Paralelo do Pentecostes na Antiga e Nova Aliança

 

No primeiro Pentecostes (Shavuot) do povo de Israel no deserto, após a entrega da Lei na Antiga Aliança, houve um juízo devido ao pecado do povo e cerca de três mil homens morreram …
 
… aos quais disse: Assim diz o SENHOR, o Deus de Israel: Cada um cinja a espada sobre o lado, passai e tornai a passar pelo arraial de porta em porta, e mate cada um a seu irmão, cada um, a seu amigo, e cada um, a seu vizinho. E fizeram os filhos de Levi segundo a palavra de Moisés; e caíram do povo, naquele dia, uns três mil homens.” (Êxodo 32:27,28)
 
Observando um paralelo profético …
 
No primeiro Pentecostes (Shavuot) da Igreja, após a descida do Espírito Santo, houve uma manifestação da graça na Nova Aliança e cerca de três mil pessoas aceitaram a palavra do evangelho e foram batizados, morrendo para o pecado e nascendo para uma nova vida através do Messias …
 
Então, os que lhe aceitaram a palavra foram batizados, havendo um acréscimo naquele dia de quase três mil pessoas.” (Atos 2:41)
 
A comparação não pode ser ignorada … a Lei sem o Espírito de Deus no homem fica restrita apenas às tábuas de pedra num coração também de pedra e assim ela se torna uma sentença de morte, mas com o Espírito de Deus habitando no homem que tem o coração mudado pelo evangelho (de carne), a Lei é levada ao coração e à mente e se torna decreto de vida abundante através de Cristo!
 
Vós sois a nossa carta, escrita em nosso coração, conhecida e lida por todos os homens, estando já manifestos como carta de Cristo, produzida pelo nosso ministério, escrita não com tinta, mas pelo Espírito do Deus vivente, não em tábuas de pedra, mas em tábuas de carne, isto é, nos corações.” (2 Coríntios 3:2,3)

 

 

Evidências do Pré-Milenismo nos Primórdios da Igreja

Os Seis Mil Anos e o Reino Milenar … uma abordagem de alguns dos pais da igreja e de pensadores cristãos da igreja em seus primórdios …

A idéia de que Jesus retornará para estabelecer o seu reino milenar no ano 6.000 é ensinada por vários pais da igreja antiga. A primeira vinda de Jesus ocorreu cerca do ano 4.000 segundo a contagem a partir da criação de Adão e Eva como descrito no livro do Gênesis. Estes pais da igreja antiga ensinaram que a Segunda Vinda ocorreria cerca de 2.000 anos depois da Primeira Vinda de Cristo. O descritivo mais detalhado está na Epístola de Barnabé que dedica um capítulo inteiro sobre esta questão.

Lembre-se, isso não significa que eles estavam corretos; mas se acreditavam e ensinavam isso; isto prova que antigos cristãos eram pré-milenistas. A seguir estão algumas citações sobre essa questão a partir de livros antigos. Naturalmente, devido aos calendários confusos e imprecisos, não podemos dizer com certeza quando o ano 6.000 ocorrerá. Um intervalo aproximado seria entre os anos 2.030 e 2.067, embora possa ocorrer ainda mais cedo ou até mais tarde, não se tem como saber ao certo.

Seguem algumas citações de conhecidos cristãos sobre o assunto em suas obras nos primórdios da Igreja:

  • Barnabé, Primeiro Século depois de Cristo

Portanto, crianças, em seis dias, ou em seis mil anos, todas as profecias serão cumpridas. Então ele disse: ‘Ele descansou no sétimo dia’. Isto significa que na Segunda Vinda de nosso Senhor Jesus, Ele destruirá o Anticristo, julgará os ímpios e mudará o sol, a lua e as estrelas. Então Ele descansará verdadeiramente durante o reinado Milenar, que é o sétimo dia“. ( Epístola de Barnabé 15:7-9 )

  •  Irineu, 180 dC …

O dia do Senhor é como mil anos; e em seis dias as coisas criadas foram completadas. É evidente, portanto, que elas chegarão ao fim no sexto milênio“. ( Contra Heresias, Livro 5, Capítulo 28 )

 

  • Hippolytus, 205 dC …

O sábado é um tipo do futuro reino … Porque ‘um dia para o Senhor é como mil anos’. Desde então, em seis dias o Senhor criou todas as coisas, segue-se que em seis mil anos serão cumpridos“. ( Fragmento 2, Comentário sobre Daniel 2.4 )

 

  • Commodianus, 240 dC … 

Seremos imortais quando os seis mil anos forem completados“. ( Contra os Deuses dos Pagãos, 35 )

A ressurreição do corpo será quando os seis mil anos forem completados, e após os mil anos [o reino milenar] o mundo chegará ao fim“. ( Contra os Deuses dos Pagãos, 80 )

 

  • Victorinus, 240 dC … 

Satanás ficará preso até os mil anos estarem finalizados; isto é, depois do sexto dia“. ( Comentário sobre Apocalipse 20.1-3 )

 

  • Metódio, 290 dC … 

No sétimo milênio seremos imortais e verdadeiramente celebraremos a Festa dos Tabernáculos“. ( Dez Virgens 9.1 )

 

  • Lactâncio, 304 dC … 

O sexto milênio ainda não está completo. Quando este número estiver completo, a consumação deve acontecer“. ( Institutas Divinas 7.14 )

 

  • Justino Mártir, 150 dC … 

Haverá um reinado literal de mil anos de Cristo“. ( Diálogo 81 )

 

No primeiro século, apenas Barnabé e Papias escreveram sobre a profecia bíblica …

O próprio Apóstolo João me ensinou que, depois da ressurreição dos mortos, Jesus reinará pessoalmente por mil anos“. ( Papias, Fragmento 6 )

Você pode perceber que sua esperança é vã. Além disso, o Senhor disse: ‘Eis que os que destruírem este templo, eles edificarão novamente uma vez mais‘. Esta profecia foi cumprida porque os judeus foram para a guerra contra o inimigo. Mas mesmo que agora não sejam mais que servos de Roma, eles retornarão e reconstruirão o templo. Foi revelado que a cidade de Jerusalém, o templo e o povo de Israel seriam abandonados“. ( Epístola de Barnabé 16:5-7 )

Papias foi abençoado por ter sido ensinado em profecia bíblica pelo Apóstolo João. Barnabé foi o primeiro a dizer-nos que os judeus iriam retornar à sua terra e reconstruir o seu templo de Jerusalém.

Teologias Loucas

Teologias que colocam em questão atributos perfeitos de Deus já saíram do campo da razão e da sabedoria, estão apenas se afundando no abismo da loucura.

Existem muitos movimentos que podem ser inseridos nesse meu pensamento descrito anteriormente, alguns causam mais danos do que outros, mas são todos perigosos. Um exemplo do que busco colocar pode ser observado nessa pequena dissertação que vou fazer a seguir  …

Abel, por sua vez, trouxe das primícias do seu rebanho e da gordura deste. Agradou-se o SENHOR de Abel e de sua oferta; ao passo que de Caim e de sua oferta não se agradou. Irou-se, pois, sobremaneira, Caim, e descaiu-lhe o semblante. Então, lhe disse o SENHOR: Por que andas irado, e por que descaiu o teu semblante? Se procederes bem, não é certo que serás aceito? Se, todavia, procederes mal, eis que o pecado jaz à porta; o seu desejo será contra ti, mas a ti cumpre dominá-lo.” (Gênesis 4:6,7)

Nós, seres humanos, … podemos ser, por vezes, inconsequentes, temperamentais, ilógicos até … mas tal comportamento você nunca poderá ver vindo do SENHOR, que é Único, Singularmente Perfeito em tudo.

Eu vejo muitos discutindo a forma de soberania de Deus e percebo em muitos estudiosos, mestres e teólogos o discurso do extremo no determinismo … deviam ouvir melhor o que o próprio SENHOR diz acerca dessas coisas e não ficarem criando celeumas no seio da igreja com objetivos meramente pomposos no intuito de satisfazer o próprio ego sobre teorias desconexas, permeadas de contradições e envoltas em discursos com mentiras disfarçadas de verdades … os velhos sofismas.

Quando o SENHOR diz algo do tipo: “o pecado jaz à porta; o seu desejo será contra ti, mas a ti cumpre dominá-lo”, estaria Ele falando algo para Caim do qual o mesmo não tivesse a capacidade de realizar? Estaria o SENHOR brincando sadicamente com Caim sobre algo do qual Caim jamais poderia vencer ou dominar? Quando o SENHOR diz para Caim que cumpria à ele dominar o seu próprio desejo, o SENHOR sabia que Caim tinha uma capacidade real e concreta para tal, e a escolha última seria unicamente dele nessa questão.

Alguns, de forma insensata, tratam a responsabilidade humana quase como algo inexistente, tão tênue que ela é quase imperceptível ou de nenhum valor, onde o autor último das ações recai sobre o próprio Criador devido a uma interpretação leviana da soberania, do determinismo … são loucos … não leem as Escrituras, esquecem propositadamente textos como Ezequiel 18, Ezequiel 33, entre tantas e tantas passagens onde a responsabilidade humana é enfatizada pelo próprio SENHOR; não é um homem ou outra criatura qualquer fazendo afirmações … nestes textos citados é o próprio Soberano quem faz essas afirmações acerca da responsabilidade humana … como então podem teólogos e outros, levianamente criarem discursos que vão de encontro às próprias palavras do Criador?!

Um homem verdadeiramente sábio, teria zelo e grande temor em fazer afirmações desse tom … mas eu vejo muitos fazendo … se utilizam de termos pomposos como “paradoxo”, “antinomia” e outros para buscar justificar o injustificável como sendo “aparentes verdades” … nada passam de sofismas altamente elaborados que, em última instância, apenas atacam o Santo e Imaculado caráter do Eterno e Soberano, o SENHOR, pois o fim destes sofismas e os seus mais variados argumentos terminam por colocar no colo de Deus a autoria da ação má, da escolha errada, do não domínio do desejo do homem que gera o pecado … tudo isso de forma sutil, claro … mas fazem isso sem temor algum do Altíssimo, e ainda querem se dizer sábios, conhecedores das Escrituras e do SENHOR … a verdade é que não O conhecem, talvez nunca O conheceram, pois no meio de toda pompa e argumentos, dizem sutilmente que duvidam do caráter do Criador e SENHOR de todas as coisas …

Em certas questões é simplesmente melhor dizer … “eu não sei” ou “ainda não compreendi e por isso não posso fazer afirmações” … do que buscar criar teses e argumentações que vão de encontro a verdades absolutas e bem estabelecidas … mesmo que o façam sutilmente, com aparente “humildade”, ainda é loucura e arrogância …

Que o SENHOR tenha misericórdia e traga à luz o que tem sido escondido debaixo de muitos sofismas.

Deus lhe abençoe!

Corações Duros

 

Os crentes em Cristo podem ter corações duros?! … Sim, infelizmente eles podem …

Quando os discípulos viram milagres, por exemplo, muitas vezes não os compreendiam porque “o seu coração estava endurecido” …

… porque não haviam compreendido o milagre dos pães; antes, o seu coração estava endurecido (πωρόω ‘poroo’).” (Marcos 6:52)

Jesus, percebendo-o, lhes perguntou: Por que discorreis sobre o não terdes pão? Ainda não considerastes, nem compreendestes? Tendes o coração endurecido (πωρόω ‘poroo’)?” (Marcos 8:17)

Eles tinham, de alguma forma, “perdido” a sensação de temor, surpresa e admiração pela Presença milagrosa do Senhor no meio deles.

Eles não esperavam os milagres porque as suas mentes estavam entorpecidas e incapazes de compreender a realidade (vide também João 12:40, Romanos 11:7, 2 Coríntios 3:14, todas estas passagens usando a mesma palavra grega para endurecido, πωρόωporoo”, que significa tornar o coração endurecido, insensível; recobrir com uma pele espessa, endurecer).

Jesus ligou essa dureza à cegueira, tanto física quanto espiritual … “Cegou-lhes os olhos e endureceu-lhes o coração, para que não vejam com os olhos, nem entendam com o coração, e se convertam, e sejam por mim curados.” (João 12:40).

Mesmo depois da ressurreição, Jesus repreendeu os seus seguidores mais próximos por sua incredulidade e dureza de coração (σκληροκαρδία “sklerokardia”), porque não acreditaram no testemunho de Maria Madalena e nas outras testemunhas de Sua ressurreição (veja Marcos 16:11-14).

Os discípulos, de alguma forma, “esqueceram” o ensinamento repetido de Jesus de que Ele deveria sofrer, morrer e ser ressuscitado no terceiro dia (veja Mateus 16:21 e Lucas 9:22).

Em vista disso, examine você o seu próprio coração, à luz do Espírito, buscando eliminar qualquer traço de dureza que possa estar lhe envolvendo, seja essa dureza devido aos tempos difíceis em que vivemos ou por você ter se “acostumado” a uma vida cristã cotidiana que já não se alegra ou se anima e se surpreende com as ações do SENHOR, por mais mínimas e comuns que elas possam parecer, mas que são milagres diários … tais como o nascer do sol, a chuva ou a nossa própria existência em si.

Lembre do perigo de se ter um coração endurecido, pois lhe cega o entendimento não apenas físico, mas também espiritual … e quando se anda como um cego, o risco de se cair em buracos ou abismos é muito maior!

Deus lhe ilumine e lhe abençoe grandemente!

Uma Interpretação Profética da Volta de Jesus em Josué

Há pouco mais de um mês eu publiquei um artigo chamado “As medidas do Tabernáculo de Moisés e os seus significados proféticos” (veja esse artigo aqui) e, anteriormente à este, eu havia também publicado um outro artigo relacionado, em setembro de 2016, que fazia uma divagação a partir dos dias da criação chamado “Em Que Época Vivemos” (veja esse artigo aqui). O assunto que vou abordar hoje está, de certa forma, relacionado a estes dois anteriores pelo motivo de que as suas informações se harmonizam aos dados mencionados neles.

Como mencionei no artigo “Em Que Época Vivemos”, muitos Rabinos e estudiosos entendem que estão designados à humanidade 6.000 anos antes do milênio de descanso, o sétimo. A base para esse pensamento vem tanto da questão dos dias da criação, onde cada dia representa mil anos (vide Salmo 90:4, “Pois mil anos, aos teus olhos, são como o dia de ontem que se foi e como a vigília da noite.“), como também vem da interpretação dos 120 anos mencionados em Gênesis 6:3 (“Por causa da perversidade do homem, meu Espírito não contenderá com ele para sempre; ele só viverá cento e vinte anos.”), onde os sábios interpretam que o SENHOR se referia a 120 anos “jubileu”, ou seja, 6.000 anos, sendo o sétimo milênio, um “sábado” de descanso … o Reino Milenar de Cristo. Existem outros textos e interpretações que também levam para essa mesma conclusão, mas não as vou abordar aqui.

Obviamente não há uma clareza quanto ao dia exato em que Jesus voltaria, e isso está bem claro nos textos dos evangelhos, mas ao contrário do que muitos pensam, podemos não saber a data, mas podemos saber a época, observando as Escrituras e aos sinais que nos foram dados, afinal nós somos filhos da luz e não deveríamos estar “no escuro” quanto a isso, como bem disse Paulo …

Irmãos, relativamente aos tempos (χρονος chronos) e às épocas(καιρος kairos), não há necessidade de que eu vos escreva; pois vós mesmos estais inteirados com precisão de que o Dia do Senhor vem como ladrão de noite. Quando andarem dizendo: Paz e segurança, eis que lhes sobrevirá repentina destruição, como vêm as dores de parto à que está para dar à luz; e de nenhum modo escaparão. Mas vós, irmãos, não estais em trevas, para que esse Dia como ladrão vos apanhe de surpresa; porquanto vós todos sois filhos da luz e filhos do dia; nós não somos da noite, nem das trevas. Assim, pois, não durmamos como os demais; pelo contrário, vigiemos e sejamos sóbrios.” (1 Tessalonicenses 5:1-6)

Tanto o SENHOR Deus definiu os tempos e as épocas com detalhes, que mesmo os demônios parecem saber sobre quando será essa época, e uma pista muito clara sobre isso pode ser lida nos evangelhos, aqui …

Tendo ele chegado à outra margem, à terra dos gadarenos, vieram-lhe ao encontro dois endemoninhados, saindo dentre os sepulcros, e a tal ponto furiosos, que ninguém podia passar por aquele caminho. E eis que gritaram: Que temos nós contigo, ó Filho de Deus! Vieste aqui atormentar-nos antes do tempo (καιρος kairos)?” (Mateus 8:28,29)

Perceba no texto que os demônios ficaram, de certa forma, surpresos … “Vieste aqui atormentar-nos antes do tempo?” … veja que o termo não é o grego “chronos” (χρονος), mas “kairos” (καιρος) que representa uma época … veja aqui a definição dada pelo dicionário Strong sobre o termo “kairos“:

1) medida exata; 2) medida de tempo, maior ou menor porção de tempo; tempo fixo e definido, tempo em que as coisas são conduzidas a crise, a esperada época decisiva. … Ou seja, pelos termos utilizados, essa época não era a que Jesus veio em sua primeira vinda, mas o texto dá a entender de ser uma época futura e conhecida, tanto que os demônios parecem “surpresos”.

Eu acredito que existem muitos textos que apontam para essa época nas Escrituras, por isso citei esses dois artigos anteriores. Aqui eu vou mostrar mais um texto sobre essa mesma época, usando agora um trecho do livro de Josué, acompanhe comigo e eu colocarei a interpretação logo em seguida …

Sucedeu, ao fim de três dias, que os oficiais passaram pelo meio do arraial e ordenaram ao povo, dizendo: Quando virdes a arca da Aliança do SENHOR, vosso Deus, e que os levitas sacerdotes a levam, partireis vós também do vosso lugar e a seguireis. Contudo, haja a distância de cerca de dois mil côvados entre vós e ela. Não vos chegueis a ela, para que conheçais o caminho pelo qual haveis de ir, visto que, por tal caminho, nunca passastes antes.” (Josué 3:2-4)

Sabemos que o Antigo Testamento possui histórias e textos que representam “sombras” do que ocorreu no tempo de Jesus e profecias do fim dos tempos. Uma dessas “sombras” era a própria Arca da Aliança, que muitos teólogos e estudioso interpretam como sendo uma figura, uma simbologia de Jesus, o Messias. O meu objetivo aqui não é ilustrar os mais variados motivos desta simbologia para não alongar demais esse artigo, mas é curioso o fato de que após 3 dias a Arca iria à frente do povo como um guia para a Terra Prometida, por um caminho pelo qual eles nunca haviam passado antes, conforme informa o texto de Josué. E o texto também menciona que o povo deveria ficar distante dela, da Arca, por cerca de 2.000 côvados.

Sabemos que o côvado era majoritariamente usado como medida de distância, mas poderia também o côvado ser usado como medida de tempo?! Bem, observando as próprias Escrituras … sim … Jesus mesmo faz uma aplicação desse tipo, apesar de não ser específico sobre o quanto de tempo a que se refere, mesmo assim a parte importante de sua aplicação é o uso do côvado também como unidade de tempo, como está escrito:

Qual de vós, por ansioso que esteja, pode acrescentar um côvado ao curso da sua vida?” (Mateus 6:27)

Sendo assim, usando as simbologias e os dados do texto, vou inferir a seguinte interpretação do texto de Josué acima citado … após 3 dias (“ao fim de 3 dias“) quando Jesus (“a arca da Aliança“) ressuscitou, ele subiu aos céus indo à frente de nós, o Seu povo, a Igreja, por um caminho que não conhecemos e que leva à “Terra Prometida”, ao mundo vindouro, mas nós somente iremos chegar nesse mesmo destino que Ele após cerca de 2.000 anos depois de Jesus (“haja a distância de cerca de dois mil côvados entre vós e ela“).

Muitas vezes esse número (cerca de 2.000 anos) aparece nos textos das Escrituras, como eu já mencionei nos artigos referenciados anteriormente e também, para relembrar, em alguns textos que se tornam emblemáticos quando usamos o Salmo 90:4 como “chave” para interpretação (“Pois mil anos, aos Teus olhos, são como o dia de ontem que se foi e como a vigília da noite.”) …

Vinde, e tornemos para o SENHOR, porque Ele nos despedaçou e nos sarará; fez a ferida e a ligará. Depois de dois dias, nos revigorará; ao terceiro dia [milênio], nos levantará, e viveremos diante dEle. Conheçamos e prossigamos em conhecer ao SENHOR; como a alva, a Sua vinda é certa; e Ele descerá sobre nós como a chuva, como chuva serôdia que rega a terra.” (Oséias 6:1-3)
 
Bem-aventurados aqueles servos a quem o SENHOR, quando vier, os encontre vigilantes; em verdade vos afirmo que Ele há de cingir-se, dar-lhes lugar à mesa e, aproximando-se, os servirá. Quer Ele venha na segunda vigília, quer na terceira, bem-aventurados serão eles, se assim os achar.” (Lucas 12:37-38)
 
Estamos vivendo em uma época muito interessante, pois já fazem pouco mais de 2.000 anos que Jesus nasceu e logo fará 2.000 anos de Sua morte e ressurreição … não há uma data certa ou dia que possamos afirmar com certeza, mas se a interpretação dos cerca de 2.000 anos que vem de vários textos, além deste de Josué, for uma interpretação correta, podemos afirmar que vivemos num época muito, muito interessante e que pode sim ser marcada com a volta do Senhor … afinal não devemos ser pegos de surpresa, como bem colocou Paulo em Tessalonicenses … a não ser que você não seja filho da luz ou não esteja interessado realmente na volta de Jesus!

 

Jesus, o nosso “hupogrammos” …

Quando uma palavra grega aparece uma única vez em TODO o Novo Testamento, isso é uma característica em si suficiente para se estudar o seu significado e contexto mais à fundo, ainda mais quando ela está diretamente relacionada ao nosso Salvador, Senhor e Messias, Jesus. Abaixo segue o texto e a palavra em questão …

Porquanto para isto mesmo fostes chamados, pois que também Cristo sofreu em vosso lugar, deixando-vos exemplo (υπογραμμος hupogrammos) para seguirdes os Seus passos” (1 Pedro 2:21)

Nesta versão, e em muitas outras, o tradutor optou por traduzir “hupogrammos como “exemplo“, mas o significado é muito mais profundo e abrange ainda maiores implicações ao texto. Tecnicamente o termo grego “hupogrammos” (υπογραμμος), é uma palavra composta por dois termos gregos “υπο hupo” (sob, por debaixo) e “γραφω grapho” (escrever, com referência a forma das letras e/ou ao seu conteúdo), o que portanto significa: uma cópia escrita, que inclui todas as letras do alfabeto, dada aos iniciantes como uma ajuda para aprender a como desenhá-los.

Em termos simples para os dias de hoje, é como a criança ou o novato que está aprendendo a escrever as letras do alfabeto e precisa de um “molde” que esteja “por debaixo” para ele seguir com o lápis (vide imagens anteriores) e assim aprender como desenhar as mesmas, pois era essa a forma mais comum usada para se alfabetizar as pessoas no idioma grego nos tempos de Jesus. Por isso Pedro, inspirado pelo Espírito, faz uso desse termo no texto acima mencionado.

Sabendo agora disto, podemos expandir o significado do texto, pois segundo nos coloca Pedro, Jesus é o nosso “hupogrammos”. Jesus deixou-nos, através das Escrituras, um “hupogrammos” (um modelo escrito) pelo qual nós devemos “desenhar” todo o resto. A vida de Cristo é a vida, o hupogramos, sobre o qual nós devemos “desenhar” toda a nossa vida.

Sendo assim, as ações da vida do Messias são os hupogrammos das ações que devem delinear as nossas ações e reações de vida; os pensamentos de Jesus são os pensamentos hupogrammos que nós devemos ter; o caminho hupogrammos que Ele seguiu é o caminho que nós temos de seguir; o Seu amor é o hupogrammos do amor que nós devemos sentir … enfim, a nossa vida como um todo, em TODOS os seus aspectos, devem seguir “à risca o modelo dos passos já deixados pelo nosso Salvador e Senhor … Jesus é o hupogrammos de sua vida.

Sede, pois, imitadores de Deus, como filhos amados; e andai em amor, como também Cristo nos amou e se entregou a si mesmo por nós, como oferta e sacrifício a Deus, em aroma suave.” (Efésios 5:1,2)

Entenda, você não pode seguir aquilo que desconhece, não há como seguir um caminho se você não sabe onde ele está. O quanto você conhece das Escrituras? Quão familiarizado está você com os pensamentos, palavras, sentimentos e ações de Jesus? É por isso que Jesus, em João 15, é tão enfático em dizer que as palavras dEle (seu hupogrammos), devem, precisam estar em nós, do contrário não temos parte com Ele.

Eu sou a videira, vós, os ramos. Quem permanece em mim, e eu, nele, esse dá muito fruto; porque sem mim nada podeis fazer. Se alguém não permanecer em mim, será lançado fora, à semelhança do ramo, e secará; e o apanham, lançam no fogo e o queimam. Se permanecerdes em mim, e as minhas palavras permanecerem em vós, pedireis o que quiserdes, e vos será feito. Nisto é glorificado meu Pai, em que deis muito fruto; e assim vos tornareis meus discípulos.” (João 15:5-8)

Deus, o nosso Pai Celeste, quando enviou o Seu Filho para este mundo, não apenas nos deu o meio de resgate da morte e do inferno por meio dEle, mas através do Filho, também nos ensinou como devemos nos portar e ter uma vida que O agrade e que lhE dê prazer, para sermos então verdadeiramente como filhos do Altíssimo, seguindo uma vida nos mesmos moldes da vida do Seu Filho. Jesus não apenas caminhou entre nós, Ele deixou o rastro de todas as marcas desse caminho para que sigamos em nossas vidas também pelo mesmo caminho, desde os nossos pensamentos, palavras e sentimentos até as nossas ações e reações. Portanto, analise a sua vida em todos os seus aspectos e veja se a sua “caneta” ainda está seguindo as mesmas “linhas” deixadas por Jesus, caso não esteja, recomendo corrigir o quanto antes!

Deus lhe abençoe e lhe faça transbordar do pleno conhecimento da Sua vontade, em toda a sabedoria e entendimento espiritual; a fim de que você viva de modo digno do Senhor, para o Seu inteiro agrado, frutificando em toda boa obra e crescendo no pleno conhecimento de Deus!!!

 

… e [Deus] lhe soprou nas narinas o fôlego de VIDAS …

Muitos estão familiarizados com o texto que fala da criação do homem …

Então, formou o SENHOR Deus ao homem do pó da terra e lhe soprou nas narinas o fôlego de vida, e o homem passou a ser alma vivente.” (Gênesis 2:7)

O que se perde na tradução é que o termo hebraico חיchay” que significa “vida“, no texto original está escrito assim “חַיִּ֑ים“, no plural, e significa “vidas” (“chayim“). Portanto, se for traduzir literalmente, seria algo assim:

Então, formou o SENHOR Deus ao homem do pó da terra e lhe soprou nas narinas o fôlego de vidas (חַיִּ֑ים) e o homem passou a ser alma vivente.” (Gênesis 2:7)

Ao contrário do termo hebraico “morte” (מותmaveth“) que está no singular, o termo relacionado à “vida” (חַיִּ֑ים “chayim”) é plural. O que isso significa? Eu poderia fazer várias digressões sobre o tema, mas não quero estender demais a questão … em Deus, limitada é a morte, portanto, a morte é finita. Em vista disso, ao homem está destinado apenas uma morte, como está escrito …

E, assim como aos homens está ordenado morrerem uma só vez, vindo, depois disto, o juízo,” (Hebreus 9:27)

Dessa forma, em Deus não é a vida que é limitada, mas sim a morte, e a morte não é o que vai durar para sempre, mas sim a vida, pois a morte terá um fim. O fato de a palavra vida (חַיִּ֑ים “chayim“) no texto estar no plural, denota que a vida é para além da vida … e como está escrito:

… Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida; … ” (João 14:6)

Jesus é a vida, mas em hebraico Ele é חַיִּ֑ים chayim“. Ele é a vida que não tem fim. Por isso a morte, que é limitada, não conseguiu vencê-lO, porque חַיִּ֑ים “chayim” (vidas) é maior do que מותmaveth” (morte); e também por isso Jesus afirmou com tanta convicção …

Eu sou a ressurreição e a vida. Quem crê em mim, ainda que morra, viverá;” (João 11:25b)

A vida é maior do que a morte … Jesus é maior do que a morte ( recomendo também que leia esse outro artigo sobre o mistério de Isaías 53:9 que irá lhe acrescentar ainda mais sobre tudo o que já leu, clique aqui ) … por isso a morte não pôde segurá-lO, como está escrito …

Varões israelitas, atendei a estas palavras: Jesus, o Nazareno, varão aprovado por Deus diante de vós com milagres, prodígios e sinais, os quais o próprio Deus realizou por intermédio dele entre vós, como vós mesmos sabeis; sendo este entregue pelo determinado desígnio e presciência de Deus, vós o matastes, crucificando-o por mãos de iníquos; ao qual, porém, Deus ressuscitou, rompendo os grilhões da morte; porquanto não era possível fosse Ele [Jesus] retido por ela.” (Atos 2:22-24)

Dessarte, matastes o Autor da vida, a quem Deus ressuscitou dentre os mortos, do que nós somos testemunhas.” (Atos 3:15)

E nós, que nascemos de Deus, somos então de “chayim”; sendo assim somos o povo de vidas. Portanto, não participe de qualquer coisa que tenha a ver com a morte. Não tenha parte com o pecado ou a escuridão. Porque você é de Jesus, de “chayim“, a vida sem fim!

Destruirá neste monte a coberta que envolve todos os povos e o véu que está posto sobre todas as nações. Tragará a morte para sempre, e, assim, enxugará o SENHOR Deus as lágrimas de todos os rostos, e tirará de toda a terra o opróbrio do Seu povo, porque o SENHOR falou. Naquele dia, se dirá: Eis que este é o nosso Deus, em quem esperávamos, e Ele nos salvará; este é o SENHOR, a quem aguardávamos; na Sua salvação exultaremos e nos alegraremos.” (Isaías 25:7-9)

Eis que vos digo um mistério: nem todos dormiremos, mas transformados seremos todos, num momento, num abrir e fechar de olhos, ao ressoar da última trombeta. A trombeta soará, os mortos ressuscitarão incorruptíveis, e nós seremos transformados. Porque é necessário que este corpo corruptível se revista da incorruptibilidade, e que o corpo mortal se revista da imortalidade. E, quando este corpo corruptível se revestir de incorruptibilidade, e o que é mortal se revestir de imortalidade, então, se cumprirá a palavra que está escrita: Tragada foi a morte pela vitória. Onde está, ó morte, a tua vitória? Onde está, ó morte, o teu aguilhão?” (1 Coríntios 15:51-56)