Mas Eu Sou Verme …

O Salmo 22 é a referência citada por Cristo na cruz, neste Salmo existem várias descrições proféticas sobre tudo que está ocorrendo naquele momento, mas uma em especial requer ser observada de forma mais profunda, pois muitos a desconhecem … é este o trecho …

Mas eu sou verme e não homem; opróbrio dos homens e desprezado do povo.” (Salmo 22:6)

Existe um verme, um tipo de lagarta chamada “coccus ilicis”: Quando a fêmea da lagarta escarlate estava pronta para desovar, ela prendia o seu corpo ao tronco de uma árvore, fixando-se de maneira tão firme e permanente para jamais sair. Os ovos depositados por baixo de seu corpo eram desta forma protegidos até que as larvas fossem chocadas e fossem capazes de assumir o seu próprio ciclo vital. Quando a mãe morria, o fluido carmesim manchava o seu corpo e a madeira em volta. Dos corpos mortos destas lagartas escarlates fêmeas eram extraídas as tintas comerciais da antigüidade de cor escarlate.

Perceba que ilustração isso nos dá acerca de Cristo, era sobre isso a que Ele se referia quando disse “sou verme e não homem“, morrendo no madeiro, derramando o seu precioso sangue para que conduzisse “muitos filhos à glória” (Hebreus 2:10)!

Ele morreu por nós, para que pudéssemos viver por meio dEle!

Porque convinha que aquele, por cuja causa e por quem todas as coisas existem, conduzindo muitos filhos à glória, aperfeiçoasse, por meio de sofrimentos, o Autor da salvação deles.” (Hebreus 2:10)

A Quem foi Revelado o Braço do SENHOR …

O hebraico é um idioma realmente revelador em muitos aspectos, muitas vezes uma única palavra esconde muitos significados e, por vezes, são todos representativos para o contexto original, mas ao traduzir para o Português ou outros idiomas, o tradutor precisa escolher apenas um único significado segundo o que considera a melhor interpretação. Aqui um exemplo:

Quem creu em nossa pregação? E a quem foi REVELADO ( גלה galah ) o braço do SENHOR?” (Isaías 53:1)

Esse capítulo de Isaías é conhecidíssimo, afinal trata do “Servo Sofredor”, identificado como o “braço do SENHOR”, uma metáfora para se referir ao Messias. Já no primeiro versículo existem muitas características reveladas, ainda mais se observarmos tudo ao que o termo se refere no original que foi traduzido como “revelado” ( גלה galah ), pois não apenas se refere ao Messias “manifesto” como também o termo utilizado implica em …

  • levar cativo, exilar … denotando que o Messias se converteria em um prisioneiro.
  • envergonhar, expor, desgraçar … denotando que o Messias seria envergonhado, exposto e condenado como um blasfemo, um desgraçado.
  • desnudar, tirar as roupas, expor a nudez … denotando que o Messias teria suas roupas tiradas e sua nudez exposta, como se percebe nos relatos anteriores e durante a crucificação.

Enfim, no primeiro versículo de Isaías 53, o termo גלה “galah” não apenas se refere à revelação (descoberta, manifestação) do Messias (o Servo Sofredor, o Braço do SENHOR), mas também denota que ele seria levado cativo, aprisionado, envergonhado, exposto, condenado e desnudado. Um versículo repleto de significados de uma profecia feita cerca de 700 anos antes pelo profeta Isaías e que se cumpriu em Jesus, conforme relatam os evangelhos.

A beleza e profundidade da Palavra do SENHOR é indescritível e fica ainda mais bela à medida em que mergulhamos em cada letra e palavra das Escrituras …

Que o SENHOR lhe abençoe e lhe ilumine! Shalom!!!

Ensino de Arrebatamento Pré-Tribulacionista (e Mid) nos Primórdios da Igreja

 

Você provavelmente deve ter ouvido que o ensino de um arrebatamento pré-tribulacionista, ou seja, de um arrebatamento da Igreja antes da Tribulação, foi inventado por James Darby no anos 1800. Embora seja verdade que Darby trouxe de volta o ensino e o tornado popular, não é verdade que ele foi o primeiro a ensinar sobre o arrebatamento desta maneira.

Neste artigo eu vou mostrar evidências de que o ensino de um arrebatamento pré-tribulacionista também foi ensinado nos primórdios da igreja. Importante, lembre-se de que o fato de haver essas evidências desse ensino na igreja antiga, isso não significa que eles estivessem certos em sua interpretação, não é este o ponto deste artigo, pois o assunto de quando ocorre o arrebatamento da igreja é polêmico e há muita diversidade de pensamentos e interpretações que não cabem de serem relacionados e discutidos aqui, talvez isso fique para um próximo artigo, mas é importante se perceber que a interpretação pré-tribulacionista não é tão recente como muitos costumam alegar.

A seguir eu descrevo uma lista de alguns pré-tribulacionistas da igreja antiga. Mais uma vez, esses homens podem ou não estar corretos em sua teologia, mas eles definitivamente mostraram que um arrebatamento pré-tribulacionista era uma crença existente na igreja antiga:

  • Victorinus, por volta de 240 dC …

Victorinus escreveu um comentário por volta do ano 240 dC sobre o livro de Apocalipse. Em seu comentário, Victorinus refere-se à frase de Paulo: “aquele que o detém, até que saia do meio dela“, onde ele mostra claramente que ele acreditava que era a igreja arrebatada que “saiu do meio” da terra.

E vi outro sinal grande e maravilhoso, sete anjos com as sete últimas pragas; Pois neles se completa a Ira de Deus. (Apocalipse 15:1) e estes estarão na última hora, quando a Igreja sairá do meio dela (2 Tessalonicenses 2:7).” (Comentário sobre Apocalipse 15.1)

Victorinus está dizendo que pela última hora, ou no “tempo do fim”, a Igreja já terá sido tirada. Em outro lugar Victorinus mostra que ele acredita em um arrebatamento da Igreja.

O céu sendo aberto como um rolo é a Igreja sendo levada embora (Apocalipse 6:14).” (Comentário sobre Apocalipse 6:14)

 

  • Efraim, por volta de 373 dC …

Esta citação seguinte é de um trabalho intitulado pseudo-Efraim. Tem o título pseudo, não porque alguém duvidou do sermão, mas porque quando citado mais tarde, dois historiadores disseram que foi Efraim, o sírio, quem a escreveu, e um historiador disse que era Isidoro de Sevilha. Se foi escrito por Isidoro ou Efraim, independente disso, o sermão sempre foi aceito como genuíno. Ele claramente ensina que o arrebatamento ocorre antes do período de sete anos da Tribulação.

… porque todos os santos e os eleitos do Senhor se ajuntaram antes da Tribulação que está para vir e serão levados ao SENHOR ” (Nos últimos tempos 2 – Efraim, o sírio)

 

  • Pastor de Hermas, por volta de 150 dC …

O Pastor de Hermas foi escrito por volta do ano 150 dC. Ele descreve um sonho e dá a interpretação dele. A Igreja (a noiva vestida de branco) escapa da Grande Tribulação por causa da promessa do Senhor, essa interpretação está mais ligada ao ensino de arrebatamento no meio (mid) da Tribulação, visto que a Grande Tribulação ocorre nos últimos três anos e meio como disse Jesus, mas não deixa de ser uma interpretação pré em contraponto a interpretação pós-tribulacionista. O Pastor de Hermas não pode ser considerado como o é a Escritura, mas mostra que muitos cristãos do segundo século acreditavam em um arrebatamento que não era pós-tribulacionista.

Ide, pois, e declarai ao Eleito do Senhor, de poderosos feitos, e dize-lhes que esta besta é um tipo da Grande Tribulação que está para vir. Se, pois, vos preparardes, e com todo o vosso coração, converter-vos ao Senhor em arrependimento. Então podereis escapar dele. Se o seu coração é puro e irrepreensível … a cor dourada representa que você escapou deste mundo. … Agora sabeis o símbolo da Grande Tribulação que está por vir. Mas se tiveres dispostos, isso não será nada.” (Pastor de Hermas)

 

  • Cipriano, por volta de 250 dC …

Cipriano foi o bispo de Cartago por volta de 250 dC. Observe que ele não ensinou que devemos suportar o tempo do Anticristo, mas que nós seremos “livres” dele. Ele disse aos seus leitores que a ressurreição futura era a esperança do cristão e apontou que o arrebatamento “que nos tiraria” deveria nos motivar à medida que vemos os últimos dias se aproximando.

Nós que vemos que coisas terríveis começaram. E sei que ainda mais coisas terríveis são iminentes, podem ser consideradas como uma grande vantagem para partirmos daqui o mais rapidamente possível. Você não dá graças a Deus, você não se congratula, que por uma partida precoce você será levado embora, e livre dos naufrágios e desastres que são iminentes? Saudamos o dia que nos leva a cada um de nós para a sua própria casa, que nos arrebata, e nos liberta das ações do mundo, e restaura-nos ao paraíso e ao reino” (Tratados de Cipriano – 21 a 26)

O Anticristo está vindo, mas acima dele vem também Cristo, o inimigo vem e se enfurece, mas imediatamente o Senhor segue para vingar nosso sofrimento e nossas feridas. O adversário está enfurecido e ameaça, mas há Um que pode nos livrar de suas mãos.” (Epístola 55 – Cipriano)

 

  • Irineu, por volta de 180 dC …

Segundo ensinou Irineu, todos os cristãos maduros seriam pré-milenistas ( eu escrevi um artigo sobre o ensino pré-milenista nos primórdios da Igreja que você pode ver clicando aqui ); os pré-milenistas acreditam em uma futura Tribulação de sete anos, com o surgimento do Anticristo, e isso imediatamente antes de em um reino literal de mil anos de Jesus Cristo, o qual começaria logo após a derrota do Anticristo.

Os novos céus e terra são os primeiros criados e então a nova Jerusalém desce. Essas são coisas literais, e os cristãos que as alegorizam são cristãos imaturos.” (Contra Heresias 5.35)

Irineu pode ou não estar correto em suas interpretações, eu não estou debatendo isto aqui, mas quando ele ensinava que a ordem dos eventos era de que haverá uma ressurreição física, então o Reino Milenar, então os novos céus e a nova terra e a Nova Jerusalém, é importante ressaltar que ele tinha convicção de que esses eventos todos eram literais. Irineu entendeu exatamente a partir das Escrituras de que o Império Romano se dividiria em dois impérios separados antes que ele fosse dissolvido. Irineu escreveu estas previsões por volta do ano 180 dC. O Império Romano tornou-se cristão apenas em 325 dC, dividido em duas partes (Roma e Constantinopla) somente em 395 dC, e dissolvido em 476 dC.

O Império Romano será primeiro dividido e depois dissolvido.” (Contra as Heresias 5.26)

Irineu ensinou que o sonho da imagem de Nabucodonosor e os sonhos da besta de Daniel previam os mesmos impérios que governaram Israel. O primeiro foi o Império Babilônico, representado pela cabeça de ouro e pelo leão alado. O segundo era o Império Medo-Persa, representado pelo peito e braços de prata, o urso e o carneiro. O terceiro era o Império Grego representado pelas coxas de bronze, o leopardo e a cabra. O quarto era o Império Romano representado pelas pernas de ferro e a besta indescritível. Ele também ensinou que do Império Romano viriam as dez nações, simbolizadas pelos chifres e dedos dos pés. O décimo primeiro chifre seria o próprio Anticristo, que então destruirá três das dez nações e se tornará o líder das sete restantes.

O quarto reino visto por Daniel é Roma. O templo reconstruído estará em Jerusalém.” (Contra Heresias 5.30)

Para Irineu, o fim dos tempos começaria quando Israel retornaria como uma nação, o que iria desencadear uma série de profecias a serem cumpridas, ajudando-nos a interpretar corretamente o resto das profecias.

Daniel, o profeta, diz: ‘Fechai as palavras, e sela o livro até o tempo da consumação, até que muitos aprendam e o conhecimento seja completado’. Pois naquele tempo, quando a dispersão tiver sido completada [ Irineu está se referindo aqui ao renascimento de Israel que ocorreu em 1948 pelo fim da dispersão ], eles saberão todas estas coisas. ” (Contra Heresias 4.26)

A igreja em geral se tornará então apóstata, então a igreja verdadeira será arrebatada antes que a Tribulação comece. O Anticristo fará cumprir uma aliança por sete anos, no final da qual ocorreria a Segunda Vinda de Cristo à terra e ao início do Reino Milenar. Além deste esboço básico da profecia, Irineu acrescentou alguns detalhes muito úteis. Uma é a de que o nome do Anticristo é igual a 666 quando o mesmo fosse escrito em grego. Outra é de que o Anticristo nasceria da tribo de Dan.

Em 2 Tessalonicenses, a ‘queda’ é uma apostasia e haverá um templo literalmente reconstruído. Em Mateus [capítulo 24], a ‘abominação falada por Daniel’ é o Anticristo sentado no templo como se ele fosse Cristo. A abominação começará no meio da semana 70 de Daniel e durará por três anos e seis meses literais. O pequeno chifre é o Anticristo.” (Contra Heresias 5.25)

Sobre o pré-tribulacionismo, Irineu escreveu:

Quando, no fim, essa Igreja será repentinamente arrebatada disto, então é dito, ‘Haverá tribulação como não houve desde o início, nem haverá.’” (Contra Heresias 5.29)

O “Ventre” do SENHOR

Quando você analisa no hebraico algumas palavras, os seus significados e as suas raízes, é incrível a correlação entre certos termos e significados com a profundidade do ensino de Jesus em muitos aspectos.

Lendo a famosa passagem do profeta Jeremias sobre o seu chamado …

Antes que eu te formasse no ventre materno, eu te conheci, e, antes que saísses da madre (רחמּ “rechem”), te consagrei, e te constituí profeta às nações.” (Jeremias 1:5)

Eu reparei no termo usado para “madre” que é רחמּ (rechem), cuja raiz vem de רחמּ (racham). O termo “rechem” significa “ventre, útero“, enquanto “racham” significa “amar profundamente, ter misericórdia, ter compaixão” … curiosamente “racham” significa tanto “misericórdia” quanto “ventre, barriga”.

Você já conseguiu perceber a beleza dessa relação? O ventre é um lugar de ternura, nutrição, proteção e desenvolvimento. Se não fosse por esse terno lugar de amor você nunca teria nascido. Nas Escrituras, o termo “racham” é usado com frequência para se referir ao amor e à misericórdia de Deus. Observando o que temos visto e aprendido … o amor e a misericórdia de Deus são como um útero.

É o profundo amor e a compaixão de Deus que nos faz nascer … de novo! Quando Jesus estava conversando com o líder Nicodemos sobre o que era necessário para ver o Reino de Deus, o Mestre reiterou a necessidade de se “nascer de novo”. Nicodemos não entendendo perguntou …

Como pode um homem nascer, sendo velho? Pode, porventura, voltar ao ventre materno e nascer segunda vez?” (João 3:4)

Nicodemos claramente não compreendeu a profundidade da expressão “nascer … de novo”, Jesus não se referia à uma questão meramente biológica, não era essa a questão. Mas sim, há um “útero” em que podemos entrar … no “rechem”, o “ventre” da misericórdia e do amor profundo de Deus. É no ventre (rechem) de Seu grande amor (racham), onde Ele nos mantém com a Sua ternura sobre as nossas vidas, onde nos sustenta, nutre e protege do mal. Quando vivemos sendo nutridos pelo grande amor e pela misericórdia de Deus é que nós crescemos, nos desenvolvemos e somos então formados como “filhos do Alto”, como “novas criaturas” que fomos chamados para ser. O “racham“, o amor de Deus, é o “rechem“, o ventre do nosso novo nascimento. O profundo amor de Deus é o útero que gera o nosso novo nascimento, o nosso “novo ser”.

Porque Deus amou ao mundo de tal maneira que deu o Seu Filho unigênito, para que todo o que nEle crê não pereça, mas tenha a vida eterna.” (João 3:16)

Busque você esse “novo nascimento” … encontre o profundo amor do SENHOR e nutra-se dEle, desenvolvendo-se para ter uma nova vida através de Cristo que é a demonstração mais contundente do amor e da misericórdia de Deus, Ele é o profundo amor de Deus encarnado que nos traz uma nova vida … uma vida eterna e abundante!

Ao SENHOR seja o Poder, a Honra e a Glória pelos séculos dos séculos … Amém!

Paralelo do Pentecostes na Antiga e Nova Aliança

 

No primeiro Pentecostes (Shavuot) do povo de Israel no deserto, após a entrega da Lei na Antiga Aliança, houve um juízo devido ao pecado do povo e cerca de três mil homens morreram …
 
… aos quais disse: Assim diz o SENHOR, o Deus de Israel: Cada um cinja a espada sobre o lado, passai e tornai a passar pelo arraial de porta em porta, e mate cada um a seu irmão, cada um, a seu amigo, e cada um, a seu vizinho. E fizeram os filhos de Levi segundo a palavra de Moisés; e caíram do povo, naquele dia, uns três mil homens.” (Êxodo 32:27,28)
 
Observando um paralelo profético …
 
No primeiro Pentecostes (Shavuot) da Igreja, após a descida do Espírito Santo, houve uma manifestação da graça na Nova Aliança e cerca de três mil pessoas aceitaram a palavra do evangelho e foram batizados, morrendo para o pecado e nascendo para uma nova vida através do Messias …
 
Então, os que lhe aceitaram a palavra foram batizados, havendo um acréscimo naquele dia de quase três mil pessoas.” (Atos 2:41)
 
A comparação não pode ser ignorada … a Lei sem o Espírito de Deus no homem fica restrita apenas às tábuas de pedra num coração também de pedra e assim ela se torna uma sentença de morte, mas com o Espírito de Deus habitando no homem que tem o coração mudado pelo evangelho (de carne), a Lei é levada ao coração e à mente e se torna decreto de vida abundante através de Cristo!
 
Vós sois a nossa carta, escrita em nosso coração, conhecida e lida por todos os homens, estando já manifestos como carta de Cristo, produzida pelo nosso ministério, escrita não com tinta, mas pelo Espírito do Deus vivente, não em tábuas de pedra, mas em tábuas de carne, isto é, nos corações.” (2 Coríntios 3:2,3)

 

 

Corações Duros

 

Os crentes em Cristo podem ter corações duros?! … Sim, infelizmente eles podem …

Quando os discípulos viram milagres, por exemplo, muitas vezes não os compreendiam porque “o seu coração estava endurecido” …

… porque não haviam compreendido o milagre dos pães; antes, o seu coração estava endurecido (πωρόω ‘poroo’).” (Marcos 6:52)

Jesus, percebendo-o, lhes perguntou: Por que discorreis sobre o não terdes pão? Ainda não considerastes, nem compreendestes? Tendes o coração endurecido (πωρόω ‘poroo’)?” (Marcos 8:17)

Eles tinham, de alguma forma, “perdido” a sensação de temor, surpresa e admiração pela Presença milagrosa do Senhor no meio deles.

Eles não esperavam os milagres porque as suas mentes estavam entorpecidas e incapazes de compreender a realidade (vide também João 12:40, Romanos 11:7, 2 Coríntios 3:14, todas estas passagens usando a mesma palavra grega para endurecido, πωρόωporoo”, que significa tornar o coração endurecido, insensível; recobrir com uma pele espessa, endurecer).

Jesus ligou essa dureza à cegueira, tanto física quanto espiritual … “Cegou-lhes os olhos e endureceu-lhes o coração, para que não vejam com os olhos, nem entendam com o coração, e se convertam, e sejam por mim curados.” (João 12:40).

Mesmo depois da ressurreição, Jesus repreendeu os seus seguidores mais próximos por sua incredulidade e dureza de coração (σκληροκαρδία “sklerokardia”), porque não acreditaram no testemunho de Maria Madalena e nas outras testemunhas de Sua ressurreição (veja Marcos 16:11-14).

Os discípulos, de alguma forma, “esqueceram” o ensinamento repetido de Jesus de que Ele deveria sofrer, morrer e ser ressuscitado no terceiro dia (veja Mateus 16:21 e Lucas 9:22).

Em vista disso, examine você o seu próprio coração, à luz do Espírito, buscando eliminar qualquer traço de dureza que possa estar lhe envolvendo, seja essa dureza devido aos tempos difíceis em que vivemos ou por você ter se “acostumado” a uma vida cristã cotidiana que já não se alegra ou se anima e se surpreende com as ações do SENHOR, por mais mínimas e comuns que elas possam parecer, mas que são milagres diários … tais como o nascer do sol, a chuva ou a nossa própria existência em si.

Lembre do perigo de se ter um coração endurecido, pois lhe cega o entendimento não apenas físico, mas também espiritual … e quando se anda como um cego, o risco de se cair em buracos ou abismos é muito maior!

Deus lhe ilumine e lhe abençoe grandemente!

Uma Interpretação Profética da Volta de Jesus em Josué

Há pouco mais de um mês eu publiquei um artigo chamado “As medidas do Tabernáculo de Moisés e os seus significados proféticos” (veja esse artigo aqui) e, anteriormente à este, eu havia também publicado um outro artigo relacionado, em setembro de 2016, que fazia uma divagação a partir dos dias da criação chamado “Em Que Época Vivemos” (veja esse artigo aqui). O assunto que vou abordar hoje está, de certa forma, relacionado a estes dois anteriores pelo motivo de que as suas informações se harmonizam aos dados mencionados neles.

Como mencionei no artigo “Em Que Época Vivemos”, muitos Rabinos e estudiosos entendem que estão designados à humanidade 6.000 anos antes do milênio de descanso, o sétimo. A base para esse pensamento vem tanto da questão dos dias da criação, onde cada dia representa mil anos (vide Salmo 90:4, “Pois mil anos, aos teus olhos, são como o dia de ontem que se foi e como a vigília da noite.“), como também vem da interpretação dos 120 anos mencionados em Gênesis 6:3 (“Por causa da perversidade do homem, meu Espírito não contenderá com ele para sempre; ele só viverá cento e vinte anos.”), onde os sábios interpretam que o SENHOR se referia a 120 anos “jubileu”, ou seja, 6.000 anos, sendo o sétimo milênio, um “sábado” de descanso … o Reino Milenar de Cristo. Existem outros textos e interpretações que também levam para essa mesma conclusão, mas não as vou abordar aqui.

Obviamente não há uma clareza quanto ao dia exato em que Jesus voltaria, e isso está bem claro nos textos dos evangelhos, mas ao contrário do que muitos pensam, podemos não saber a data, mas podemos saber a época, observando as Escrituras e aos sinais que nos foram dados, afinal nós somos filhos da luz e não deveríamos estar “no escuro” quanto a isso, como bem disse Paulo …

Irmãos, relativamente aos tempos (χρονος chronos) e às épocas(καιρος kairos), não há necessidade de que eu vos escreva; pois vós mesmos estais inteirados com precisão de que o Dia do Senhor vem como ladrão de noite. Quando andarem dizendo: Paz e segurança, eis que lhes sobrevirá repentina destruição, como vêm as dores de parto à que está para dar à luz; e de nenhum modo escaparão. Mas vós, irmãos, não estais em trevas, para que esse Dia como ladrão vos apanhe de surpresa; porquanto vós todos sois filhos da luz e filhos do dia; nós não somos da noite, nem das trevas. Assim, pois, não durmamos como os demais; pelo contrário, vigiemos e sejamos sóbrios.” (1 Tessalonicenses 5:1-6)

Tanto o SENHOR Deus definiu os tempos e as épocas com detalhes, que mesmo os demônios parecem saber sobre quando será essa época, e uma pista muito clara sobre isso pode ser lida nos evangelhos, aqui …

Tendo ele chegado à outra margem, à terra dos gadarenos, vieram-lhe ao encontro dois endemoninhados, saindo dentre os sepulcros, e a tal ponto furiosos, que ninguém podia passar por aquele caminho. E eis que gritaram: Que temos nós contigo, ó Filho de Deus! Vieste aqui atormentar-nos antes do tempo (καιρος kairos)?” (Mateus 8:28,29)

Perceba no texto que os demônios ficaram, de certa forma, surpresos … “Vieste aqui atormentar-nos antes do tempo?” … veja que o termo não é o grego “chronos” (χρονος), mas “kairos” (καιρος) que representa uma época … veja aqui a definição dada pelo dicionário Strong sobre o termo “kairos“:

1) medida exata; 2) medida de tempo, maior ou menor porção de tempo; tempo fixo e definido, tempo em que as coisas são conduzidas a crise, a esperada época decisiva. … Ou seja, pelos termos utilizados, essa época não era a que Jesus veio em sua primeira vinda, mas o texto dá a entender de ser uma época futura e conhecida, tanto que os demônios parecem “surpresos”.

Eu acredito que existem muitos textos que apontam para essa época nas Escrituras, por isso citei esses dois artigos anteriores. Aqui eu vou mostrar mais um texto sobre essa mesma época, usando agora um trecho do livro de Josué, acompanhe comigo e eu colocarei a interpretação logo em seguida …

Sucedeu, ao fim de três dias, que os oficiais passaram pelo meio do arraial e ordenaram ao povo, dizendo: Quando virdes a arca da Aliança do SENHOR, vosso Deus, e que os levitas sacerdotes a levam, partireis vós também do vosso lugar e a seguireis. Contudo, haja a distância de cerca de dois mil côvados entre vós e ela. Não vos chegueis a ela, para que conheçais o caminho pelo qual haveis de ir, visto que, por tal caminho, nunca passastes antes.” (Josué 3:2-4)

Sabemos que o Antigo Testamento possui histórias e textos que representam “sombras” do que ocorreu no tempo de Jesus e profecias do fim dos tempos. Uma dessas “sombras” era a própria Arca da Aliança, que muitos teólogos e estudioso interpretam como sendo uma figura, uma simbologia de Jesus, o Messias. O meu objetivo aqui não é ilustrar os mais variados motivos desta simbologia para não alongar demais esse artigo, mas é curioso o fato de que após 3 dias a Arca iria à frente do povo como um guia para a Terra Prometida, por um caminho pelo qual eles nunca haviam passado antes, conforme informa o texto de Josué. E o texto também menciona que o povo deveria ficar distante dela, da Arca, por cerca de 2.000 côvados.

Sabemos que o côvado era majoritariamente usado como medida de distância, mas poderia também o côvado ser usado como medida de tempo?! Bem, observando as próprias Escrituras … sim … Jesus mesmo faz uma aplicação desse tipo, apesar de não ser específico sobre o quanto de tempo a que se refere, mesmo assim a parte importante de sua aplicação é o uso do côvado também como unidade de tempo, como está escrito:

Qual de vós, por ansioso que esteja, pode acrescentar um côvado ao curso da sua vida?” (Mateus 6:27)

Sendo assim, usando as simbologias e os dados do texto, vou inferir a seguinte interpretação do texto de Josué acima citado … após 3 dias (“ao fim de 3 dias“) quando Jesus (“a arca da Aliança“) ressuscitou, ele subiu aos céus indo à frente de nós, o Seu povo, a Igreja, por um caminho que não conhecemos e que leva à “Terra Prometida”, ao mundo vindouro, mas nós somente iremos chegar nesse mesmo destino que Ele após cerca de 2.000 anos depois de Jesus (“haja a distância de cerca de dois mil côvados entre vós e ela“).

Muitas vezes esse número (cerca de 2.000 anos) aparece nos textos das Escrituras, como eu já mencionei nos artigos referenciados anteriormente e também, para relembrar, em alguns textos que se tornam emblemáticos quando usamos o Salmo 90:4 como “chave” para interpretação (“Pois mil anos, aos Teus olhos, são como o dia de ontem que se foi e como a vigília da noite.”) …

Vinde, e tornemos para o SENHOR, porque Ele nos despedaçou e nos sarará; fez a ferida e a ligará. Depois de dois dias, nos revigorará; ao terceiro dia [milênio], nos levantará, e viveremos diante dEle. Conheçamos e prossigamos em conhecer ao SENHOR; como a alva, a Sua vinda é certa; e Ele descerá sobre nós como a chuva, como chuva serôdia que rega a terra.” (Oséias 6:1-3)
 
Bem-aventurados aqueles servos a quem o SENHOR, quando vier, os encontre vigilantes; em verdade vos afirmo que Ele há de cingir-se, dar-lhes lugar à mesa e, aproximando-se, os servirá. Quer Ele venha na segunda vigília, quer na terceira, bem-aventurados serão eles, se assim os achar.” (Lucas 12:37-38)
 
Estamos vivendo em uma época muito interessante, pois já fazem pouco mais de 2.000 anos que Jesus nasceu e logo fará 2.000 anos de Sua morte e ressurreição … não há uma data certa ou dia que possamos afirmar com certeza, mas se a interpretação dos cerca de 2.000 anos que vem de vários textos, além deste de Josué, for uma interpretação correta, podemos afirmar que vivemos numa época muito, muito interessante e que pode sim ser marcada com a volta do Senhor … afinal não devemos ser pegos de surpresa, como bem colocou Paulo em Tessalonicenses … a não ser que você não seja filho da luz ou não esteja interessado realmente na volta de Jesus!