Conversas de Mercado II

Com os eventos econômicos recentes na China, a mídia é toda olhos para a China … e devem mesmo a observar, pois a “onda de choque” chinesa ainda não chegou ao ocidente como eu imagino que será. Só que estão esquecendo de observar como estão os EUA e a Europa e isso se mostrará um erro em breve. Sobre os EUA eu tenho postado muito sobre a situação americana e o quanto ela tem sido maquiada, mas pouco tenho colocado sobre a Europa em comparação aos EUA.

Bem, seguem algumas informações relevantes. O índice de desemprego na Europa tem sido alto, a média está em 11,1%, para ter uma idéia seguem dados do número de desemprego em alguns países:

– França: 10,3%
– Itália: 12,4%
– Portugal: 13,7%
– Espanha: 22,37%
– Grécia: 25,6%

Somente estes números já servem para mostrar a rota do desastre em que a Europa está caminhando, mas tem mais. O índice de endividamento dos países europeus comparados ao seu PIB anual também tem sido muito alto, aqui alguns exemplos:

– França: 95%
– Espanha: 97,7%
– Bélgica: 106,5%
– Irlanda: 109,7%
– Portugal: 130,2%
– Itália: 132,1%
– Grécia: 177,1% (aqui um adendo, se o índice da Grécia é alto e considerado impagável por muitos economistas, imagine a China que já beira os 300% e muitos economistas colocam os EUA como bem acima dos 200%, apesar de que os números “oficiais” estejam bem abaixo disso, mas se isso se mostrar real o desastre é ainda maior).

Além disso, com toda a situação da Grécia que vem se arrastando, o jornal The Guardian publicou:
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O Fundo Monetário Internacional alertou que a zona do euro enfrenta um panorama econômico sombrio, graças às persistentes preocupações sobre a Grécia, o elevado desemprego e um setor bancário ainda lutando para se livrar da crise financeira.

O mais recente “checkup” do FMI sobre a zona euro descobriu que ela era “suscetível a choques negativos”, enquanto que o crescimento continua a vacilar e os formuladores de políticas monetárias ficam sem maneiras de ajudar. Isso pede um “empurrão coletivo” urgente por parte da união monetária para acelerar as reformas ou senão correrão o risco de terem anos de crescimento perdidos.

“Um choque moderado de confiança – seja de um menor crescimento futuro esperado ou de tensões geopolíticas – poderia colocar o bloco em estagnação prolongada”, disse Mahmood Pradhan, chefe da missão do FMI para a zona euro.
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Convenhamos que até o momento nada de fato foi resolvido na Grécia, exceto o uso do “cartão de crédito” para pagar o “cheque especial”, mas a situação ainda está sendo tratada e os resultados não são perceptíveis e seguros. A base do que tem sido acordado ainda é frágil e o governo tem se desgastado junto a população aumentando o risco de convulsão social, algo que também pode vir a ocorrer em outros países membros da zona do euro, devido as questões de desemprego entre os jovens que é ainda maior do que os números apresentados.

Há mais dados sobre os problemas bancários na Zona Européia, algumas eu publiquei há tempos sobre o Deutsche Bank, o Santander e outros que mostram distorções e fragilidades que podem ser devastadoras num cenário de crise aguda.

Enfim, como já coloquei em outros posts … vivemos uma época em que a economia global caminha como que sobre um gelo fino que apresenta cada vez mais rachaduras maiores e não importa para onde você olha, todos estão em gelo fino, a diferença é que em algumas regiões as rachaduras já expõem alguns países ao frio da recessão, como é o caso do Brasil. Caso medidas severas não sejam tomadas em breve, em caráter mundial, é possível que todo o gelo desse lago então desabe, então será o caos …

Fonte: Dionei Vieira – Com os eventos econômicos recentes na China, a…

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