Árabes de Israel: Uma História de Traição

por Khaled Abu Toameh

 

  • Nas duas décadas passadas, líderes e representantes eleitos da comunidade árabe-israelense se empenharam, com mais ardor, em favor dos palestinos da Cisjordânia e Faixa de Gaza do que em favor de seus eleitores israelenses.
  • Esses parlamentares concorreram em eleições com a promessa de trabalharem para melhorar as condições de vida dos árabes-israelenses e conquistar plena igualdade em todos os setores da sociedade. Entretanto, eles dedicam tempo e energia preciosos em prol de palestinos que não são cidadãos de Israel. Competem entre si para alcançar a projeção de provocador mais odiento contra seu próprio país.
  • Essas provocações tornam mais difíceis aos formandos universitários árabes a encontrarem empregos tanto no setor privado quanto no setor público israelenses.
  • Os maiores prejudicados são os cidadãos árabes de Israel, que foram lembrados mais uma vez, que seus representantes eleitos se interessam muito mais pelos palestinos não-israelenses do que por eles.

O alvoroço em torno de um encontro recente de três membros árabes-israelenses do Knesset (parlamento) com famílias dos palestinos que perpetraram ataques contra israelenses não constitui apenas a traição de seu país, Israel. Constitui também a traição de seus próprios eleitores: 1,5 milhões de cidadãos árabes de Israel.

Os membros do Knesset Haneen Zoabi, Basel Ghattas e Jamal Zahalka conseguiram atingir vários objetivos de uma só vez com esse encontro polêmico. Com toda certeza provocaram a ira de muitos judeus israelenses. Provavelmente também desrespeitaram o juramento que fizeram ao tomarem posse no parlamento: “Eu prometo obedecer ao Estado de Israel e suas leis e também prometo cumprir honestamente minhas obrigações no Knesset”.

Uma coisa porém eles, sem dúvida, levaram a termo, trabalhar contra os interesses dos árabes-israelenses.

Zoabi, Ghattas e Zahalka se encontraram com famílias palestinas que não são cidadãs israelenses e que portanto não votam em candidatos para o Knesset. Assim sendo, nenhuma dessas famílias votou nos três membros do Knesset ou no partido Lista Árabe Unida, do qual esses parlamentarem são membros. É óbvio que, como acontece em um governo democrático, qualquer membro do Knesset é livre para se encontrar com qualquer palestino da Cisjordânia, Faixa de Gaza ou Jerusalém.

Vale a pena frisar que não são todos os membros árabes do Knesset que estão envolvidos em retóricas incendiárias e ações polêmicas contra Israel. No entanto, há boas razões para se acreditar que alguns membros árabes do Knesset incorrem deliberadamente em determinadas ações e retóricas com o único propósito de enfurecer, não apenas o establishment israelense, mas também o povo judeu.

Esse encontro foi o último de uma série de atitudes de membros árabes do Knesset que causaram enorme dano às relações entre árabes e israelenses dentro de Israel. Tais atitudes tiveram um efeito expressivo: dano colossal aos esforços dos cidadãos árabes em prol da plena igualdade.

Nas duas décadas passadas, líderes e representantes da comunidade árabe se empenharam, com mais ardor, em favor dos palestinos da Cisjordânia e Faixa de Gaza do que em favor de seus eleitores israelenses.

Esses parlamentares concorreram em eleições com a promessa de trabalharem para melhorar as condições de vida dos eleitores árabes-israelenses e conquistar plena igualdade em todos os setores da sociedade. Entretanto, eles dedicam tempo e energia preciosos em prol de palestinos que não são cidadãos de Israel. Seu tempo disponível é gasto em competições para alcançar a projeção de provocador mais odiento contra seu próprio país.

Em vez de atuarem contra os interesses dos palestinos, fazendo de conta que são membros de um parlamento palestino e não do Knesset, eles poderiam atuar em cenários alternativos. Esses membros árabes do Knesset poderiam servir de ponte entre Israel e os palestinos que vivem sob a jurisdição do Hamas na Faixa de Gaza e da Autoridade Palestina na Cisjordânia.

Decisões como a de embarcar em um navio da flotilha de “ajuda” em direção à Faixa de Gaza, que mais representou furar os olhos de Israel do que ajudar os palestinos, movem a população israelense contra a população árabe-israelense, que por sua vez passa a ser vista como “quinta coluna” e “inimiga interna”.

Essas provocações tornam mais difíceis aos formandos universitários árabes a encontrarem empregos tanto no setor privado quanto no setor público israelenses. As ações e a retórica desses membros do Knesset garantiram a continuidade do hiato entre árabes e judeus dentro de Israel.

Graças a certos membros árabes do Knesset, muitos judeus não veem mais nenhuma diferença entre o cidadão árabe leal a Israel, e o palestino radical da Faixa de Gaza ou da Cisjordânia que procura destruir Israel.

É claro que membros árabes do Knesset têm o direito de criticar as políticas e as ações do governo israelense. Tais críticas devem ser proferidas do pódio do Knesset e não de Ramala, Gaza ou a bordo de um navio repleto de ativistas e inimigos de Israel.

Só para deixar claro: isso não é uma reivindicação para proibir membros árabes do Knesset de se encontrarem com seus irmãos palestinos da Cisjordânia, Faixa de Gaza e Jerusalém. Melhor dizendo, é um chamamento aos membros do Knesset para que avaliem cuidadosamente seus objetivos e o tom em que são proferidos.

O recente encontro em pauta teve início com um minuto de silêncio em homenagem a determinados mortos, ou seja: os algozes palestinos que assassinaram e feriram várias pessoas. Judeus israelenses provavelmente terão sensações especiais em relação a esse tipo de abertura do encontro.

Membros árabes-israelenses do Knesset Jamal Zahalka, Haneen Zoabi e Basel Ghattas (no centro da mesa, diante da câmera) em um encontro recente com familiares de terroristas que atacaram e assassinaram israelenses. O encontro teve início com um minuto de silêncio em homenagem aos algozes mortos. (imagem: Palestinian Media Watch)

As coisas podiam ser bem diferentes. Os membros árabes do Knesset poderiam ter usado o encontro para emitir um chamamento pedindo o fim da atual onda de esfaqueamentos, atropelamentos e tiroteios que começou em outubro de 2015. Eles bem que poderiam ter exigido que líderes, facções e veículos de mídia palestinos parassem com a lavagem cerebral de garotas e rapazes que os exortam a matarem judeus, qualquer judeu.

As famílias palestinas que se encontraram com os três membros árabes do Knesset não têm nada a perder. Nem as outras famílias de palestinos que vivem na Cisjordânia e Faixa de Gaza. Para eles, esses membros do Knesset estão provavelmente fazendo mais, representando-os, do que a Autoridade Palestina ou o Hamas.

Os maiores prejudicados são os cidadãos árabes de Israel, que foram lembrados mais uma vez, que seus representantes eleitos se interessam muito mais pelos palestinos não-israelenses do que por eles.

Até agora, somente as vozes de meia dúzia de gatos pingados árabes tiveram a coragem de criticar seus representantes no Knesset. Entrementes, são exatamente esses cidadãos que devem punir esses inúteis membros do Knesset e não o governo israelense ou uma comissão parlamentar ou um tribunal. Com toda certeza o poder está em suas mãos.

Se a maioria dos árabes-israelenses continuar indecisa, permitindo que seus líderes façam o que bem entenderem, os membros árabes do Knesset não os conduzirão a lugar algum.

Fonte: Árabes de Israel: Uma História de Traição

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