Escatologia – Introdução ao Tema

Esse é um tema apaixonante e controverso, para não dizer que é até polêmico. Para quem não está familiarizado com o termo, escatologia é o estudo das últimas coisas. Quando se fala sobre as últimas coisas, é impossível não referir-se ao livro de Apocalipse, tão intimidador para a maioria dos leitores da Bíblia, de forma que muitos lêem o Novo Testamento, mas quando chegam no Apocalipse, fazem saltos sobre o livro. Eu entendo a razão disso, a linguagem utilizada pelo apóstolo João no livro é realmente difícil, ainda mais quando você compara nosso contexto cultural ocidental do século XXI com o da época em que o livro foi escrito, um contexto oriental e judaico do século I. O meu objetivo para o primeiro post dessa série sobre escatologia é abrir o assunto e, nos próximos, ir mergulhando gradativamente sobre esse tema, abordando o ambiente atual e os resultados que tenho obtido em meus estudos envolvendo as várias escolas de interpretação e as conclusões que tem se projetado a partir delas.

Naturalmente, devo lembrar que a escatologia não se resume apenas ao livro do Apocalipse, esse livro possui sim, várias partes do quebra-cabeças divino sobre os últimos tempos, mas nosso soberano Senhor, distribuiu as outras peças do quebra-cabeças em diversas passagens de outros livros, tanto do novo como do antigo testamento, livros como: Daniel, Joel, Ezequiel, Salmos, Isaías, Oséias, Mateus, Tessalonicenses, entre muito outros. Algumas peças estão em passagens envolvendo vários versículos ou até capítulos inteiros, outras peças são pequenas partes de um versículo maior. Eu não sei as razões exatas do porque nosso Deus decidiu distribuir dessa forma as peças do quebra-cabeças, mas não posso negar que assim ficou muito mais divertido, difícil é verdade, mas torna tudo muito mais interessante. Quando penso nisso é impossível não lembrar sobre o texto de Provérbios 25.2: “A glória de Deus é encobrir as coisas, mas a glória dos reis é esquadrinhá- las.“. Quem já leu meu post inicial sobre a beleza e curiosidades da Bíblia, pode ter uma pequena e leve noção de como a Bíblia pode ser profunda e gloriosa em seu conteúdo e forma.

Particularmente, acredito que os maiores erros ou perigos que as pessoas cometem na abordagem sobre o estudo da escatologia, em sua maioria, podem ser resumidos em uma dessas duas possibilidades:

  • Primeira abordagem: Ler as passagens escatológicas dos livros relacionados sem preparo algum ou sem fazer uso de alguma ferramenta auxiliar, seja um comentário bíblico direcionado ou livros de apoio para maior compreensão dessas passagens e do tema em si. Isso é muito comum, visto que muitos não tem interesse ou o hábito ou mesmo não aprenderam como se deve estudar, por isso fiz um post relacionado ao estudo e aprendizado em geral (aqui), para que os leitores interessados possam começar a cobrir essa deficiência.
  • Segunda abordagem: Ler as passagens escatológicas dos livros relacionados com opiniões ou conceitos firmes e imutáveis já previamente formados, por exemplo, se você considera que o livro de Apocalipse é baseado apenas em passagens alegóricas ou simbólicas, desprovidas de qualquer literalidade, você estará usando esse “filtro” ao ler todas as passagens, dessa forma estará descartando as demais possibilidades automáticamente e limitando, talvez até inconscientemente, sua compreensão do texto.

Quanto a primeira abordagem colocada, sua solução é a mais simples em termos de ação direta, já a segunda requer uma ação diferente, a primeira é se dispor a retirar os “filtros” para poder melhorar sua visão. Para essa remoção dos “filtros” você pode fazer uma de duas iniciativas sugeridas, assumir que nenhuma escola de interpretação é a correta em si e assim “despir-se” dos pré-conceitos e mergulhar nos textos para formar as suas conclusões ou então, assumir que todas as escolas de interpretação estão corretas e, a cada leitura dos textos bíblicos, observar o que cada uma delas conclui sobre essa passagem, para então começar a tirar suas próprias conclusões. É claro que, a medida que você vai se aprofundando no tema, certos conceitos acabam ficando sedimentados e, dificilmente você os mudaria visto a experiência adquirida e firmada, mas mesmo nesses casos, uma pequena dose de abertura a outras possibilidades é sempre bem-vinda, principalmente quando você está estudando contextos proféticos, onde existem eventos que ainda poderão vir a ocorrer no futuro, então uma mente aberta é saudável para esse contexto, mas não aberta demais para que seu cérebro não venha a cair, como brincava um dos meus professores.

Dessas abordagens que citei, a minha foi fazer um estudo prévio de todas as principais escolas de interpretação escatológica para ter uma visão de como cada uma delas interpreta cada passagem bíblica relacionada. Assim, estudei livros e palestras abordando preterismo, futurismo e historicismo, dessa forma tive melhor compreensão dos conceitos milenistas envolvendo Pós-Milenismo, Amilenismo, Pré-Milenismo; também os conceitos Tribulacionistas envolvendo o Dispensacionalismo, Pré-Tribulacionismo, Pós-Tribulacionismo e posições intermediárias. Com essa base e conceitos fica melhor observar as várias nuances que uma mesma passagem pode ter e, com isso em mente, fazer as minhas próprias conclusões, lembrando sempre que o discernimento dado pelo Espírito Santo é fundamental nesse processo. Não é um processo rápido e simples, requer tempo, estudo, oração e dedicação, mas graças ao nosso bondoso Deus, temos hoje ferramentas maravilhosas para nos auxiliar a compreender e aprender. Como é comum, os melhores materiais não estão em Português, então acabei tendo de buscar vários livros, podcasts e sites em Inglês e fazer alguns cursos disponibilizados por várias universidades americanas e inglesas, um deles já recomendo aqui, aproveitando o tema, quem puder veja no iTunes University o curso “Eschatology” da Emmaus Bible College, são vídeos e materiais com mais de 20 aulas que podem ser muito bem aproveitadas para os que tem bom domínio da língua inglesa. Outros materiais, indicações e referências farei durante o desenvolvimento desse tema.

Por que estudar escatologia? Posso dar, pelo menos três razões fundamentais, mas existem muitas mais:

  1. O estudo de livros e passagens relacionados ao assunto provê uma benção especial de Deus, como descrito em Apocalipse 1:3: “Bem- aventurados aqueles que lêem e aqueles que ouvem as palavras da profecia e guardam as coisas nela escritas, pois o tempo está próximo.“.
  2. Revela os planos de Deus para o futuro e todos devemos ser servos aprovados que manejam bem a palavra da verdade.
  3. Renova nossa fé e esperança sobre o que nos aguarda, para aqueles que são pertencentes ao reino de Deus, e nos exorta, lembrando-nos do fim dos que não fazem parte do reino de Deus.

Enfim, tenho muito material para compartilhar nessa série sobre escatologia, se Deus permitir, será uma jornada de troca bem interessante de informações, pois o contexto atual é bem relevante. Costumo dizer que desde a geração de Cristo, segue-se a crença de que a geração atual é sempre a última, vê-se isso ocorrendo durante os últimos 2000 anos e, claro, nossa geração também partilha do mesmo sentimento, podemos estar errados como estiveram as outras, mas não se pode negar que o contexto dos eventos mundiais dos últimos séculos, principalmente das últimas décadas, e os acontecimentos atuais permitem a nossa geração um privilégio que as demais não tiveram, que é ver se cumprindo centenas de profecias escatológicas nos últimos anos da nossa história e o palco mundial atual mostra-se ainda mais instigante sobre as demais profecias. Esse é o assunto para os próximos dois posts que farei, onde pretendo nos contextualizar, a escatologia e os dias atuais.

Maranata!!!!

 

 

 

 

2 thoughts to “Escatologia – Introdução ao Tema”

  1. Paz Cleber, tenho liberdade de lhe chamar pelo seu segundo nome, pois, como contador da família de sua esposa, constantemente ouço falar de vc, ela lhe ama e admira muito.
    Fico entusiasmado em conhecer mais um estudioso da palavra de Deus e Escatologia, como sabemos, é uma matéria profunda, complexa e cheia de vida!!!
    Posso fazer uma pergunta? Ap17:14 encontramos três grupos de pessoas , chamados, escolhidos e fiéis. Entendo quem são os chamados e os escolhidos, mas os fiéis ao buscar no original da palavra e estudar, sobre este assunto específico, percebo que existe um grupo de pessoas que não foram chamados e escolhidos, mais mesmo assim vencerão a morte… penso em pessoas fieis a Deus, mas se encontram no engano…. Qual o seu entendimento deste assunto? abraço! Jefferson Pastor e Contador Igraja Bola de Neve Palhoça

    1. Paz Jefferson, obrigado pelas palavras, acredito que o amor à palavra é reflexo de nosso amor a Deus.
      Esse trecho do texto em particular possui várias interpretações feitas por vários estudiosos distintos sobre o termo “fiéis”, seguem algumas:

      a) Seria uma referência a Mateus 22:14 (“Porque muitos são chamados, mas poucos, escolhidos.”) e atribuem a necessidade de permanecerem fiéis para poderem ser chamados de vencedores (Apocalipse 2.10, “… Sê fiel até à morte, e dar- te- ei a coroa da vida.”).
      b) seria uma referência aos anjos que não caíram em rebelião (Mateus 25:31).
      c) Seria uma referência aos “retos/justos” que não tiveram acesso a revelação junto aos Israelitas ou junto aos Cristãos, mas que tiveram uma revelação da parte de Deus e confiaram no redentor provisionado por Deus para salvação, por exemplo, pessoas como Jó, Melquisedeque, entre outros.
      d) Seriam os que não se renderam à adoração ao anticristo e nem à sua marca, usando como segunda referência Apocalipse 19:14 que fala dos exércitos celestiais que seguirão a Cristo e tem referência indireta aos mártires da grande tribulação que retornariam com Cristo na batalha. Aqui cabe uma curiosidade, o termo fiéis desse trecho está usando o termo grego “pistos” e, curiosamente, o valor desse termo em grego é 666.

      Se tivesse de escolher uma única interpretação para o texto, ficaria com a opção (d), pelo contexto da passagem nos versículos/capítulos anteriores e posteriores, pois existe um grupo de mártires e também sobreviventes da grande tribulação que se mantiveram fiéis, não adorando a besta e nem assumindo sua marca, segundo o contexto do livro de Apocalipse.
      Mas, a beleza dos mistérios de Deus é que, segundo o texto de 2 Pedro 1:20 “.. que nenhuma profecia da Escritura provém de particular elucidação”, pode-se sim assumir que o texto possa representar mais de uma interpretação e ambas serem verdadeiras. O termo fiéis, poderia ser um grande “guarda-chuva” que se refira ao grupo somado dos mencionados nas 4 opções de interpretação apresentados.

      Agora, sobre sua referência aos que se encontram no engano, mas fiéis a Deus, se você se refere ao “engano” como adoração a um outro Deus, achando ser esse o Deus verdadeiro, mas enganados sobre isso, não acredito. Acredito sim, e a Bíblia traz referências a pessoas que tiveram revelação de Deus, mas que não estavam nem no grupo dos Judeus e nem no grupo dos Cristãos, por questões geográficas ou de tempo/época, que é o caso de Melquisedeque, Jó, Noé, entre outros, pois devem ter ocorridos vários casos desses ao longo da história e a salvação deles depende do redentor que viria/veio e acredito que isso venha ocorrendo ao longo do tempo, mesmo depois da vinda de Cristo, pois Deus vasculha a terra buscando os verdadeiros adoradores. Eu não sou porteiro do céu e nem juíz, mas acredito que existem pessoas que por situações adversas estejam sem acesso à informação necessária, segundo a providência divina e Deus age de forma tal que o mesmo tenha alguma revelação, como é o caso na Bíblia do eunuco que Filipe evangeliza (Atos 8.26-40), como o caso de Cornélio (Atos 10). Nos dias atuais tenho lido e visto vídeos de vários relatos de muçulmanos tendo sonhos com Cristo se revelando a eles, alguns testemunham terem recebido a visita do próprio Jesus se revelando a eles, enfim, acredito que Deus sim, em situações especiais pode se utilizar de recursos diferentes para se revelar, mas não acredito que deixe a pessoa “enganada” em sua fé adorando o que não deve ser adorado. Da mesma forma, para quem tem acesso a revelação máxima de Deus aos homens através de uma Bíblia, por exemplo, e não a usa para aprender por simples displicência, acredito que o tratamento já é outro, de qualquer forma a ignorância em si é um assunto mais complexo, tanto que temos Romanos, capítulos 1 e 2, onde Paulo trata sobre estas questões e, nesses casos, somente Deus que esquadrinha os corações é que fará o julgamento final, pois somente ele é o justo Juíz. Mas nossa missão é obedecer ao ide de Cristo para alcançar às almas que precisam, somos instrumentos de Deus e podemos/devemos ser usados pela sua provisão aos demais, afinal só há um mediador entre Deus e os homens, Jesus (1 Timóteo 2.5).

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