A Guerra Aérea Contra o ISIS Não é Séria

Na campanha contra a Sérvia, em 1999, as incursões aéreas eram numa média de 138 ataques diariamente. Contra o Estado Islâmico no Iraque e na Síria: a média é de apenas 7

Por Mark Gunzinger e John Stillion

 

Desde que os aviões norte-americanos começaram a atacar os alvos no Iraque em 08 de agosto, um debate tem sido travado sobre a eficácia da campanha aérea da administração Obama contra o Estado islâmico. A guerra de palavras tem-se centrado na necessidade de colocar tropas americanas em solo para fornecerem informações exatas e possivelmente forçar os combatentes do ISIS a defenderem as infra-estruturas fundamentais que tomaram, como as instalações petrolíferas. Mas o debate está começando agora a se concentrar no aparente fracasso dos ataques aéreos para impedir os avanços do grupo terrorista no Iraque e na Síria – especialmente a possível captura pelo Estado Islâmico de Kobani na fronteira com da Síria com a Turquia.

Embora ainda seja muito cedo para proclamar que a campanha aérea contra o Estado Islâmico seja um fracasso, pode ser instrutivo compará-lo com outras campanhas realizadas pelas forças armadas dos Estados Unidos desde o fim da Guerra Fria, onde foram considerados sucessos. Por exemplo, durante os 43 dias da operação Tempestade no Deserto, a campanha aérea contra as forças de Saddam Hussein, em 1991, os caças da coalizão e os bombardeiros voaram 48.224 em incursões aéreas de ataque.

Isso se traduz em cerca de 1.100 incursões aéreas por dia. Doze anos depois, a campanha aérea de 31 dias, que ajudou a libertar o Iraque do governo de Saddam teve em média mais de 800 missões ofensivas por dia. Por outro lado, após passados dois meses as aeronaves dos EUA e um pequeno número de forças de aliados realizaram 412 ataques ao total no Iraque e na Síria, uma média de sete ataques por dia. Com o Estado Islâmico no controle de uma área que se aproxima de 50.000 quilômetros quadrados, é fácil ver porque esse nível de esforço não teve muito impacto em suas operações.

É claro que as operações aéreas durante a Tempestade no Deserto e Liberdade do Iraque foram, cada um apoiado por uma força de coalizão maciça em solo. Assim, pode ser mais adequado comparar as atuais operações contra o Estado Islâmico com a campanha aérea de 78 dias contra as forças sérvias e seus representantes, em 1999, ou a campanha aérea de 75 dias no Afeganistão, que foi fundamental para remover o Taliban do poder, em 2001 .

Ambas as campanhas se basearam fortemente em forças aliadas em solo aumentada por um pequeno, mas significativo, número de soldados norte-americanos. Estas campanhas aéreas tiveram em média 138 e 86 missões de ataque ao dia respectivamente – as ordens de magnitude são maiores do que o ritmo atual das operações contra Estado islâmico.

Talvez o pequeno número de ataques na campanha aérea contra o Estado Islâmico é devido à falta de alvos terrestres adequados. No entanto, representantes do Pentágono têm caracterizado as forças que lutam sob a bandeira preta do Estado Islâmico mais como um exército convencional do que uma, altamente dispersa, força irregular semelhante ao Taliban de hoje. Além disso, os combatentes do Estado islâmico estão usando veículos blindados capturados, artilharia, morteiros e outros instrumentos modernos de guerra terrestre para conquistar e manter o terreno. Essas operações exigem uma quantidade considerável de movimento e de reabastecimento que podem ser detectados pela vigilância aérea.

A baixa contagem de ataques diários poderia ser o resultado de operações de aplicação de ações de contra-terrorismo do Pentágono durante a última década para a atual crise no Iraque e na Síria. Essas operações geralmente dependem de um conhecimento detalhado e específico do “padrão de vida” das pequenas células terroristas construídos, ao longo de dias ou semanas, com uma vigilância persistente.

Os recursos necessários no solo e no ar para gerar tal inteligência de alta confiança são consideráveis ​​em termos de tempo, dinheiro, pessoal e aeronaves de vigilância. Enquanto a baixa contagem de ataques parece apoiar esta tese, é improvável que os homens e mulheres, militares altamente competentes da nossa nação, muitos dos quais podem ter planejado e executado campanhas aéreas bem-sucedidas anteriormente, poderiam adotar uma abordagem de meio termo para operações contra as forças do ISIS.

Há outra possibilidade: O desejo imperativo moral e estratégico para evitar vítimas civis e danos colaterais gratuitos, que podem estar restringindo o processo de seleção dos alvos da coalizão.

Enquanto estes são fatores importantes em qualquer conflito, o que deve ser equilibrado com a realidade de permitir que os combatentes do Estado Islâmico continuem sua agressão selvagem, quase sem controle, resultará em muito mais baixas civis e destruição do que uma campanha aérea mais agressiva que usa armas de precisão para destruir rapidamente as armas pesadas do grupo e as concentrações de tropas.

Por fim, a contagem de ataques diários sugere que a estratégia subjacente à campanha aérea pode ser influenciada por um desejo de aplicar o mínimo de força possível, enquanto ainda reivindicar crédito por fazer algo sobre Estado islâmico. Esse raciocínio se encaixa com as alegações do governo de que a degradação e, eventualmente, derrota do ISIS é passível de levar muitos anos. Ele pode refletir persistentes dúvidas por parte de alguns responsáveis ​​políticos sobre o quão sério e de longo alcance é realmente a ameaça de um califado do Estado Islâmico para os interesses vitais da nossa nação. Ou pode ser ainda uma relutância simples para começar outra operação militar aberta no Oriente Médio.

No final, não importa o motivo, o uso tímido do poder aéreo contra os combatentes do Estado Islâmico no Iraque e na Síria é improvável para reduzir o território sob seu controle, e assim reduzir o brutal assassinato de civis inocentes, ou impedir a criação de um santuário para um inimigo que jurou continuar a sua luta em uma escala mais global.

 

* Artigo traduzido por mim, original no The Wall Street Journal: The Unserious Air War Against ISIS

3 thoughts to “A Guerra Aérea Contra o ISIS Não é Séria”

  1. OBAMA, segundo informações, havia COOPERADO com alguns Sheiks Sunitas (Sauditas, etc. . . ) com o escopo de apoiar o envio de contingentes de Jihadistas para a Siria. A idéia seria apoiar os rebeldes na luta contra a ditadura de Assad (como se na arabia Saudita houvesse uma plena DEMOCRACIA). Mas apesar dos tais jihadistas haverem mais praticado atrocidades contra cristãos na Siria que propriamente uma luta contra Assad, ocorreu que eles também romperam com os rebeldes sirios. E acabaram rasgando a a Siria desde Alepo até Mosul no Iraque e criaram o tal CALIFADO (EIL ou ISIS). Então pelo menos INDIRETAMENTE Obama É CUMPLICE DESSE TAL ISIS. Será que OBAMA seria um cooperador secreto para os planos da Irmandade Muçulmana no que tange a criação de UM CALIFADO MUNDIAL? Será que OBAMA é mais comprometido com ideais de poder islamicos do que com as democracias ocidentais? Obama aparenta em seus discursos tentar dizer que o futuro da américa não é mais cristão. Qual será a de OBAMA?

  2. O maior financiador de terroristas no Oriente Médio é o Irã, inclusive o Putin disse durante a guerra do golfo que “O verdadeiro perigo é o Irã” e não o Iraque, mas parece que os russos estão apoiando os Iranianos e países do Oriente Médio para expulsar os EUA e Israel da região. Além de toda essa guerra fria temos também o Curdistão, um país que parece estar sendo apoiado pela Europa e pelos Estados Unidos para destruir o ISIS, o que está funcionando e exterminando os terroristas da área. O objetivo dos Estados Unidos com a guerra no Oriente Médio e com o apoio ao movimento sionista deve ser o petróleo da região, enquanto a intervenção dos russos na guerra contra o ISIS e no fornecimento de armas nucleares ao Irã deve ser para exercer maior influência no Oriente Médio afim de conseguir aliados para uma possível recriação da URSS, esta é uma teoria minha sobre as guerras diversas na região dos países islâmicos.

    De toda forma eu não sou de acordo com o movimento dos Estados Unidos e da ONU contra os países islâmicos, de acordo com eles a lei do Al-Corão não respeita os direitos humanos, porém assim como os Judeus acreditam na lei “olho por olho e dente por dente”, os islâmicos possuem o direito de exercerem suas leis e regras em seu território, porque essa lei foi sempre exercida no Islã desde a época de Maomé, na idade média, até hoje e sempre funcionou na região chamada de “Mundo árabe”. Se a ONU interferisse menos nos países do local e os judeus escolhessem algum outro país para morarem como o Canadá que precisa de gente, ou o próprio Estados Unidos, com certeza não teriam este tanto de conflitos na região, mas os líderes e grandes empresários russos, norte-americanos e os Sheiks bilionários querem saber do povo islâmico? Não, para isso seria necessário que alguém com coragem o bastante começasse uma revolução pacífica nestes países. Lembrem-se que a ONU é apenas um disfarce dos Estados Unidos para dominar o mundo; O imperialismo que Hitler usava era conseguido por meio de guerras e conquistas, mas os EUA e a Europa assim como nessa época está querendo expandir o seu imperialismo, mas por meio de empresas e bases militares nestes países, por que se eles simplesmente falassem “vamos exterminar e escravizar todos os povos islâmicos, negros e asiáticos” ou então falassem “vamos dominar o Oriente Médio para ter petróleo e trabalhadores”, seriam chamados de nazistas e para que ninguém desconfie eles “ajudam” os países que tem recursos naturais e operários para suas empresas de forma que ninguém os critiquem, por isso eu sempre digo: NÃO FIQUEM CALADOS OU PARADOS, SE PUDER FAÇAM ALGO E CONSCIENTIZEM O MUNDO SOBRE A INJUSTIÇA QUE ESTÁ ACONTECENDO NOS PAÍSES DO ISLÃ!!!

  3. E outra coisa, o Obama não tem tanto poder nos Estados Unidos, quem basicamente manda lá são os Aristocratas e Empresários que fazem este tipo coisa, por que se os países ficarem muito destruídos terão que se submeter e aceitar os investimentos dos Estados Unidos no país em troca de petróleo e mão de obra, isso foi o mesmo que aconteceu durante a segunda guerra no Japão e na Alemanha, assim os EUA ficam cada vez mais ricos e exercem seu domínio sobre a região. Ao menos a Rússia está tentando convencer os países islâmicos de forma pacífica à serem seus aliados, já os EUA querem controlar a região pela força.

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