deles escrito e determinado, quando nem um deles havia ainda.” (Salmo 139:16)

Antes do nascimento físico de cada ser humano, há informações no céu acerca dos detalhes de cada pessoa viva, e é provável que isso inclua também o DNA e informações relacionadas. Esse é o Livro dos Vivos, e os detalhes de cada criança foram escritos antes de o infante ter sido formado no ventre (vide Sl 139:16). Deus não apenas conhecia você antes de você nascer, mas Ele também sabe o número de dias que você viverá! O próprio Deus tem um nome específico para cada pessoa e, quando entrarmos no reino celestial, Ele revelará nosso novo nome (vide Ap 3:12).

Às vezes, na Bíblia, Deus mudou o nome terreno de uma pessoa e deu-lhe um novo, com outro significado. Jacó teve seu nome mudado para Israel (Gn 35:10), Simão para Pedro (Mt 16:17-18), Saulo para Paulo (At 13:9) e Oséias para Josué (Nú 13:16).

Deixe-me adicionar que Deus criou você para ser diferente de qualquer outro ser humano que já viveu! Você tem um conjunto distinto de impressões digitais e pegadas que o identificam pessoalmente, assim como um DNA único, singular. Até o formato de seus dentes é distinto da forma de outros seres humanos com uma “assinatura” que é exclusivamente sua. Você tem um padrão de voz que um programa de computador pode identificar como sendo você mesmo e não alguém lhe imitando. Acredito que todas essas informações sobre você estão, devida e vastamente, registradas neste Livro nos céus.

O Livro da Vida

O vencedor será assim vestido de vestiduras brancas, e de modo nenhum apagarei o seu nome do Livro da Vida; pelo contrário, confessarei o seu nome diante de meu Pai e diante dos seus anjos.” (Apocalipse 3:5)

Esse livro, o Livro da Vida, é mencionado 12 vezes na Bíblia, em ambos os Testamentos. No Antigo Testamento é mencionado por Moisés (Êx 32:32-33), por Davi (Sl 69:28) e Daniel (Dn 12:1); no Novo Testamento é mencionado por Paulo (Fp 4:3) e por João no Apocalipse (Ap 22:18-19).

Trata-se de um livro ímpar que contém os nomes daqueles que arrependem-se de seus pecados e confiam em Deus para dar-lhes a salvação. Moisés sabia que nomes podiam ser adicionados ou apagados desse registro celeste. Quando Cristo tornou-se o Sumo Sacerdote no Templo Celestial e estava posicionado como o mediador entre Deus e o homem, o livro foi chamado de “O Livro da Vida do Cordeiro”, pois ele era chamado o “Cordeiro de Deus” (Jo 1:29, 36). É-nos dito que nomes estão inscritos ou registrados no Livro da Vida no céu (Lc 10:20). Para entrar na eternidade do Reino dos Céus, o nome de uma pessoa deve estar nesse livro:

E, se alguém não foi achado inscrito no Livro da Vida, esse foi lançado para dentro do lago de fogo.” (Apocalipse 20:15)

O Livro das Lágrimas

Há também um registro das lágrimas dos santos, como revelado no Salmo 56:8 … “Contaste os meus passos quando sofri perseguições; recolheste as minhas lágrimas no teu odre; não estão elas inscritas no teu livro?“. Na época de Cristo, havia pequenas garrafas de lágrimas que eram usadas para recolher as lágrimas dos homens e mulheres em um funeral. Elas eram recolhidas, colocadas nessas pequenas garrafas e seladas. A imagem nesse versículo é que Deus está atento a cada lágrima que derramamos. O Senhor disse: “… vi as tuas lágrimas …” (2 Reis 20:5). Nós sabemos que Deus está perto e atento àqueles que tem um “coração quebrantado e um espírito oprimido” (Sl 34:18).

O Livros das Lembranças

Então, os que temiam ao SENHOR falavam uns aos outros; o SENHOR atentava e ouvia; havia um memorial escrito diante dele para os que temem ao SENHOR e para os que se lembram do seu nome.” (Malaquias 3:16)

Em Malaquias, capítulo 3, o profeta estava lidando com a falta de obediência de Israel em contribuir com os dízimos e ofertas no Templo em Jerusalém. Ele os informou sobre a existência, no céu, de um livro especial que contém os nomes daqueles que temeram ao SENHOR, deram seus dízimos e ofertas e testemunharam a outros acerca de Deus e de Seu nome. Um exemplo desse livro é encontrado em Atos 10:1-4 …

Morava em Cesaréia um homem de nome Cornélio, centurião da corte chamada Italiana, piedoso e temente a Deus com toda a sua casa e que fazia muitas esmolas ao povo e, de contínuo, orava a Deus. Esse homem observou claramente durante uma visão, cerca da hora nona do dia, um anjo de Deus que se aproximou dele e lhe disse: Cornélio! Este, fixando nele os olhos e possuído de temor, perguntou: Que é, Senhor? E o anjo lhe disse: As tuas orações e as tuas esmolas subiram para memória diante de Deus.” (Atos 10:1-4)

Para o nome de uma pessoa ser registrado no Livro da Lembrança (Memorial), era necessário que ela fosse doadora (generosa), temesse a Deus e testemunhasse de Seu nome. Cornélio estava dando “muitas esmolas ao povo”; ele temia a Deus e estava em oração na época em que foi visitado. Suas orações e doações subiram perante Deus e o SENHOR, como resultado dessa fidelidade, honrou esse homem com uma benção especial sobre a sua família! Se você já se perguntou como Deus fica a par do dízimo, ofertas e caridade aos pobres, saiba que esses atos são registrados nesse Livro da Lembrança (Memorial).

O Livro do Galardão (Recompensa)

O quinto livro refere-se ao galardão de um cristão. Há registros no céu de nossos feitos e obras enquanto vivemos na Terra.

Um rio de fogo manava e saía de diante dele; milhares de milhares o serviam, e miríades de miríades estavam diante dele; assentou-se o tribunal, e se abriram os livros.” (Daniel 7:10)

Vi também os mortos, os grandes e os pequenos, postos em pé diante do trono. Então, se abriram livros. Ainda outro livro, o Livro da Vida, foi aberto. E os mortos foram julgados, segundo as suas obras, conforme o que se achava escrito nos livros.” (Apocalipse 20:12)

Nossos feitos incluem as palavras que proferimos. Cristo disse: “Digo-vos que de toda palavra frívola que proferirem os homens, dela darão conta no Dia do Juízo; porque, pelas tuas palavras, serás justificado e, pelas tuas palavras, serás condenado.” (Mt 12:36-37). Uma palavra frívola pode fazer alusão a algo inútil, ocioso e improdutivo. Essas são palavras que prejudicam as pessoas e afirmações que são inúteis e não produzem nenhum fruto espiritual. Palavras são muito importantes, pois “A morte e a vida estão no poder da língua; o que bem a utiliza come do seu fruto.” (Pv 18:21). Tiago deu uma série de instruções referentes ao poder da língua e à importância de um crente controlar o que diz. Ele disse: “Acima de tudo, porém, meus irmãos, não jureis nem pelo céu, nem pela terra, nem por qualquer outro voto; antes, seja o vosso sim sim, e o vosso não não, para não cairdes em juízo.” (Tiago 5:12). Lembre-se, se você não disser nada, você nunca terá que encarar as consequências! Cristo também fez uma admoestação a qualquer pessoa que usasse palavras que ofendessem a um pequenino (Mt 18:6) e àqueles que liderassem uma ofensa qualquer, criando um obstáculo para os outros (Mt 18:7).

Nosso julgamento no “bema” (Tribunal de Cristo) incluirá juízo sobre os feitos que realizamos enquanto vivemos em nossos corpos na terra, sejam eles bons ou ruins; vemos isso em Romanos 2:6 “… retribuirá a cada um segundo o seu procedimento“. A palavra grega para “procedimento” (εργονergon“) implica em “trabalho“. Ela faz alusão ao senso ético da ação humana, se bom ou ruim. Não é só o que você realizou na forma de trabalho, mas também a razão ética ou espiritual por trás do que você fez. Diríamos que foi a razão verdadeira pela qual você “trabalhou”; se os seus motivos foram egoístas, interesseiros e totalmente pessoais e voltados para o seu sucesso, então você recebeu sua recompensa aqui e não terá galardão no céu. Cristo revelou: “Guardai-vos de exercer a vossa justiça diante dos homens, com o fim de serdes vistos por eles; doutra sorte, não tereis galardão junto de vosso Pai celeste” (Mt 6:1).

Portanto, “trabalhai” de tal forma que naquele Dia você ouça do Senhor: “Muito bem, servo bom e fiel …” (Mt 25:21). Já ouvi muitos dizerem que não se importam em receber uma “coroa” ou “galardão” contanto que sejam salvos, mas se você observar o texto de Apocalipse, há menção dos 24 anciãos que lançam as suas coroas ao chão da sala do trono e começam a cantar uma canção de louvor ao Cordeiro. Sendo assim, uma “coroa” na cabeça de um cristão vencedor é um sinal eterno ao Senhor de que a pessoa usando a coroa amava tanto a Cristo enquanto vivia na Terra que ele ou ela de bom grado sacrificou tempo, finanças, orações e obras para ajudar outros a entrarem no Reino. Sem uma coroa, você não terá nada a apresentar a Cristo, nada para depositar a Seus pés e nada que demonstre por toda a eternidade a sua fidelidade ao Senhor! Por isso, sempre é bom lembrar …

… ninguém apareça de mãos vazias perante mim.” (Êxodo 23:15b) (Êxodo 34:20b) (Deuteronômio 16:16b)

* artigo adaptado por mim com base em material de Perry Stone.

As Cinco Coroas e Um Alerta

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Eu gosto de estudar e observar as Escrituras como um todo, também entendo que há livros mais “prediletos” por alguns e que estes mesmos acabam “desprezando” outros livros, mas considero isso um erro quando é algo extremado … visto que isso pode se tornar algo grave, pois ao desprezar textos a probabilidade de se incorrer em um erro de interpretação, ou de não conseguir uma melhor visão de um determinado assunto, aumenta consideravelmente, ou será que o SENHOR distribuiu e colocou livros que são “dispensáveis” nas Escrituras?! É óbvio que não! Certos temas dependem de um entendimento abrangente observando os textos do Gênesis ao Apocalipse para que certos contextos sejam entendidos em sua amplitude e para esse tema aqui o caso não é diferente.

Obviamente não pretendo neste artigo esgotar esse assunto, pois mesmo que eu escrevesse um livro precisaria de milhares de páginas, mas darei várias referências neste artigo, no entanto, não vou abordar muitas das parábolas relacionadas aos “talentos” e afins que Jesus explanou e que também se referem ao tema aqui abordado. Na atualidade, eu vejo muitos cristãos “fugindo” das questões de mérito e recompensas como se isso fosse algo antibíblico já que a “graça” denota que não temos mérito algum, pois o mérito é apenas Jesus … para fins de salvação é a mais pura verdade, o mérito nunca foi e nem será nosso nesse sentido, na verdade, nesse aspecto não há maior ou menor, pois todos alcançam a salvação pela misericórdia divina e pela graça através de Cristo. Mas também não se pode negar que mesmo Jesus falou que no Reino há maiores e menores (vide Mateus 5:19; Mateus 18; entre outros),  assim como galardões (recompensas) maiores e menores (vide Mateus 5:12; Lucas 6:23; entre outros) … gostem muitos disso ou não, esse tema é recorrente nas Escrituras em muitas passagens … afinal, Deus é bom e é galardoador (μισθαποδοτης “misthapodotes”; alguém que paga salário, recompensador) daqueles que O buscam (vide Hebreus 11:6)! Lembre também da parábola dos talentos em Mateus 25 e do que houve na distribuição final dos talentos … “Muito bem, servo bom e fiel; foste fiel no pouco, sobre o muito te colocarei; entra no gozo do teu senhor”. Sendo assim, é bom lembrar como não se deve apresentar-se diante do Rei do reis …

 ninguém apareça de mãos vazias perante mim.” (Êxodo 23:15b) (Êxodo 34:20b) (Deuteronômio 16:16b)

Há duas palavras gregas comuns para a palavra “coroa” na Bíblia. Uma palavra usada no Novo Testamento é a palavra “diadema” (διαδημα … ornamento real para a cabeça, coroa), encontrada no Apocalipse (Ap. 12:3; 13:1; 19:12). Esse vocábulo é utilizado para designar as coroas nas cabeças do dragão, as coroas dos dez reis no reino do Anticristo e as “muitas coroas” na cabeça de Cristo quando Ele retornar à Terra para estabelecer o Seu Reino. A palavra “diadema” (vide imagem abaixo) sempre refere-se à coroa de um rei ou de um dignatário imperial.

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A segunda palavra é a palavra grega “stephanos” (στεφανος … grinalda ou guirlanda que era dada como prêmio aos vencedores nos jogos públicos, aquilo que é ornamento e honra para alguém), que é a principal palavra usada para descrever as coroas que os cristãos receberão se forem achados fiéis (1 Ts 2:19; 2 Tm 4:8; Tg 1:12; Ap 2:10). A palavra vem de “stepho”, que significa “cercar, enrolar, torcer” e faz alusão à uma coroa de vencedor. No período Greco-Romano, essa coroa era dada ao vencedor dos jogos. Era tecida como uma grinalda de carvalho, hera, murta, ou mesmo folhas de oliveira, ou, em alguns casos, uma imitação desses componentes em ouro. Em lugar nenhum existe qualquer promessa de um diadema para o cristão, visto que há um só Rei dos reis merecedor de usar essa coroa de realeza e esse Rei é Cristo. No entanto, os cristãos receberão a “stephanos” (vide imagem abaixo), que é a recompensa para a pessoa que ganhava os jogos, participava da corrida e cruzava a linha de chegada.

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Há cinco tipos diferentes de coroas “stephanos” que são prometidas aos crentes como parte de seu pacote de “aposentadoria celeste”!

A Coroa Incorruptível

Não sabeis vós que os que correm no estádio, todos, na verdade, correm, mas um só leva o prêmio? Correi de tal maneira que o alcanceis. Todo atleta em tudo se domina; aqueles, para alcançar uma coroa [στεφανος “stephanos”] corruptível; nós, porém, a incorruptível.” (1 Coríntios 9:24-25)

A idéia de uma coroa incorruptível indica uma coroa que durará por toda eternidade. Essa coroa sugere uma recompensa que o cristão receberá e que sempre será um lembrete, pelos séculos, de que quem a usa foi fiel em sua vida terrena no propósito de seguir ao Senhor e ser obediente a Ele.

A Coroa de Júbilo

Pois quem é a nossa esperança, ou alegria, ou coroa [στεφανος “stephanos”] em que exultamos, na presença de nosso Senhor Jesus em sua vinda? Não sois vós? Sim, vós sois realmente a nossa glória e a nossa alegria!” (1 Tessalonicenses 2:19-20)

Essa coroa é frequentemente chamada de “coroa do vencedor”, visto que haverá um galardão especial para todos eles. Paulo estava falando à igreja em Tessalônica, Grécia, naquela que foi a primeira das treze cartas que ele escreveu no Novo Testamento. A carta é dividida em cinco capítulos e em cada capítulo o apóstolo faz alusão ao retorno de Cristo. Ele disse a essa igreja que, na vinda de Cristo, eles receberiam uma “coroa de júbilo”. Nós seremos recompensados pelas almas que houvermos ganho para Cristo e uma especial coroa de vencedor será dada a cada crente que foi um ganhador de almas.

A Coroa da Vida

Bem-aventurado o homem que suporta, com perseverança, a provação; porque, depois de ter sido aprovado, receberá a coroa [στεφανος “stephanos”] da vida, a qual o Senhor prometeu aos que o amam.” (Tiago 1:12)

Estudiosos identificam essa coroa com a coroa prometida em Apocalipse 2:10, que é a recompensa dos crentes que perseveraram e venceram as tentações e as provas. Quando Cristo advertiu: “Venho sem demora. Conserva o que tens, para que ninguém tome a tua coroa [στεφανος “stephanos”].” (Apocalipse 3:11); Ele estava admoestando a igreja de Filadélfia para que fosse fiel e suportasse os ataques do inimigo. Há uma coroa especial para aqueles que disciplinaram seus corpos, mentes e espíritos para seguir ao Senhor até o fim. É a coroa da vida.

A Coroa de Glória

Ora, logo que o Supremo Pastor se manifestar, recebereis a imarcescível (imperecível) coroa [στεφανος “stephanos”] da glória.” (1 Pedro 5:4)

Em 1 Pedro 5, o apóstolo Pedro estava falando aos anciãos e instruindo-os a permanecerem fiéis para abastecer o rebanho de cristãos, para não serem gananciosos por dinheiro e para serem um exemplo aos outros. Se forem encontrados fiéis, então, na vinda de Cristo, eles receberão uma “coroa de glória”. Essa coroa em particular é para aqueles que serviram como anciãos, pastores e bispos espirituais na vida dos cristãos, como um pastor cuidaria de suas ovelhas.

A Coroa da Justiça

Já agora a coroa [στεφανος “stephanos”] da justiça me está guardada, a qual o Senhor, reto juiz, me dará naquele Dia; e não somente a mim, mas também a todos quantos amam a sua vinda.” (1 Timóteo 4:8)

É interessante que Paulo menciona o fato da coroa ser concedida àqueles que “amam a Sua vinda”. Alguns poderiam pensar que todos os cristãos amariam a vinda do Senhor. No entanto, há alguns que alegam ser cristãos e que, na verdade, zombam e escarnecem da idéia de que Cristo está voltando (2 Pe 3:3-4). Outros ficarão “envergonhados na Sua vinda” (1 Jo 2:28). Para aqueles que anseiam por essa vinda, há uma coroa de justiça. Somente aqueles em aliança ativa com Cristo, que são constituídos pela justiça de Deus por meio de Cristo, receberão essa coroa especial.

Há sete bençãos, mencionadas por João em Apocalipse, capítulos 2 e 3, prometidas para aqueles que triunfam. As bençãos são:

  1. O vencedor comerá da árvore da vida no paraíso celestial de Deus (Ap 2:7)
  2. O vencedor não sofrerá a segunda morte. (Ap 2:11)
  3. O vencedor comerá o maná escondido e receberá um novo nome, escrito em uma pedra branca. (Ap 2:17)
  4. O vencedor receberá autoridade sobre as nações. (Ap 2:26)
  5. O vencedor não terá seu nome apagado do Livro da Vida. (Ap 3:5)
  6. O vencedor será um pilar no templo e receberá um novo nome. (Ap 3:12)
  7. O vencedor se assentará no trono de Cristo. (Ap 3:21)

Todas as bençãos acima são uma parte das recompensas que os cristãos receberão por servir a Deus fielmente.

Outras recompensas incluirão governar com Cristo sobre a terra, durante o reinado milenar (mil anos). Em Lucas 19, Cristo conta uma parábola sobre os servos que estavam recebendo recompensas por sua fidelidade. Com base no tempo e na renda que esses servos dedicados e leais investiram na obra do Senhor, foi-lhes conferido domínio sobre inúmeras cidades. No Apocalipse, todos os crentes são chamados de “reis e sacerdotes” e lhes é prometido “reinar sobre a terra” (Ap 5:10). Em vista disso, pode-se inferir que durante o milênio, haverá milhares de cidades nas quais os líderes serão estabelecidos para governar sobre regiões inteiras; esses governantes e reis serão os santos que viverem na Terra durante essa época.

Perdendo Seu Galardão

Há algumas coisas muito comoventes que estão ligadas ao julgamento no Tribunal de Cristo. Embora uma pessoa possa ter uma aliança redentora para estar nesse julgamento, haverá pessoas que perderão seu galardão eterno. Essa admoestação é encontrada ao longo de toda a Escritura, aqui um exemplo …

Venho sem demora. Conserva o que tens, para que ninguém tome a tua coroa [στεφανος “stephanos”].” (Apocalipse 3:11)

Cristo disse que ao ajudar os outros, você “de modo algum perderá o seu galardão” (Mt 10:42). À luz das admoestações para que não se perca o seu galardão e para que não se permita que outro tome a sua coroa, as advertências foram dadas a cinco das sete igrejas no Apocalipse, instruindo-as a se arrependerem de suas falhas espirituais e morais, ou enfrentarem consequências espirituais e de julgamento severas:

  1. “Lembra-te, pois, de onde caíste, arrepende-te e volta à prática das primeiras obras; e, se não, venho a ti e moverei do seu lugar o teu candeeiro, caso não te arrependas.” (Ap 2:5)
  2. “Portanto, arrepende-te; e, se não, venho a ti sem demora e contra eles pelejarei com a espada da minha boca.” (Ap 2:16)
  3. Eis que a prostro de cama, bem como em grande tribulação os que com ela adulteram, caso não se arrependam das obras que ela incita.” (Ap 2:22)
  4. “Lembra-te, pois, do que tens recebido e ouvido, guarda-o e arrepende-te. Porquanto, se não vigiares, virei como ladrão, e não conhecerás de modo algum em que hora virei contra ti.” (Ap 3:3)
  5. “Assim, porque és morno e nem és quente nem frio, estou a ponto de vomitar-te da minha boca;” (Ap 3:16)

No “Tribunal de Cristo” (vide 2 Co 5:10; Rm 14:10-12), todos os cristãos terão suas obras provadas por alguma forma de fogo, sendo assim recompensados (μισθος “misthos”) pelo que não se queimar, e as Escrituras são claras ao dizer que para alguns pode ocorrer de que nada restará … serão esses como que “salvos através do fogo“:

… se o que alguém edifica sobre o fundamento é ouro, prata, pedras preciosas, madeira, feno, palha, manifesta se tornará a obra de cada um; pois o Dia a demonstrará, porque está sendo revelada pelo fogo; e qual seja a obra de cada um o próprio fogo o provará. Se permanecer a obra de alguém que sobre o fundamento edificou, esse receberá galardão [μισθος “misthos”]; se a obra de alguém se queimar, sofrerá ele dano; mas esse mesmo será salvo, todavia, como que através do fogo.” (1 Coríntios 3:12-15)

 

* artigo adaptado por mim com base em material de Perry Stone.