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O Ano de 2017 … 

O ano de 2017 que se aproxima é repleto de aniversários curiosos e significativos, entre outros dados que mostram que talvez seja um ano … “marcante”:

– Em 2017 serão 800 anos da profecia de Judah ben Samuel sobre os 10 jubileus, feita em 1217.
– Em 2017 serão 500 anos desde que começou o último Califado Muçulmano, o qual tomou Jerusalém em 20 de Março de 1517.
– Em 2017 serão 500 anos da Reforma Protestante, onde Lutero publicou suas 95 teses em 31 de outubro de 1517.
– Em 2017 serão 120 anos do Primeiro Congresso Sionista ocorrido em 29 de agosto de 1897.
– Em 2017 serão 100 anos da Declaração de Balfour, escrita em 2 de novembro de 1917 e da libertação de Jerusalém das mãos dos Otomanos pelos Ingleses.
– Em 2017 serão 70 anos do Estado de Israel, promulgado através da resolução 181 da ONU em 29 de novembro de 1947 (Plano de Partilha da Palestina). Em 14 de maio de 1948 ocorreu a Independência de Israel.
– Em 2017 serão 50 anos da retomada completa do controle de Jerusalém por Israel após a Guerra dos Seis Dias ocorrida de 5 a 10 de junho de 1967.
– Em 2017 é o último ano referenciado pela profecia dos 10 jubileus, que já teve seus cumprimentos em 1517, 1917, 1967 …
– Em 2017 ocorrerá um evento astronômico que lembra a figura descrita em Apocalipse 12, da “mulher vestida do sol com a lua debaixo dos pés e uma coroa de doze estrelas na cabeça”, pois em 23 de setembro de 2017 a constelação de virgem, vista a partir de Jerusalém, terá uma formação similar. Não estou afirmando que Apocalipse 12 se refira a isso, mas a semelhança é digna de nota.
– Curiosamente o ano de 2017 também possui interseção com o ano judaico de 5777 (que começa em 03 de outubro de 2016) e o número 7 é significativo para quem conhece as Escrituras, ainda mais quando aparece 3 vezes ( 777 ).

Obviamente eu não posso afirmar com certeza que algo de proporções históricas irá acontecer em 2017, pois eu não tenho nem permissão e nem autoridade para fazer afirmações diretas. Mas eu posso fazer essa seguinte especulação a partir dos padrões vistos no passado, pois em 1517, 1917, 1947 e 1967, que foram anos importantes relacionados a Jerusalém (e Israel indiretamente), são todos anos relacionados a guerras que prenunciaram os eventos ocorridos nesses anos conforme descrito abaixo:

– Em agosto de 1516 houve uma guerra no Oriente Médio, não muito longe de Aleppo, que permitiu aos Otomanos tomarem Jerusalém em 1517.
– Em 1914 iniciou a Primeira Guerra Mundial que preparou todo o cenário necessário para a tomada de Jerusalém pelos Ingleses em 1917 e para a Declaração de Balfour.
– Em 1939 iniciou a Segunda Guerra Mundial que preparou todo o cenário que culminou na criação do Estado de Israel em 1947.
– Em 1967 ocorreu a Guerra dos Seis Dias que levou Jerusalém a ser completamente controlada por Israel novamente após quase 2000 anos.
– Estamos em 2016 e 2017 tem todos esses “aniversários” e “marcos” acima descritos … caso o padrão se mantenha, isso indique que talvez vejamos algo ocorrendo, quem sabe uma guerra ainda em 2016 ou mesmo em 2017 como prenúncio de algo significativo que ocorrerá … ou talvez nada significativo ocorra … só o tempo dirá …

Foto de Dionei Vieira.

Fonte: Dionei Vieira – O ano de 2017 que se aproxima é repleto de…

O Aleph e o Tav (את) no Livro de Rute (רות)

Eu já escrevi anteriormente um artigo abordando sobre o Aleph e o Tav (את) e as suas milhares de ocorrências nas Escrituras, assim como o quanto isso também aponta para o Messias (leia esse artigo aqui, eu recomendo a leitura para que você compreenda melhor as referências deste artigo), visto que em Apocalipse 1:8 diz, “Eu sou o Alfa e Ômega, diz o Senhor Deus, aquele que é, que era e que há de vir, o Todo-Poderoso.“, Deus declara-se como o princípio e o fim e, em Apocalipse 22:13 diz, “Eu sou o Alfa e o Ômega, o Primeiro e o Último, o Princípio e o Fim.“, onde no último capítulo da Bíblia, Jesus (Yeshua) revela-se também como o Alfa e o Ômega, mas lembre que o idioma original é em hebraico, portanto, originalmente ele disse que era o Aleph e o Tav (את).  Agora vamos ver a implicação que isso tem na bela história de redenção descrita no livro de Rute, considerada como uma simbologia da redenção nossa pelo SENHOR que ocorreria através de Cristo posteriormente.

O Livro de Rute não cita especificamente quem é o seu autor, mas segundo a tradição o autor que teria escrito o Livro de Rute seria o Profeta Samuel. O nome de Rute em hebraico, “רות (Ruwth)”, significa amizade ou companheira. A data exata em que o livro foi escrito é incerto, mas a visão predominante é que ocorreu em algum momento entre 1011 e 931 a.C..

O nome de Ruth é usado 12 vezes no livro e, nas primeiras 10 vezes, o nome dela é escrito dessa forma “רות”. Abaixo um exemplo da escrita do nome de Rute nos versículos em Rute 1:4 e 4:5, no hebraico e com a sua tradução na versão Almeida Revista e Atualizada:

 

Rute_1

Rute_2

 

Mas depois que ela é resgatada por Boaz, nas próximas duas vezes, em Rute 4:10 e 4:13, o nome dela aparece precedido pelo את (Aleph/Tav), conforme pode ser visto abaixo
no hebraico com sua tradução na versão Almeida Revista e Atualizada:

 

Rute_3

Rute_4

 

Esta é apenas mais uma indicação clara de que o símbolo את (Aleph/Tav) é um marcador do pacto de Jesus (Yeshua), como que sendo um selo de sua aliança, porque Rute não se tornou uma parte da linhagem de Jesus (Yeshua) até Boaz efetivamente redimí-la tomando-a por esposa no versículo 10 do capítulo 4.

É também muito interessante notar que, em Rute 2:19, quando Rute introduz Boaz para Noemi na primeira parte da escritura, o nome de Boaz é substituído por um את (Aleph/Tav), conforme pode-se observar abaixo em hebraico e na sua tradução na versão Almeida Revista e Atualizada:

 

Rute_5

 

É interessante observar também como o símbolo את (Aleph/Tav) aparece precedendo os nomes referenciados na genealogia descrita a partir do versículo 18 do capítulo 4 do Livro de Rute, como que sendo um selo da aliança relacionada ao Messias, onde o SENHOR, de uma forma quase subliminar, mostra sua marca em toda a história, mesmo nos seus mínimos detalhes.

 

Rute_6

 

Tudo isso nos mostra o poder da aliança em Cristo, o nosso redentor e a presciência do sublime Criador!

Alemanha: Crimes Cometidos por Migrantes Disparam


por Soeren Kern

  • O verdadeiro número de crimes cometidos por migrantes em 2015 na Alemanha pode ultrapassar os 400.000.
  • O relatório não inclui dados dos crimes cometidos em Reno, Norte da Westphalia, o estado mais populoso da Alemanha e também o estado com o maior número de migrantes. Colônia é a maior cidade do Reno, Norte da Westphalia, onde na Passagem do Ano Novo centenas de mulheres alemãs foram violentadas por migrantes.
  • “Por anos a fio a política praticada foi a de deixar a população alemã no escuro no que tange a verdadeira situação da criminalidade… Os cidadãos estão sendo feitos de bobos. Em vez de dizer a verdade, as autoridades do governo estão fugindo da sua responsabilidade, jogando a culpa nos cidadãos e na polícia”. — André Schulz, diretor da Associação dos Peritos Criminais da Alemanha.
  • 10% dos migrantes que estão fugindo do caos que assola o Iraque e a Síria conseguiram chegar à Europa até agora: “oito a dez milhões de migrantes ainda estão a caminho”. — Gerd Müller, Ministro do Desenvolvimento.

De acordo com um relatório confidencial da polícia, que foi vazado para o jornal alemão Bild,migrantes cometeram 208.344 crimes em 2015. Essa cifra representa um salto de 80% em relação a 2014, se traduzindo em cerca de 570 crimes cometidos por migrantes a cada dia, ou seja, 23 crimes por hora, entre janeiro e dezembro de 2015.

No entanto, o verdadeiro número de crimes cometidos por migrantes é muito maior porque o relatório elaborado pelo Departamento Federal de Polícia Criminal (Bundeskriminalamt, BKA) abrange somente crimes esclarecidos (aufgeklärten Straftaten). De acordo com a Statista, a agência de estatística alemã, em média apenas cerca da metade de todos os crimes cometidos na Alemanha, em um dado ano, é solucionado (Aufklärungsquote). A implicação disso é que o verdadeiro número de crimes cometidos por migrantes em 2015 pode ultrapassar os 400.000.

Além disso, o relatório “Crime no Contexto da Imigração” (Kriminalität im Kontext von Zuwanderung), utiliza apenas dados de 13 dos 16 estados da federação alemã.

O relatório não inclui dados dos crimes cometidos em Reno, Norte da Westphalia, o estado mais populoso da Alemanha e também o estado com o maior número de migrantes. Colônia é a maior cidade do Reno, Norte da Westphalia, onde na Passagem do Ano Novo centenas de mulheres alemãs foram violentadas por migrantes. Ainda não está claro, a razão desses crimes não fazerem parte do relatório.

No relatório também não constam dados dos crimes cometidos em Hamburgo, a segunda maior cidade da Alemanha, e Bremen, a segunda cidade mais populosa do Norte da Alemanha.

E não para por aí, muitos crimes simplesmente não são denunciados ou são deliberadamente ignorados: líderes políticos em toda a Alemanha deram ordens à polícia para fazer vista grossa em face dos crimes cometidos por migrantes, aparentemente para evitar alimentar sentimentos anti-imigração.

De acordo com o relatório, a maioria dos crimes foi cometido por migrantes oriundos da: Síria (24%), Albânia (17%), Kosovo (14%), Sérvia (11%), Afeganistão (11%), Iraque (9%), Eritréia (4%), Macedônia (4%), Paquistão (4%) e Nigéria (2%).

A maioria dos crimes cometidos pelos migrantes envolvia roubo (Diebstahl): 85.035 incidentes em 2015, aproximadamente o dobro de 2014 (44.793). Em seguida vieram os crimes contra a propriedade e falsificação (Vermögens- und Fälschungsdelikte): 52.167 incidentes em 2015.

Além disso, em 2015 migrantes se envolveram em 36.010 casos registrados de agressão, lesão corporal e roubo (Rohheitsdelikte: Körperverletzung, Raub, räuberische Erpressung), em termos gerais o dobro dos casos registrados em 2014 (18.678). Também em 2015, houve 28.712 incidentes registrados de evasão de pagamento de passagens no sistema de transporte público (Beförderungserschleichung).

Também houve 1.688 abusos sexuais registrados, cometidos contra mulheres e crianças, incluindo 458 estupros ou atos de coerção sexual (Vergewaltigungen oder sexuelle Nötigungshandlungen).

Segundo o relatório, migrantes foram acusados de 240 tentativas de assassinato (Totschlagsversuch, em 2015, comparados a 127 em 2014. Em dois terços dos casos, os criminosos e as vítimas eram da mesma nacionalidade. Houve 28 assassinatos: migrantes assassinaram 27 migrantes, bem como um alemão.

Para completar, o relatório atesta que 266 indivíduos foram considerados suspeitos de serem jihadistas se passando por migrantes, foi constatado que 80 deles não eram jihadistas e 186 casos ainda estão sendo investigados. A infiltração de jihadistas no país, de acordo com o relatório, é “uma tendência crescente”.

O relatório deixa muito mais perguntas do que respostas. Continua sem resposta, por exemplo, como a polícia alemã define o termo “migrante” (Zuwanderer) ao compilar as estatísticas da criminalidade. O termo se refere somente aos migrantes que ingressaram na Alemanha em 2015 ou a todos aqueles com background de migrantes?

Se o relatório se refere apenas aos migrantes que ingressaram recentemente, a Alemanha acolheu um tanto acima de um milhão de migrantes da África, Ásia e Oriente Médio em 2015, isso implicaria que no mínimo 20% dos migrantes que ingressaram na Alemanha em 2015 são criminosos. Por outro lado, se o número de crimes cometidos pelos migrantes for, na realidade, o dobro do que consta no relatório, então no mínimo 40% dos migrantes recém chegados são criminosos. No entanto o relatório garante: “a vasta maioria dos candidatos a asilo não está envolvida em atividades criminosas”.

Fora isso, por razões até agora não esclarecidas, o relatório não inclui crimes cometidos por norte-africanos, embora se saiba há muito tempo, serem eles os responsáveis pelo crescimento dos crimes nas cidades de toda a Alemanha.

Policiais em Bremen, Alemanha, detendo quatro jovens criminosos do Norte da África que estavam aterrorizando lojistas locais. (imagem: captura de tela de vídeo da ARD)

Em Hamburgo, a polícia disse estar impotente diante da disparada no número de crimes cometidos por jovens migrantes norte-africanos. Hamburgo já abriga mais de 1.000 dos assim chamados migrantes menores desacompanhados (minderjährige unbegleitete Flüchtlinge, MUFL), cuja maioria mora nas ruas e, ao que tudo indica, pratica todos os tipos de crimes.

Um relatório confidencial, vazado para o jornal Die Welt, revela que a polícia de Hamburgo efetivamente capitulou diante dos migrantes adolescentes que os superam de longe em número e os subjugam. O documento diz o seguinte:

“Até a questão mais sem importância pode rapidamente se transformar em confusão e distúrbio. Os jovens se reúnem em grupos para se defenderem mutuamente e também para se enfrentarem…”

“Ao lidarem com pessoas fora de seu meio, os jovens se comportam de forma grosseira, mostrando total falta de respeito pelos valores e normas locais. Os jovens se reúnem principalmente na região central da cidade, onde eles podem ser vistos praticamente todos os dias. Na maioria das vezes, durante o dia, eles rondam no bairro de São George, ao cair da noite porém, eles começam a entrar em ação em Binnenalster, Flora e Sternschanzenpark e São Pauli (todas localizadas na região central de Hamburgo). Eles normalmente aparecem em grupos, já foram observados cerca de 30 jovens nas noites de finais de semana em São Pauli. O comportamento desses jovens em relação à polícia pode ser descrito como de extrema delinquência, caracterizado como agressivo, desrespeitoso e prepotente. Eles estão sinalizando que não se importam com as providências da polícia…”

“Esses jovens logo se comportam de maneira ostensiva, principalmente como batedores de carteiras e roubos nas ruas. Eles também arrombam casas e veículos, mas esses crimes em muitos casos são reportados como transgressões ou vandalismo porque os jovens estão apenas procurando um lugar para dormir. Furtos de alimentos em lojas já é coisa do dia a dia. Quando são detidos, eles resistem e agridem os policiais. Esses jovens não respeitam as instituições do estado”.

O jornal relata que as autoridades alemãs relutam em deportar os jovens para os seus países de origem porque eles são menores de idade. Como consequência, à medida que mais e mais menores desacompanhados chegam em Hamburgo a cada dia que passa, os crimes não só persistem como continuam a crescer.

Enquanto isso, na tentativa de salvar a indústria do turismo da cidade, a polícia de Hamburgo começou a tomar severas medidas repressivas contra batedores de carteiras e bolsas. Mais de 20.000 bolsas, cerca de 55 por dia, são roubadas na cidade a cada ano. Segundo Norman Großmann, diretor do gabinete do inspetor da polícia federal de Hamburgo, 90% das bolsas são roubadas por jovens do sexo masculino com idades entre 20 e 30 anos oriundos do norte da África e dos Bálcãs.

Em Stuttgart a polícia está travando uma batalha perdida contra gangues de migrantes do Norte da África que se dedicam à fina arte de bater carteiras.

Em Dresden, migrantes da Argélia, Marrocos e Tunísia tomaram o controle, de fato, da icônica Wiener Platz, uma grande praça pública em frente a estação central de trens. Lá (na Wiener Platz) eles vendem drogas e batem as carteiras dos transeuntes, normalmente ficam impunes. As batidas policiais na região da praça se transformaram em um jogo de “whack a mole”, ou seja: um número infindável de migrantes sempre substituindo aqueles que foram detidos.

As autoridades alemãs estão sendo acusadas, repetidas vezes, de informar parcialmente o verdadeiro nível da questão criminosa no país. Por exemplo, de acordo com o chefe da Associação dos Peritos Criminais (Bund Deutscher Kriminalbeamter, BDK), André Schulz, pode chegar a 90% o número de crimes sexuais cometidos na Alemanha em 2014 que não aparecem nas estatísticas oficiais. Ele ressalta:

“Por anos a fio a política praticada foi a de deixar a população alemã no escuro no que tange a verdadeira situação da criminalidade… Os cidadãos estão sendo feitos de bobos. Em vez de dizer a verdade, as autoridades do governo estão fugindo da sua responsabilidade, jogando a culpa nos cidadãos e na polícia”.

Em um aparente esforço para acalmar as tensões políticas, o Gabinete Federal para a Migração e Refugiados da Alemanha (Bundesamt für Migration und Flüchtlinge, BAMF) emitiu um comunicado em 16 de fevereiro ressaltando que estava esperando a chegada de apenas500.000 novos migrantes no país em 2016. Em dezembro de 2015, contudo, Frank-Jürgen Weise, diretor da BAMF assinalou ao jornal Bild que “esse número “500.000” só está sendo usado para fins de planejamento de recursos, porque nesse momento não temos condições de afirmar quantas pessoas virão em 2016″.

Em 1º de janeiro o FMI – Fundo Monetário Internacional estimava que 1,3 milhões de candidatos a asilo entrarão na União Européia anualmente em 2016 e 2017.

Em uma entrevista concedida em 9 de janeiro ao jornal Bild, o Ministro do Desenvolvimento Gerd Müller alertou que os maiores fluxos de refugiados ainda estão por vir. Ele ressaltou que apenas 10% dos migrantes que estão fugindo do caos que assola o Iraque e a Síria conseguiram chegar à Europa até agora: “oito a dez milhões de migrantes ainda estão a caminho”.

Aumentando a incerteza: em 18 de fevereiro, altos funcionários das agências de segurança da Áustria, Croácia, Macedônia, Sérvia e Eslovênia, todos pertencentes a assim chamada Rota dos Bálcãs, que centenas de milhares de migrantes estão usando para entrar na União Européia, concordaram em coordenar o transporte comum de migrantes da fronteira da Macedônia/Grécia até a Áustria, de onde serão enviados para a Alemanha.

Fonte: Alemanha: Crimes Cometidos por Migrantes Disparam

Por que estão destruindo carros de luxo nas ruas de Berlim

Por: Ubiratan Leal

 

O que? Na última semana, 28 carros foram destruídos nas ruas de Berlim. Dois Mercedes e dois BMWs foram queimados, enquanto os demais foram vandalizados. Um dia depois, outros 20 veículos foram atacados. A quantidade de automóveis destruídos em 24 horas chamou a atenção, mas ver carros queimados na rua se tornou estranhamente comum na capital alemã, em uma prática que já misturou protesto social com oportunismo de vândalos.

Bandeja de papel alumínio e carvão

Klaus-Jürgen Rattay era um dos milhares de jovens da Berlim Ocidental que, insatisfeitos com o aumento de preços dos imóveis na cidade, passaram a ocupar edifícios abandonados. Em setembro de 1981, a polícia berlinense fez uma ação coletiva de desocupação desses imóveis, muitos deles indústrias desativadas. Protestos se espalharam pela cidade e, durante uma investida dos policiais, Rattay foi fatalmente atropelado por um ônibus. Tinha 18 anos.

Mais de 34 anos depois, seu nome volta a aparecer com força nos debates sobre moradia em Berlim, já uma cidade unificada. Na semana do Carnaval, 48 veículos (28 no sábado e outros 20 no domingo) foram destruídos pelo grupo de extrema-esquerda Comando da Bicicleta da Social Democracia Popular, que assumiu a autoria em uma carta assinada (veja aqui, em alemão) pelo Comando Klaus-Jürgen Rattay. Protestavam contra a gentrificação de diversos bairros da cidade, que está se tornando inacessível a uma parcela cada vez maior da população. Um ataque violento, mas que está longe de ser inesperado pelas autoridades berlinenses.

No início do ano, o grupo havia prometido destruir € 1 milhão em propriedade privada a cada tentativa da polícia de desocupar algum imóvel invadido por sem-teto ou manifestantes. Entre 19 e 24 de janeiro, as autoridades realizaram diversas operações desse tipo, prendendo mais de cem pessoas. Então, era questão de tempo para aparecerem carros incendiados ou vandalizados. E o Comando atingiu seu objetivo, pois o prejuízo causado no Carnaval foi estimado em € 1,1 milhão.

A região atingida no sábado foi em torno da Potsdamer Platz, uma das mais importantes da cidade. Nos últimos anos, os imóveis da região valorizaram quase 500%, com o metro quadrado chegando a € 5,5 mil. O ataque do domingo ocorreu no bairro de Neukölln.

Para entender o ataque da última semana, é importante ressaltar que não se trata de uma prática incomum na relação entre manifestantes antigentrificação e as autoridades na capital alemã. Desde 2008, são mais de 200 veículos incendiados por ano. Só em 2011 foram 403. De acordo com a própria polícia, nem todos os casos têm motivação política. Para as autoridades, vândalos com diversas motivações se aproveitam da onda criada por manifestantes para atear fogo em mais automóveis e aumentar o caos.

 

Mapa indicado cada caso de carro incendiado em Berlim nos últimos anos (ver mapa completo em www.brennende-autos.de)

Mapa indicado cada caso de carro incendiado em Berlim nos últimos anos (ver mapa completo em Brennende-autos.de)

A natureza desses ataques dificulta seu combate. Os ativistas agem na madrugada, colocando bandejas de papel alumínio com carvão embebido em combustível sob os veículos. O carro demora alguns minutos a pegar fogo em relação ao momento em que o fogo é aceso. Isso dá ao incendiário tempo de sobra para deixar o local e ficar virtualmente impossível de ser identificado. Até porque a Alemanha é reticente em adotar a vigilância eletrônica nas ruas com a mesma intensidade de Reino Unido e Estados Unidos.

De qualquer forma, esses “protestos” estão longe de atingir seu objetivo. A opinião pública é favorável a medidas que controlem os altos e baixos do mercado imobiliário, mas tem sido pouco receptivas aos incêndios de carros em bairros nobres.

Fonte: Por que estão destruindo carros de luxo nas ruas de Berlim – Outra Cidade

Árabes de Israel: Uma História de Traição

por Khaled Abu Toameh

 

  • Nas duas décadas passadas, líderes e representantes eleitos da comunidade árabe-israelense se empenharam, com mais ardor, em favor dos palestinos da Cisjordânia e Faixa de Gaza do que em favor de seus eleitores israelenses.
  • Esses parlamentares concorreram em eleições com a promessa de trabalharem para melhorar as condições de vida dos árabes-israelenses e conquistar plena igualdade em todos os setores da sociedade. Entretanto, eles dedicam tempo e energia preciosos em prol de palestinos que não são cidadãos de Israel. Competem entre si para alcançar a projeção de provocador mais odiento contra seu próprio país.
  • Essas provocações tornam mais difíceis aos formandos universitários árabes a encontrarem empregos tanto no setor privado quanto no setor público israelenses.
  • Os maiores prejudicados são os cidadãos árabes de Israel, que foram lembrados mais uma vez, que seus representantes eleitos se interessam muito mais pelos palestinos não-israelenses do que por eles.

O alvoroço em torno de um encontro recente de três membros árabes-israelenses do Knesset (parlamento) com famílias dos palestinos que perpetraram ataques contra israelenses não constitui apenas a traição de seu país, Israel. Constitui também a traição de seus próprios eleitores: 1,5 milhões de cidadãos árabes de Israel.

Os membros do Knesset Haneen Zoabi, Basel Ghattas e Jamal Zahalka conseguiram atingir vários objetivos de uma só vez com esse encontro polêmico. Com toda certeza provocaram a ira de muitos judeus israelenses. Provavelmente também desrespeitaram o juramento que fizeram ao tomarem posse no parlamento: “Eu prometo obedecer ao Estado de Israel e suas leis e também prometo cumprir honestamente minhas obrigações no Knesset”.

Uma coisa porém eles, sem dúvida, levaram a termo, trabalhar contra os interesses dos árabes-israelenses.

Zoabi, Ghattas e Zahalka se encontraram com famílias palestinas que não são cidadãs israelenses e que portanto não votam em candidatos para o Knesset. Assim sendo, nenhuma dessas famílias votou nos três membros do Knesset ou no partido Lista Árabe Unida, do qual esses parlamentarem são membros. É óbvio que, como acontece em um governo democrático, qualquer membro do Knesset é livre para se encontrar com qualquer palestino da Cisjordânia, Faixa de Gaza ou Jerusalém.

Vale a pena frisar que não são todos os membros árabes do Knesset que estão envolvidos em retóricas incendiárias e ações polêmicas contra Israel. No entanto, há boas razões para se acreditar que alguns membros árabes do Knesset incorrem deliberadamente em determinadas ações e retóricas com o único propósito de enfurecer, não apenas o establishment israelense, mas também o povo judeu.

Esse encontro foi o último de uma série de atitudes de membros árabes do Knesset que causaram enorme dano às relações entre árabes e israelenses dentro de Israel. Tais atitudes tiveram um efeito expressivo: dano colossal aos esforços dos cidadãos árabes em prol da plena igualdade.

Nas duas décadas passadas, líderes e representantes da comunidade árabe se empenharam, com mais ardor, em favor dos palestinos da Cisjordânia e Faixa de Gaza do que em favor de seus eleitores israelenses.

Esses parlamentares concorreram em eleições com a promessa de trabalharem para melhorar as condições de vida dos eleitores árabes-israelenses e conquistar plena igualdade em todos os setores da sociedade. Entretanto, eles dedicam tempo e energia preciosos em prol de palestinos que não são cidadãos de Israel. Seu tempo disponível é gasto em competições para alcançar a projeção de provocador mais odiento contra seu próprio país.

Em vez de atuarem contra os interesses dos palestinos, fazendo de conta que são membros de um parlamento palestino e não do Knesset, eles poderiam atuar em cenários alternativos. Esses membros árabes do Knesset poderiam servir de ponte entre Israel e os palestinos que vivem sob a jurisdição do Hamas na Faixa de Gaza e da Autoridade Palestina na Cisjordânia.

Decisões como a de embarcar em um navio da flotilha de “ajuda” em direção à Faixa de Gaza, que mais representou furar os olhos de Israel do que ajudar os palestinos, movem a população israelense contra a população árabe-israelense, que por sua vez passa a ser vista como “quinta coluna” e “inimiga interna”.

Essas provocações tornam mais difíceis aos formandos universitários árabes a encontrarem empregos tanto no setor privado quanto no setor público israelenses. As ações e a retórica desses membros do Knesset garantiram a continuidade do hiato entre árabes e judeus dentro de Israel.

Graças a certos membros árabes do Knesset, muitos judeus não veem mais nenhuma diferença entre o cidadão árabe leal a Israel, e o palestino radical da Faixa de Gaza ou da Cisjordânia que procura destruir Israel.

É claro que membros árabes do Knesset têm o direito de criticar as políticas e as ações do governo israelense. Tais críticas devem ser proferidas do pódio do Knesset e não de Ramala, Gaza ou a bordo de um navio repleto de ativistas e inimigos de Israel.

Só para deixar claro: isso não é uma reivindicação para proibir membros árabes do Knesset de se encontrarem com seus irmãos palestinos da Cisjordânia, Faixa de Gaza e Jerusalém. Melhor dizendo, é um chamamento aos membros do Knesset para que avaliem cuidadosamente seus objetivos e o tom em que são proferidos.

O recente encontro em pauta teve início com um minuto de silêncio em homenagem a determinados mortos, ou seja: os algozes palestinos que assassinaram e feriram várias pessoas. Judeus israelenses provavelmente terão sensações especiais em relação a esse tipo de abertura do encontro.

Membros árabes-israelenses do Knesset Jamal Zahalka, Haneen Zoabi e Basel Ghattas (no centro da mesa, diante da câmera) em um encontro recente com familiares de terroristas que atacaram e assassinaram israelenses. O encontro teve início com um minuto de silêncio em homenagem aos algozes mortos. (imagem: Palestinian Media Watch)

As coisas podiam ser bem diferentes. Os membros árabes do Knesset poderiam ter usado o encontro para emitir um chamamento pedindo o fim da atual onda de esfaqueamentos, atropelamentos e tiroteios que começou em outubro de 2015. Eles bem que poderiam ter exigido que líderes, facções e veículos de mídia palestinos parassem com a lavagem cerebral de garotas e rapazes que os exortam a matarem judeus, qualquer judeu.

As famílias palestinas que se encontraram com os três membros árabes do Knesset não têm nada a perder. Nem as outras famílias de palestinos que vivem na Cisjordânia e Faixa de Gaza. Para eles, esses membros do Knesset estão provavelmente fazendo mais, representando-os, do que a Autoridade Palestina ou o Hamas.

Os maiores prejudicados são os cidadãos árabes de Israel, que foram lembrados mais uma vez, que seus representantes eleitos se interessam muito mais pelos palestinos não-israelenses do que por eles.

Até agora, somente as vozes de meia dúzia de gatos pingados árabes tiveram a coragem de criticar seus representantes no Knesset. Entrementes, são exatamente esses cidadãos que devem punir esses inúteis membros do Knesset e não o governo israelense ou uma comissão parlamentar ou um tribunal. Com toda certeza o poder está em suas mãos.

Se a maioria dos árabes-israelenses continuar indecisa, permitindo que seus líderes façam o que bem entenderem, os membros árabes do Knesset não os conduzirão a lugar algum.

Fonte: Árabes de Israel: Uma História de Traição

Mais evidências de que uma sociedade sem dinheiro físico está vindo rapidamente

MUITO IMPORTANTE: Mais coisas estão acontecendo mostrando que o desejo de uma sociedade global sem dinheiro físico está no topo da lista de desejos da elite mundial … e querem isso rápido!!!!

Com os bancos centrais perdendo credibilidade, a próxima grande questão é, quando será que os legisladores dos bancos centrais ao redor do mundo “tirarão o véu” para uma sociedade sem dinheiro físico, que é uma condição necessária e suficiente para um regime global de taxas de juros negativas?!

Nos últimos dias temos visto editoriais por ambos veículos importantes da mídia econômica global, Bloomberg e Financial Times, pedindo a proibição do dinheiro físico ( veja o editorial da Bloomberg traduzido aqui: http://dcvcorp.com.br/?p=2441 e o do Financial Times aqui: http://dcvcorp.com.br/?p=1917 ), mas o desenvolvimento recente mais perturbador para uma sociedade sem dinheiro físico veio num slide em uma apresentação do banco Morgan Stanley, onde Huw van Steenis, assinalou o seguinte, tradução minha (vide a imagem abaixo):

“ Nós devemos nos mover rapidamente para uma economia sem dinheiro físico para que possamos introduzir taxas de juros negativas abaixo de 1%”, criador de políticas ‘O que eu aprendi em Davos’ ”

… e Huw van Steenis acrescentou isso:

“Um dos comentários mais surpreendentes deste ano veio de uma sessão fechada na FinTech onde eu estava sentado ao lado de alguém dos círculos políticos que argumentou que devemos avançar rapidamente para uma economia sem dinheiro para que pudéssemos apresentar taxas negativas bem abaixo de 1% – à medida em que estavam preocupados que a estagnação secular de Larry Summers estava realmente ocorrendo e que ficariam presos com taxas negativas por uma década na Europa. Eles sentiram que a queda abaixo de 1,5% iria fazer os depositantes começarem a acumular notas, levando a ainda mais complexidades para a política monetária.”

Considere este fato o mais recente e o mais alto alerta sobre o caminho para uma servidão a partir do dinheiro digital.

Foto de Dionei Vieira.

Fonte: Dionei Vieira – MUITO IMPORTANTE: Mais coisas estão acontecendo…

A Islamização da França em 2015

por Soeren Kern

  • Segundo estimativas, 40.000 automóveis são queimados todos os anos na França, uma destruição frequentemente atribuída a gangues muçulmanas rivais. Todos os dias mais de 80 carros são queimados.
  • O diretor da Grande Mesquita de Paris, Dalil Boubakeur, sugeriu que o número de mesquitas na França seja dobrado nos próximos dois anos. Boubakeur ressaltou que 2.200 mesquitas “não são suficientes” para os “sete milhões de muçulmanos que vivem na França”. Ele preconizou que igrejas ociosas sejam transformadas em mesquitas.
  • O Primeiro Ministro Manuel Valls revelou em abril que mais de 1.550 cidadãos franceses ou residentes na França estão envolvidos em redes terroristas na Síria e no Iraque.
  • “Não podemos conversar sobre assuntos que polarizam opiniões? Se você falar sobre imigração, você é xenófobo. Se você falar sobre segurança, você é fascista. Se você falar sobre o Islã, você é islamófobo”. — Henri Guaino, Parlamentar.
  • “Aqueles que repudiam o comportamento ilegal dos fundamentalistas estão mais propensos a serem processados do que os próprios fundamentalistas que se comportam de maneira ilegal”. — Marine Le Pen, líder do partido Frente Nacional.

O número de muçulmanos na França chegou a 6,5 milhões de pessoas em 2015, ou seja, cerca de 10% de uma população de 66 milhões. Em termos reais, a França conta com a maior população muçulmana da União Européia, seguida pela Alemanha.

Embora a lei francesa proíba a coleta de estatísticas oficiais sobre raça ou religião de seus cidadãos, a estimativa baseia-se em diversos estudos que tentam calcular o número de pessoas na França cujas origens sejam provenientes de países de maioria muçulmana.

Segue uma revisão cronológica dos artigos mais importantes a respeito do crescimento do islamismo na França em 2015.

JANEIRO

1º de Janeiro, o ministro do interior anunciou a estatística mais aguardada do ano: um total de 940 automóveis e caminhões foram incendiados na França na Passagem do Ano Novo, uma redução de 12% em relação aos 1.067 veículos queimados durante o ritual anual do mesmo feriado em 2014. O incêndio de automóveis, comuns em toda a França, são frequentemente atribuídos a gangues muçulmanas rivais, que competem entre si para constatar qual delas atrairá os holofotes da mídia por ter causado a maior destruição. Segundo estimativas, 40.000 automóveis são queimados todos os anos na França.

3 de janeiro. Um muçulmano de 23 anos na cidade de Metz tentou estrangular um policial gritando “Allahu Akbar”! (“Alá é grande!”). O ataque aconteceu em uma delegacia de polícia depois que o homem, que foi preso por ter roubado uma bolsa, pediu ao policial que lhe trouxesse um copo d’água. Quando o policial abriu a porta da cela, o homem pulou em cima dele. O policial foi salvo por um colega que viu a cena em um vídeo de câmera de segurança.

De 7 a 9 de janeiro. Uma série de ataques jihadistas em Paris causou a morte de 17 pessoas. O primeiro desta série de ataques, que foi também o que causou o maior número de mortos, ocorreu em 7 de janeiro quando os radicais islâmicos, naturais da França, Chérif e Saïd Kouachi atacaram a redação da revista Charlie Hebdo a tiros matando oito funcionários, dois policiais, duas outras pessoas, além de ferir mais 11. Em 8 de janeiro, Amedy Coulibaly, o terceiro terrorista que participou dos ataques, abateu a tiros a policial Clarissa Jean-Philippe em Montrouge, um subúrbio de Paris. Em 9 de janeiro, Coulibaly entrou no supermercado kasherHyperCacher em Paris, assassinou quatro pessoas e tomou vários reféns. Coulibaly foi morto quando a polícia invadiu o supermercado. Sua cúmplice, Hayat Boumeddiene, a “mulher mais procurada” da França, continua foragida, acredita-se que ela tenha fugido para a Síria.

Em janeiro último, Amedy Coulibaly (esquerda) assassinou uma policial e quatro judeus em Paris, antes de ser morto a tiros pela polícia. Direita: socorristas levando uma vítima ferida no ataque perpetrado por terroristas islamistas que atiraram em centenas de pessoas que assistiam um concerto, matando 90 delas, no teatro Bataclan em Paris em 13 de novembro de 2015.

18 de janeiro. Uma pesquisa de opinião realizada pelo Institut français d’opinion publique (IFOP), publicada pelo Journal du Dimanche, revelou que 42% dos franceses são contrários à publicação de caricaturas do Profeta Maomé, como aquelas publicadas pelo Charlie Hebdo, indicando, além disso, que acreditam que deveria haver “certos limites em relação à liberdade de expressão online e nas redes sociais”. A grande maioria (81%) dos entrevistados disse que era a favor de cancelar a nacionalidade francesa dos cidadãos de dupla nacionalidade que cometeram atos de terrorismo em solo francês. Mais de dois terços (68%) disseram que cidadãos franceses “suspeitos de terem lutado em países ou regiões controladas por grupos terroristas”, deveriam ser impedidos de retornar ao país.

20 janeiro. o Primeiro Ministro Manuel Valls ressaltou que ataques terroristas expõem um “apartheid territorial, social e étnico” que está atormentando a França. Em um discurso considerado uma das mais expressivas denúncias já proferidas por uma figura de governo contra a sociedade francesa, Valls afirmou que era urgente a necessidade de se combater a discriminação, especialmente nos subúrbios empobrecidos onde residem muitos imigrantes muçulmanos. Ele ressaltou que apesar de anos de esforços do governo para melhorar as condições dos bairros carentes, muitas pessoas foram relegadas a morarem em guetos. Ele acrescentou:

“Faz parte da miséria social a discriminação diária, porque alguém não tem o sobrenome certo, a cor da pele certa ou porque é do sexo feminino. Não estou procurando desculpas, mas temos que encarar a realidade do nosso país”.

21 de janeiro. Valls anunciou um programa de €736 milhões (US$835 milhões) para incrementar as defesas antiterrorismo diante da rápida expansão da ameaça jihadista. Ele disse que o governo irá contratar e treinar 2.680 novos juízes especializados em antiterrorismo, agentes de segurança, policiais, aparelhos de escuta eletrônica e analistas no decorrer dos próximos três anos. O governo também irá desembolsar €480 milhões em novos armamentos e equipamentos de proteção para a polícia. A iniciativa abrange o aprimoramento na presença online baseado em um novo Website do governo chamado “Stop Djihadisme“.

27 de janeiro. A polícia deteve cinco suspeitos de serem jihadistas, com idades entre 26 e 44 anos, em batidas policiais em Lunel, uma pequena cidade na costa do Mediterrâneo. Pelo menos dez, podendo chegar a 20 o número de pessoas da cidade, cuja população é de apenas 25.000 habitantes, que viajaram para a Síria e para o Iraque para lutarem ao lado do Estado Islâmico.

28 de janeiro. Uma pesquisa de opinião realizada pela Ipsos/Sopra-Steria para o jornal Le Monde e Europe 1 Radio constatou que 53% dos cidadãos franceses acreditam que o país está “em guerra” e 51% sentem que o Islã é “incompatível” com os valores da sociedade francesa.

Também em janeiro, trabalhos artísticos retratando sapatos de mulheres sobre tapetes de reza muçulmana foram retirados da exposição no bairro Clichy-la-Garenne de Paris, depois que a Federação das Associações Islâmicas de Clichy alertou que as ilustrações poderiam provocar “incidentes irresponsáveis, impossíveis de serem controlados”. O trabalho artístico realizado pela artista francesa/argelina Zoulikha Bouabdellah, tinha em sua composição sapatos de salto alto posicionados na parte central dos tapetes de reza em sombras azuis, brancas e vermelhas, simbolizando a bandeira francesa. Ela disse que não considerava seu trabalho blasfemante, mas a curadora Christine Ollier ressaltou que a obra será retirada para “evitar polêmicas”. O ato de autocensura recebeu críticas de outros artistas, que salientaram que a liberdade de expressão estava sendo debilitada.

FEVEREIRO

5 de fevereiro. Um professor da única escola religiosa muçulmana financiada pelo estado pediu demissão, alegando que a Averroès Lycée (escola de ensino médio) em Lille era uma incubadora de “antissemitismo, sectarismo e islamismo insidioso”. Em um artigo publicado pelo jornal Libération, a professora de filosofia Sofiane Zitouni ressalta:

“A realidade é que a escola Averroès Lycée é um território muçulmano financiado pelo estado. Ela promove uma visão do Islã que nada mais é do que islamismo. E o faz clandestinamente e às escondidas para continuar recebendo financiamento do estado”.

O diretor da escola, Hassan Oufker, disse que irá processar Zitouni, de descendência argelina, por difamação.

12 de fevereiro. A União dos Democratas Muçulmanos Franceses (L’Union des démocrates musulmans Français, UDMF), um partido político muçulmano recém formado, declarou que começou a botar em campo candidatos nas eleições locais de oito cidades da França. O fundador da UDMF Najib Azergui assinalou que seu grupo deseja dar a sua contribuição à comunidade muçulmana do país: promovendo financiamento islâmico, promovendo o uso do idioma árabe em escolas francesas, trabalhando no sentido de cancelar a proibição em vigor na França do uso do véu nas escolas e lutando contra a “perigosa estigmatização que equipara o Islã ao terrorismo”.

15 de fevereiro. O governo anunciou uma série de medidas destinadas a reprimir o Islã radical que está sendo disseminado nas mesquitas, incluindo a proibição de apoio financeiro de países como o Qatar e a Arábia Saudita. Os muçulmanos franceses são contrários à medida. Karim Bouamrane, um político socialista verbalizou:

“Se países estrangeiros estão se intrometendo a ponto de apoiar mesquitas financeiramente, é porque o governo francês não irá financiá-las. Os muçulmanos não podem correr o risco de recusar dinheiro de fora, porque o governo francês não irá alocar fundos para que os muçulmanos construam mesquitas”.

Bouamrane ressalta que a lei francesa de 1905, que separa o estado da igreja, deve ser alterada para que seja permitido ao estado francês providenciar suporte financeiro ao culto muçulmano.

16 de fevereiro. Nacer Bendrer, um cidadão francês de 26 anos, foi extraditado para a Bélgica pelo papel desempenhado no ataque jihadista cometido em maio de 2014 contra o museu judaico em Bruxelas. Ele é suspeito de ajudar seu compatriota Mehdi Nemmouche, 29, de realizar o ataque no qual quatro pessoas foram assassinadas. Ao ser detido nos arredores de Marselha, Bendrer tinha em seu poder um fuzil automático do tipo Kalashnikov, duas pistolas automáticas e uma escopeta. Consta que Bendrer e Nemmouche se encontraram na prisão em Salon-de-Provence no sul da França entre 2008 e 2010.

23 de fevereiro. Pela primeira vez na história as autoridades francesas confiscaram os passaportes e carteiras de identidade de seis cidadãos franceses que estavam, supostamente, planejando viajar para a Síria com o objetivo de se juntarem ao Estado Islâmico. O governo afirmou que poderia confiscar passaportes de pelo menos mais 40.

25 de fevereiro. O Ministro do Interior Bernard Cazeneuve divulgou um plano para “reformar” a fé muçulmana com o objetivo de adaptá-la aos “valores da República Francesa”. Isso, segundo ele, seria realizado por meio de uma nova “Fundação Islâmica” dedicada a conduzir “pesquisas revigorantes”, para instar uma forma de Islã que “transmita a mensagem de paz, tolerância e respeito”. Entre outras medidas o governo irá criar um novo foro para: promover o diálogo com a comunidade muçulmana, aprimorar o treinamento de pregadores muçulmanos, combater a radicalização em prisões francesas e regulamentar as escolas muçulmanas.

MARÇO

3 de março. O Primeiro Ministro Manuel Valls anunciou que o estado irá dobrar o número de cursos universitários sobre o Islã, em um esforço para evitar que países estrangeiros financiem e influenciem o treinamento de imãs franceses. Valls disse que deseja que mais imãs e capelães nas prisões, que receberam treinamento no exterior, “passem por um treinamento na França para falarem francês fluentemente e entenderem o conceito do secularismo”. Há atualmente seis universidades na França que oferecem cursos de teologia e estudos islâmicos. Valls disse que ele queria dobrar o número para 12 e que os cursos seriam gratuitos.

6 de março. Mohamed Khattabi, o imã “progressista” da Mesquita Aicha em Montpellier, assinalou que o egoísmo faz parte da “natureza das mulheres”. Khattabi, marroquino/canadense que residiu na França por mais de 20 anos, que alega “promover um Islã de coexistência dentro da sociedade francesa”, ressaltou:

“Não importa o quanto de bom você fizer a uma mulher, ela o negará. O egoísmo dela a conduz a negá-lo. Isso vale para todas as mulheres, sejam elas ocidentais, árabes, muçulmanas, judias ou cristãs. Assim é a natureza das mulheres.

“Se uma mulher conseguir controlar sua natureza e reconhecer (a verdade)… Alá concederá a ela uma posição mais alta no paraíso. Contudo, se ela sucumbir à sua natureza e se recusar a aceitar os direitos do homem ou ainda, a bondade que o homem conceder a ela, então estará fadada ao (inferno)”…

8 de março. O Primeiro Ministro Manuel Valls alertou que poderá chegar a 10.000 o número de europeus que estarão participando ativamente da jihad no Iraque e na Síria no final de 2015:

“Hoje já há 3.000 europeus no Iraque e na Síria. Quando se faz uma projeção para alguns meses, se descobre que poderia haver 5.000 antes da chegada do verão e 10.000 antes do final do ano. Vocês se dão conta da ameaça que isso representa”?

16 de março. O Ministério do Interior bloqueou cinco Websites islamistas que, segundo ele, estavam promovendo o terrorismo. Um dos sites bloqueados pertencia ao al-Hayat Media Center, braço encarregado da propaganda do Estado Islâmico. O Ministro do Interior Bernard Cazeneuve ressaltou: “eu faço uma distinção entre liberdade de expressão e disseminação de mensagens que ajudam a enaltecer o terrorismo”. “Essas mensagens de ódio são um crime”. Mas o Comissário de Direitos Humanos da Comissão Européia, Nils Muižnieks, criticou a medida porque ela foi executada sem a supervisão judicial: “limitar os direitos humanos para combater o terrorismo é um grave equívoco, além de ser uma medida ineficaz que pode até ajudar a causa dos terroristas”.

17 de março. O Ministro do Interior Bernard Cazeneuve revelou que o governo interrompeu o pagamento de benefícios de assistência social a 290 jihadistas franceses que estão lutando ao lado do grupo terrorista Estado Islâmico. Ele afirmou que as agências responsáveis pela distribuição dos pagamentos de assistência social estavam sendo notificadas, imediatamente após a confirmação de que um cidadão francês tenha deixado o país para lutar no exterior.

19 de março. O Primeiro Ministro Manuel Valls apresentou um novo projeto de lei que permitirá aos serviços de inteligência monitorar e coletar dados de emails e telefonia de qualquer suspeito de ser terrorista. “São dispositivos legais, não ferramentas de exceção, nem vigilância generalizada dos cidadãos. “Não haverá um Patriot Act francês”, segundo ele, ao se referir à legislação americana que leva o mesmo nome. “Não pode haver zonas sem lei no espaço digital. Nem sempre é possível prever a ameaça, os serviços especializados necessitam ter o poder de agir com rapidez”.

ABRIL

4 de abril. O diretor da Grande Mesquita de Paris, Dalil Boubakeur, sugeriu que o número de mesquitas na França seja dobrado nos próximos dois anos. Discursando perante uma assembléia das Organizações Islâmicas Francesas no subúrbio Le Bourget de Paris, Boubakeur ressaltou que 2.200 mesquitas “não eram suficientes” para os “sete milhões de muçulmanos que vivem na França”. Ele preconizou que igrejas ociosas sejam transformadas em mesquitas.

7 de abril. O Secretário de Estado para a Reforma do Estado, Thierry Mandon, alegou que a falta de locais “decentes” de culto para os muçulmanos franceses, era parcialmente a razão de alguns deles abraçarem o Islã radical. Ele ressaltou:

“Não há mesquitas suficientes na França. Ainda há muitas cidades onde a fé muçulmana é praticada em condições consideradas não decentes. Somos obrigados a reconhecer que há locais de culto muçulmano sem condições satisfatórias. Se fossem decentes, abertas em vez de subterrâneas e escondidas, seria melhor”.

8 de abril. Hackers alegando pertencerem ao Estado Islâmico atacaram a rede de TV francesa TV5Monde, deixando-a fora do ar no mundo inteiro. A rede transmite em mais de 200 países. “Não temos mais condições de fazer transmissões em nenhum de nossos canais. O diretor geral da transmissora Yves Bigot salientou: não temos mais o controle sobre nossos Websites e sites de redes sociais e, em todos eles o Estado Islâmico está assumindo a responsabilidade”. Os hackers acusam o Presidente François Hollande de ter cometido “um erro imperdoável” ao se juntar à coalizão militar liderada pelos Estados Unidos, realizando ataques aéreos contra as posições do ISIS no Iraque e na Síria.

13 de abril. O Primeiro Ministro Manuel Valls revelou que mais de 1.550 cidadãos franceses ou residentes na França estão envolvidos em redes terroristas na Síria e no Iraque. Esse número praticamente triplicou desde janeiro de 2014.

13 de abril. Uma pesquisa de opinião encomendada pelo Website de notícias Atlantico revelouque cerca de dois terços (63%) dos cidadãos franceses são a favor de restringir as liberdades civis para combater o terrorismo. Somente 33% disseram que eram contrários de terem suas liberdades reduzidas, ainda que essa percentagem tenha aumentado significativamente entre os entrevistados mais jovens.

15 de abril. Um muçulmano de 21 anos destruiu mais de 200 lápides em um cemitério católico em Saint-Roch de Castres, uma cidade perto de Toulouse. A polícia enviou o homem a um hospital porque ele estava “delirando e incapaz de se comunicar”.

22 de abril. A polícia francesa deteve Sid Ahmed Ghlam, um estudante argelino cursando ciência da computação, de 24 anos, suspeito de planejar atacar igrejas cristãs em Villejuif, um subúrbio ao sul de Paris. Ele foi detido, ao que parece, por ter acidentalmente atirado em si mesmo. A polícia encontrou em seu carro e em sua casa três fuzis automáticos Kalashnikov, pistolas, munição e coletes à prova de balas, bem como documentos ligados a al-Qaeda e ao Estado Islâmico. A polícia revelou que Ghlam manifestou desejo de se juntar ao Estado Islâmico na Síria.

21 de abril. Um estudo realizado pelo Observatório da Religião no Local de Trabalho (Observatoire du fait religieux en entreprise, OFRE) e pelo Randstad Institute revelou que 23% dos administradores na França estavam se defrontando corriqueiramente com problemas religiosos no local de trabalho, um salto dos 12% observados em 2014. O Presidente do OFRE Lionel Honoré ressaltou que a tensão religiosa se intensificou a partir de janeiro, porque os muçulmanos que se sentem estigmatizados em virtude dos ataques jihadistas em Paris, estavam se tornando mais assertivos em relação as suas convicções.

MAIO

5 de maio. Sébastien Jallamion, um policial de 43 anos de idade de Lyon, foi suspenso do trabalho e multado em €5.000 (US$5.400) depois de ter condenado a morte do francês Hervé Gourdel, que foi decapitado por jihadistas na Argélia em setembro de 2014. Jallamion deu a seguinte explicação:

“Estou sendo acusado de ter criado em setembro de 2014 uma página anônima no Facebook, que mostrava imagens e diversos comentários polêmicos,discriminatórios e injuriosos, de natureza xenofóbica ou anti-islâmica. Para ilustrar, havia um retrato do Califa al-Baghdadi, líder do Estado Islâmico, com uma viseira na testa. Essa publicação foi exibida na minha presença perante a comissão disciplinar juntamente com a seguinte acusação: você não se envergonha de estigmatizar um imã dessa maneira? Meu advogado pode confirmar isso… A punição ao que parece é de caráter político. Não consigo ver outra explicação.

“Nossos valores fundamentais, aqueles pelos quais muitos de nossos ancestrais deram a própria vida estão se deteriorando e agora é hora de nos indignarmos diante daquilo em que o nosso país está se transformando. Esta não é a França, país do Iluminismo que em seus dias de glória brilhou sobre toda a Europa e além. Temos que lutar para preservar nossos valores, é uma questão de sobrevivência”.

11 de maio. Sarah K., uma menina muçulmana francesa de 15 anos, de descendência argelina, que tinha sido proibida duas vezes de entrar em sala de aula por usar uma saia preta comprida, foi autorizada a retornar à escola usando uma saia do mesmo tipo. Maryse Dubois, a diretora da escola Léo-Lagrange na cidade de Charleville-Mézières, tinha dito que considerava a saia comprida um flagrante símbolo religioso e uma violação das leis seculares da França. A mãe de Sarah disse que Dubois voltou atrás depois que a notícia do incidente se viralizou pelas redes sociais.

27 de maio. Os líderes de uma pequena mesquita em Oullins, um subúrbio de Lyons, fizeram história jurídica ao fazer uso de uma lei francesa de 1905, que separa a igreja do estado, para impedir um salafista de radicalizar membros da mesquita. A lei dispõe de uma cláusula que garante o direito ao culto e postula sanções contra qualquer um que obstrua o serviço religioso. Um tribunal de Lyons considerou Faouzi Saïdi, 51, culpado por se comportar obstrutivamente ao censurar o imã da mesquita e manter rezas paralelas. Saidi, que foi multado em €1.500 (US$1.640), salientou que seu único crime foi “ser tagarela”. E acrescenta: “não entendo porque fui condenado. Eu pratico o Islã conforme manda o rito”.

JUNHO

4 de junho. O partido de oposição do ex-presidente Nicolas Sarkozy, de cara nova, agora com o nome de “Os Republicanos”, manteve uma reunião sobre a questão do “Islã na França ou Islã da França”, como parte de uma mesa redonda sobre a “crise de valores” na França. Sarkozy ressaltou: “a pergunta não é saber o que a República pode fazer pelo Islã e sim o que o Islã pode fazer para se tornar o Islã da França”.

Grupos muçulmanos criticaram a reunião. “Nós não podemos participar de uma iniciativa como esta que estigmatiza os muçulmanos”, ressaltou Abdallah Zekri, presidente do Observatório Nacional da Islamofobia. O organizador do encontro, o Parlamentar Henri Guaino, discorda: “não podemos conversar sobre assuntos que polarizam opiniões? Se você falar sobre imigração, você é xenófobo. Se você falar sobre segurança, você é fascista. Se você falar sobre o Islã, você é islamófobo”.

6 de junho. O Primeiro Ministro Manuel Valls revelou que mais de 850 cidadãos franceses ou residentes na França viajaram para lutar na Síria e no Iraque. Mais de 470 ainda estão lá e acredita-se que 110 foram mortos em combate.

7 de junho. O Ministro do Interior Bernard Cazeneuve revelou que 113 cidadãos franceses ou residentes na França morreram como jihadistas nos campos de batalha do Oriente Médio. Há 130 processos judiciais em andamento concernentes a 650 indivíduos relacionados ao terrorismo e 60 indivíduos foram proibidos de deixar o país.

7 de junho. Mais de dez membros do Forsane Alizza (Cavaleiros do Orgulho), um grupo formado para defender muçulmanos da “islamofobia”, foram a julgamento em Paris por suspeita de estarem planejando ataques terroristas. O grupo, formado em agosto de 2010 por Mohamed Achamlane, um franco/tunisiano de 37 anos, que se autodenomina “Emir”, postou uma mensagem em seu Website exigindo que as forças francesas deixem todos os países de maioria muçulmana. A mensagem dizia o seguinte: “se nossas exigências forem ignoradas, iremos considerar que o governo está em guerra contra os muçulmanos”. No tribunal, Achamlane enfatizou: “não há Islã radical ou moderado. Há somente Islã autêntico”.

15 de junho. O Primeiro Ministro Manuel Valls assinalou em uma conferência, com duração de meio dia, sobre as relações com a comunidade muçulmana que o “Islã está aqui para ficar”. Ele também ressaltou que não há ligação entre Islã e extremismo. “Temos que dizer que isso tudo não é o Islã”, afirmou Valls: “o discurso de incitamento ao ódio, o antissemitismo que se esconde atrás do antissionismo e o ódio contra Israel, os autoproclamados imãs em nossos bairros e em nossas prisões que promovem a violência e o terrorismo”. Na conferência não se debateu a radicalização porque o tema foi considerado muito delicado.

23 de junho. Um tribunal em Paris rejeitou um caso apresentado por uma mãe que queria processar o governo francês por este não ter impedido seu filho adolescente de sair do país para se juntar aos jihadistas na Síria. O menino tinha 16 anos quando deixou a cidade francesa de Nice em dezembro de 2013, juntamente com três outros, ele pegou um avião para a Turquia e atravessou por terra a fronteira com a Síria. Sua mãe, identificada apenas como Nadine A., sustentou que a polícia do aeroporto de Nice deveria ter impedido o menino de embarcar porque ele tinha apenas uma passagem de ida e estava sem bagagens. O tribunal decidiu que os policiais do aeroporto não podem ser responsabilizados, rejeitando a demanda de €110.000 (US$120.000) de indenização.

28 de junho. O Primeiro Ministro Manuel Valls revelou ao canal iTele que há entre 10.000 e 15.000 salafistas na França e que 1.800 pessoas tinham algum tipo de “ligação” com a causa islamista. Ele salientou que o Ocidente estava engajado em uma “guerra contra o terrorismo”, acrescentando: “não podemos perder esta guerra porque ela é fundamentalmente a guerra das civilizações. É a nossa sociedade que está em jogo, é a nossa civilização que estamos defendendo”.

29 de junho. O Ministro do Interior Bernard Cazeneuve revelou nos últimos três anos a França deportou 40 imãs por “pregarem o ódio”: “desde o início do ano analisamos 22 casos, e cerca de 10 imãs e pregadores do ódio foram expulsos”.

29 de junho. Yassin Salhi de 35 anos, pai de três filhos, confessou ter decapitado seu patrão e de tentar explodir uma indústria química perto de Lyon. A cabeça decapitada foi encontrada pendurada em uma cerca da fábrica, ao lado de duas bandeiras com as inscrições muçulmanas de profissão-de-fé. Salhi, é motorista de caminhão, natural da França, cujos pais são de descendência marroquina e argelina. Antes de ser detido, Salhi tirou uma foto de si mesmo segurando a cabeça decapitada e enviou a imagem a um jihadista francês que se encontra lutando ao lado Estado Islâmico na Síria. A esposa de Salhi assinalou: “nós somos muçulmanos comuns. Respeitamos o Ramadã”.

Também em junho, em Bordeaux, a mercearia De L’Orient à L’Occidental, cujos proprietários se converteram recentemente ao Islã, cancelaram a “separação de gênero”, depois de enfrentarem uma avalanche de criticas. Na esperança de garantir que homens e mulheres não entrassem em contato dentro da mercearia, os proprietários tentaram proibir as mulheres de fazerem compras às segundas, terças, quartas e sextas, e proibir os homens às quintas, sábados e domingos.

JULHO

8 de julho. A revista semanal Valeurs Actuelles, lançou uma petição em todo território nacional intitulada: “não toque em minha igreja!”, depois que o diretor da Grande Mesquita de Paris, Dalil Boubakeur, vocalizou que igrejas ociosas na França deveriam ser transformadas em mesquitas. A revista apontou para uma pesquisa de opinião realizada pelo Ifop que revelava que cerca de sete em cada dez entrevistados (67%) responderam que eram contrários a transformação de igrejas francesas em mesquitas.

10 de julho. Mohamed Achamlane, 37, o líder franco/tunisiano de um grupo banido chamado Forsane Alizza (Cavaleiros do Orgulho), foi sentenciado a nove anos de prisão, acusado de atos terroristas, depois que batidas policiais encontraram armas e uma lista de alvos judaicos em seus arquivos pessoais. O grupo, criado em 2010 com o suposto objetivo de barrar a disseminação da “islamofobia”, foi banido pelo governo em março de 2012 depois que propaganda jihadista apareceu em seu Website.

14 de julho. Cerca de 130 carros foram queimados em Paris para marcar o Dia da Bastilha, o dia nacional da França. Mais de 80 carros são queimados todos os dias na França, na maioria dos casos por jovens muçulmanos.

15 de julho. As autoridades francesas abortaram uma conspiração jihadista para decapitar um militar de alta patente das forças armadas francesas em Port-Vendre, uma base militar perto de Perpignan e postar o vídeo da decapitação na Internet. A polícia antiterrorista deteve três homens, incluindo Djibril A., ex-marinheiro da Marinha Francesa.

22 de julho. Uma mulher de 21 anos de idade chamada Angelique Sloss foi atacada por arruaceiras muçulmanas depois que a viram tomando banho de sol com duas amigas em Parc Léo-Lagrange em Reims. As mulheres a acusaram de “imoralidade” por expor demasiadamente o corpo em lugar público.

AGOSTO

13 de agosto. Um tribunal em Dijon manteve a decisão de Gilles Platret, prefeito de Chalon-sur-Saône, de parar de oferecer alternativas para a carne de porco em lanchonetes das escolas. A decisão foi bem recebida por Platret como a “primeira vitória do secularismo”. A medida foi condenada por grupos muçulmanos. Abdallah Zekri do Conselho Francês da Fé Muçulmana (Conseil français du culte musulman, CFCM) ressaltou:

“Só posso condenar a decisão do prefeito, que não foi tomada para restaurar a paz social nas escolas além de criar indignação na comunidade muçulmana. Todos os muçulmanos respeitam o secularismo. Os muçulmanos nunca pleitearam refeições halal nas cantinas”.

16 de agosto. O prefeito francês Yves Jégo deu entrada com uma petição para que fosse introduzida uma nova lei, exigindo que todas as escolas públicas francesas ofereçam uma opção vegetariana em suas lanchonetes. A iniciativa tem como objetivo ajudar estudantes que não podem ingerir carne de porco por motivos religiosos. Jégo salientou que a questão do cardápio do almoço nas escolas é uma “fonte de discórdia sem sentido, que tem como alvo na realidade, na maioria das vezes, a comunidade muçulmana que “desafia a nossa capacidade de conviver em harmonia uma realidade”. Mais de 150.000 pessoas assinaram a petição.

21 de agosto. Ayoub El-Khazzani, um marroquino de 26 anos de idade, foi detido após embarcar em um trem-bala de Amsterdã a Paris com 554 passageiros a bordo e abrir fogo com um fuzil Kalashnikov. Ele foi imobilizado com a ajuda de três americanos e um britânico. Mais tarde veio à tona que El-Khazzani tinha lutado ao lado do ISIS na Síria e que já era conhecido por pelo menos quatro agências de inteligência.

SETEMBRO

6 de setembro. Marine Le Pen, líder do Partido Frente Nacional, acusou a Alemanha de explorar a crise dos migrantes no afã de reduzir salários. Discursando para uma platéia de correligionários em Marselha, ela ressaltou:

“A Alemanha provavelmente acredita que sua população está moribunda e está procurando reduzir salários e continuar recrutando escravos por meio da imigração em massa. A Alemanha não quer apenas comandar nossa economia, ela também quer nos forçar a aceitar centenas de milhares de candidatos a asilo”.

7 de setembro. O Presidente François Hollande assinalou que a França irá abrigar 24.000 migrantes nos próximos dois anos. “É a obrigação da França. O direito a asilo é parte integrante do nosso corpo e alma. Nossa história demanda essa responsabilidade”.

8 de setembro. O Primeiro Ministro Manuel Valls censurou dois prefeitos franceses que disseram que abrigariam somente refugiados cristãos. “Não é possível selecionar refugiados com base na religião”, afirmou Valls. “O direito a asilo é um direito universal”. O prefeito de Roanne, Yves Nicolin, ressaltou que aceitará abrigar somente cristãos, para ter “certeza de que não são terroristas disfarçados”. O prefeito de Belfort, Damien Meslot, salientou que ele iria considerar abrigar somente famílias do Iraque e da Síria pelo fato “delas serem as mais perseguidas”.

22 de setembro. Eric Zemmour, um escritor francês e jornalista político, foi absolvido da acusação de incitamento ao ódio racial. Zemmour estava sendo processado por comparar gangues de estrangeiros aos invasores bárbaros que se seguiram após a queda do Império Romano. Em uma transmissão de rádio de 2014, ele ressaltou:

“Os normandos, hunos, árabes, as grandes invasões após a queda de Roma agora foram substituídas por gangues de chechenos, ciganos, kosovares, magrebinos e africanos que roubam, atacam e saqueiam. Somente sociedades homogêneas como a do Japão, que por muito tempo disseram não para a imigração em massa e que protegeram suas barreiras naturais, escaparam dessa violência das ruas”.

Promotores solicitaram que ele fosse multado em €5.000 (US$5.400) e que a emissora de rádio RTL fosse multada em €3.000 por postar a transmissão em seu site na Internet. O tribunal, contudo, declarou: “por mais chocantes e excessivas que essas palavras possam parecer, elas se referiam apenas a uma fração das comunidades e não a elas como um todo”.

27 de setembro. Mohamed Chebourou, um extremista islâmico francês/argelino de 27 anos, fugiu depois que lhe foi concedido uma breve licença da prisão de Meaux-Chauconin em Seine-et-Marne, na zona leste de Paris. Ele estava cumprindo uma pena de sete anos por assalto e não deveria ser liberado até 2019. Mais tarde ele foi detido na Argélia. A Ministra da Justiça da França Christiane Taubira foi pressionada a explicar como a um extremista islâmico poderia ter sido concedida uma licença temporária da prisão.

OUTUBRO

12 de outubro. Um estudante muçulmano de 15 anos de idade foi detido após gritar “Allahu Akbar”! (“Deus é grande”!) e atirar com uma espingarda de ar comprimido em uma das mãos de seu professor de física em uma escola em Châlons-en-Champagne. O menino disse que queria morrer como mártir.

20 de outubro. Marine Le Pen, líder do partido Frente Nacional, foi a julgamento sob acusação de incitamento ao ódio religioso, após comparar as rezas de rua dos muçulmanos com a ocupação nazista. Em um comício de campanha em Lyon em 2010, ela declarou:

“Peço desculpas, mas me dirijo àqueles que realmente gostam de falar sobre a Segunda Guerra Mundial, ao falarmos de ocupação, podíamos falar sobre as (rezas de rua), porque são claramente uma ocupação de território.

“É uma ocupação de parte do território, de bairros onde são aplicadas as leis da religião, é de fato uma ocupação. Não há tanques, não há soldados, mas mesmo assim é uma ocupação, uma ocupação que oprime as pessoas”.

Le Pen disse ser vítima de “perseguição judicial”. Ela acrescentou:

“É um escândalo que uma líder política possa ser processada por expressar suas opiniões. Aqueles que repudiam o comportamento ilegal dos fundamentalistas estão mais propensos a serem processados do que os próprios fundamentalistas que se comportam de maneira ilegal”.

29 de outubro. A polícia antiterrorista abortou uma conspiração jihadista que tinha como objetivo atacar a principal base da Marinha Francesa em Toulon. Os policiais detiveram Hakim Marnissi, de 25 anos, natural de Toulon, que estava sendo monitorado desde 2014, quando ele começou a publicar posts de propaganda do ISIS em sua página no Facebook. A polícia acredita que Marnissi foi radicalizado por Mustapha Mojeddem, um jihadista francês, também de Toulon, que está lutando ao lado do ISIS na Síria.

NOVEMBRO

13 de novembro. Uma série de ataques jihadistas coordenados, em Paris e no bairro Saint-Denis, ao norte da capital francesa, deixou 130 mortos e mais de 360 feridos. Três homens bomba desfecharam um ataque nas proximidades do Stade de France (estádio de futebol) em Saint-Denis, seguido por ataques suicidas e tiroteios em massa contra cafeterias, restaurantes e uma sala de concertos em Paris.

14 de novembro. Em um pronunciamento à nação, transmitido pela TV, o Presidente François Hollande responsabilizou o Estado Islâmico pelos ataques em Paris. Discursando do Palácio de Eliseu, Hollande ressaltou:

“É um ato de guerra cometido por um exército terrorista, um exército jihadista, Daesh (sigla do Estado Islâmico), contra a França. É um ato de guerra que foi preparado, organizado e planejado no exterior, com cúmplices que estão dentro deste país”.

14 de novembro. Ahmad Almohammad, um dos jihadistas que detonou explosivos amarrados ao corpo no Stade de France, o alvo escolhido para ser atacado por três homens-bomba durante uma partida de futebol entre as seleções francesa e alemã em 13 novembro, tinha se passado por um candidato a asilo para que pudesse ingressar na União Européia. Ele entrou na União Européia com um passaporte sírio falsificado. Veio à tona que foram dadas boas-vindas a ele quando desembarcou no litoral da ilha grega de Leros em 3 de outubro, por voluntários da organização humanitária internacional Médecins Sans Frontières (Médicos sem Fronteiras).

16 de novembro. Em um raro pronunciamento em uma sessão conjunta do parlamento, o Presidente François Hollande alertou: “estamos em guerra contra o terrorismo jihadista que ameaça o mundo inteiro”.

17 de novembro. Trinta muçulmanos, todos nativos de Bangladesh, residentes em Paris, se concentraram para protestar contra os ataques jihadistas de 13 de novembro. Estima-se que o número de muçulmanos em Paris chegue a 1,7 milhões de pessoas. Mohammad Hassan, um dos manifestantes ressaltou:

“Os muçulmanos não estão se fazendo ouvir. É importante que isto seja feito porque há muçulmanos temerosos em se exporem e falarem a verdade. Cerca de 5% dos muçulmanos apóiam os terroristas. O restante precisa se manifestar abertamente. Eu gostaria muito que mais muçulmanos se juntassem a nós”.

18 de novembro. A polícia realizou uma batida policial em um apartamento em Saint-Denis, uma comunidade de um subúrbio localizado ao norte de Paris, após ter recebido uma pista de que Abdelhamid Abaaoud, o arquiteto dos ataques em Paris, poderia estar naquele local. Duas pessoas foram mortas, incluindo Hasna Aitboulahcen, uma mulher suspeita que detonou um colete com explosivos. Oito pessoas foram detidas.

18 de novembro. Um professor judeu foi esfaqueado em Marselha por três elementos que alegavam serem seguidores do Estado Islâmico. Três homens em lambretas se aproximaram do professor na rua antes de lhe mostrar uma foto de Mohamed Merah, um jihadista que assassinou sete pessoas em uma série de ataques no sul da França em 2012. Em seguida esfaquearam o professor no braço e na perna.

24 de novembro. Anouar Kbibech, presidente do Conselho Francês da Fé Muçulmana (Conseil Français du Culte Musulman, CFCM), conclamou os imãs da França a obterem licenças para que possam realizar sermões, como meio de “combater a radicalização”. A certificação garantirá que os imãs “promoverão um Islã aberto e tolerante” e que “respeitarão as leis da República”. Essa “capacitação” poderá ser “cancelada” se necessário.

30 de novembro. A última edição da revista do ISIS no idioma francês, a Dar al-Islamconclamou seus partidários na França a assassinarem professores que promovem o secularismo nas escolas francesas. “É portanto uma obrigação combater e matar esses inimigos de Alá,” segundo a revista (p.17).

DEZEMBRO

2 de dezembro. O Secretário Geral da Central Geral dos Trabalhadores – CGT da Air France Philippe Martinez, revelou que a organização expulsou cerca de 500 membros suspeitos de serem extremistas islâmicos.

2 de dezembro. O Ministro do Interior Bernard Cazeneuve anunciou o fechamento de uma mesquita em Lagny-sur-Marne, zona leste de Paris, sob a alegação de que ela estava disseminando radicalismo islâmico e fazendo recrutamento para o ISIS. Foi a terceira mesquita fechada em uma semana tendo como base o extremismo.

13 de dezembro. Cerca de 70 funcionários dos dois principais aeroportos de Paris tiveram suas licenças de trabalho cassadas após ser constatado que eram extremistas islâmicos. Os assim chamados crachás vermelhos são emitidos a funcionários, incluindo técnicos de manutenção de aeronaves, encarregados de bagagens e fiscais de passaporte, que trabalham em áreas de segurança dos aeroportos de Roissy-Charles de Gaulle e Orly.

15 de dezembro. Marine Le Pen, líder do partido Frente Nacional, foi absolvida da acusação de incitamento ao ódio após comparar as rezas de rua dos muçulmanos com a ocupação nazista. O juiz presidente declarou que, embora os comentários de Le Pen fossem “chocantes”, eles estão protegidos “como parte integrante da liberdade de expressão”.

16 de dezembro. Entre 800 e 1.000 migrantes tentaram invadir o Eurotúnel perto da cidade portuária francesa de Calais na tentativa de alcançar a Grã-Bretanha. A polícia, que usou gás lacrimogêneo para dispersar a multidão, declarou que o número de pessoas que tentava atravessar o canal em um único dia era “sem precedentes”. Aproximadamente 4.500 migrantes da África, Ásia e Oriente Médio vivem em condições sub-humanas em um campo improvisado em Calais conhecido como “Floresta”.

31 de dezembro. Em seu tradicional pronunciamento pela Passagem do Ano Novo, o Presidente François Hollande alertou que a França pode estar sujeita a mais ataques jihadistas em 2016:

“Acabamos de passar por um ano terrível. Começando com os ataques covardes contra a redação da revista Charlie Hebdo e ao supermercado kasher Hypercacher, depois os sangrentos ataques em Montrouge, Villejuif, Saint-Quentin Fallavier, depois o trem de Thalys, terminando com os hediondos atos de guerra em Saint-Denis e Paris… O terrorismo não acabou na França. A ameaça continua. E está no nível mais alto”.

Fonte: A Islamização da França em 2015