BOMBA: Tragam O Futuro Sem Dinheiro [Papel-Moeda] – Editorial da Bloomberg

Meu Comentário: eu tenho regularmente escrito e acompanhado toda essa movimentação em torno da idéia de uma sociedade sem dinheiro físico, afinal estou bem ciente de como funciona o dinheiro digital (eletrônico) até porque sou da área de TI e atuo em desenvolvimento de software há um bom tempo. Mas minhas preocupações com esse movimento estão longe da questão técnica sobre o dinheiro digital, o verdadeiro problema é político, pois a moeda eletrônica abre uma grande porta para um autoritarismo jamais imaginado, onde o governo por fim poderá controlar tudo, tendo em vista que todo movimento financeiro poderia ser rastreado e controlado por ele. Sendo assim, literalmente, ninguém poderia vender ou comprar qualquer coisa sem a aquiescência do governo. É claro que uma proposta desse tipo virá desprezando esse risco e o colocando como algo irrelevante, buscando apenas evidenciar todas as vantagens de tal sistema, e vantagens essas que realmente existem, mas os riscos são por demais altíssimos, tendo em vista o caráter dos governantes nas últimas décadas. Esse artigo traduzido do recente editorial da Bloomberg apenas evidencia o quanto isso está crescendo e como pode estar se aproximando um sistema financeiro totalmente controlado em nível global e que poderá mudar tudo o que conhecemos. A China está, com o forte apoio do FMI, trabalhando em sua moeda digital para substituir o dinheiro físico, e as implicações disso são tremendas, ainda mais num governo socialista como é o Chinês. Mas a China não é a única a seguir essa tendência, há vários outros governos como poderá ver no artigo e o fato do FMI apoiar a idéia torna tudo ainda mais perigoso. O futuro que se desenha é tecnologicamente maravilhoso, mas igualmente perigoso no sentido político-social e pode desencadear um período de trevas como nunca visto antes na história do mundo.
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<p>Just ones and zeroes.</p> Photographer: PARK JI-HWAN/AFP/Getty Images

O dinheiro físico funcionou bem por 4.000 anos ou mais. Nesses dias, porém, as notas e as moedas cada vez mais parecem antiquadas: elas são sujas e perigosas, pesadas e caras, antiquadas e muito analógicas.

Sentindo essa insatisfação, os empresários introduziram centenas de moedas digitais nos últimos anos, das quais o bitcoin é apenas a mais famosa. Agora os governos querem entrar nesse meio: O Banco Popular da China diz que pretende emitir uma moeda digital própria. Os bancos centrais no Equador, nas Filipinas, no Reino Unido e Canadá estão ponderando idéias semelhantes. Pelo menos uma empresa surgiu para ajudá-los com isso.

Muito disso depende dos detalhes, é claro. Mas esta é uma tendência bem-vinda. Em teoria, a proposta de legalização do dinheiro digital poderia combinar a criatividade das moedas virtuais privadas com a estabilidade de um governo para as apoiar.

O mais óbvio, um sistema desse tipo iria tornar o movimento do dinheiro mais fácil. Devidamente concebidos, uma moeda fiduciária digital poderia ser movimentada facilmente entre as redes de pagamento de outras forma incompatíveis, tornando as transações mais rápidas e mais baratas. Seria de uso particular para os pobres, que poderiam pagar contas ou aceitar pagamentos on-line sem a necessidade de uma conta bancária, ou de fazerem remessas sem serem enganados.

Para os governos e os seus contribuintes, as potenciais vantagens são abundantes. A emissão da moeda digital seria mais barata do que a impressão de notas e a cunhagem de moedas. Isso pode melhorar os indicadores estatísticos, tais como inflação e o produto interno bruto. Operações rastreáveis ​​poderiam ajudar a inibir o financiamento do terrorismo, a lavagem de dinheiro, fraude, evasão fiscal e a corrupção.

O efeito de maior alcance pode ser sobre a política monetária. Durante grande parte da década passada, os bancos centrais do mundo rico têm sido dificultados pelo que os economistas chamam de o limite inferior ao zero, ou a incapacidade de impor taxas de juros significativamente negativas. A persistente baixa demanda e o alto desemprego podem, por vezes, exigirem que as taxas de juros sejam empurradas abaixo de zero – mas por que manter o dinheiro em um depósito cujo valor continua encolhendo quando você pode guardar o dinheiro em vez disso? Com taxas próximas de zero, esse enigma levou os decisores políticos a métodos novos e imprevisíveis para estimular a economia, como a grande escala de compra de títulos.

Uma proposta de legalização do dinheiro digital poderia resolver este problema. Suponha que o banco central cobrasse dos bancos que lidam com ele por uma taxa para aceitar o papel moeda. Dessa forma, ele poderia definir uma taxa de câmbio entre a moeda eletrônica e o dinheiro em papel – e através do aumento da taxa, isso que faria com que o papel-moeda se depreciasse em relação ao padrão eletrônico. Isso eliminaria o incentivo para guardar o dinheiro ao invés de se usar o dinheiro digital, permitindo que o banco central empurrasse a taxa de juros abaixo do zero e, assim, estimular o consumo e o investimento. Seria um grande passo em direção a não se utilizar mais o dinheiro físico completamente.

A proposta da legalização do dinheiro digital não é isenta de risco. Uma política que impulsiona para baixo o valor do papel-moeda seria objeto de resistência política e – para dizer o mínimo – exigiria alguma explicação. Isso pode atrasar a inovação privada em moedas digitais. A segurança será uma preocupação permanente. Pagamentos sem dinheiro físico também tendem a exacerbar a propensão humana para gastar mais. E você não tem que ser paranóico para se preocupar com o rastreamento de sua vida financeira pelo “Big Brother” [leia-se, o governo].

Os governos devem estar atentos a estes problemas – porque a chave para levar as pessoas a adotarem um sistema do tipo é a confiança. Uma regra de que o histórico das transações de uma pessoa podem ser acessadas apenas com uma ordem judicial, por exemplo, pode aliviar as preocupações sobre a privacidade. Harmonizar os regulamentos internacionais poderiam encorajar as empresas a manterem isso em tentativa. E uma campanha eficaz para explicar essa nova tendência seria indispensável.

Se os políticos forem sábios e participarem de tudo isso, eles acabariam conseguindo convencer o público de uma surpreendente verdade sobre o dinheiro físico: as pessoas ficarão melhores sem ele.

Fonte: Bring On the Cashless Future

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